Laranja holandesa tem sido doce para Portugal

A Holanda é o adversário da seleção nacional na final da Liga das Nações, marcada para domingo no Estádio do Dragão. Um reencontro que traz à memória excelentes recordações, pois nos três confrontos em fases finais a vitória foi sempre portuguesa e numa delas até houve uma batalha em campo...

A Holanda é o adversário de Portugal na final da Liga das Nações, que se realiza domingo (19:45 horas) no Estádio do Dragão. E bem se pode dizer que a seleção conhecida como Laranja Mecânica, tem dado um sumo bem doce para a equipa das quinas, que venceu os três duelos em fases finais de grandes competições.

E há dois jogos que marcaram a história destes confrontos: a meia-final do Euro 2014 e os oitavos-de-final do Mundial de 2006, que ficou conhecido como a batalha de Nuremberga.

Mas vamos por partes. Na noite de 30 de junho de 2004, o Estádio José Alvalade estava lotado e no ar havia uma enorme ansiedade, afinal a equipa das quinas tinha a possibilidade de chegar à sua primeira final de uma prova internacional. Do outro lado, a equipa holandesa apresentava-se cheia de estrelas como Van der Sar, Jaap Stam, Edgar Davids, Seedorf, Cocu, Robben, Overmars ou Van Nistelrooy.

Era um adversário de respeito para a equipa de Luiz Felipe Scolari, mas logo aos 26 minutos um tal de Cristiano Ronaldo abriu o marcador de cabeça e colocou os portugueses em delírio. No início do segundo tempo, um grande golo de Maniche aproximava ainda mais a equipa das quinas do sonho, que acabou por ser concretizado, apesar de um autogolo de Jorge Andrade.

A Batalha de Nuremberga

Dois anos depois, o destino quis que as duas seleções se reencontrassem nos oitavos-de-final do Mundial da Alemanha. Era a oportunidade de os holandeses se "vingarem" da desilusão de Lisboa e para o conseguirem tinham de conseguir anular Ronaldo, que foi então submetido a uma marcação impiedosa do defesa Khalid Boulahrouz, que acabou mesmo por lesionar a estrela portuguesa, que teve de sair aos 34 minutos.

Por essa altura já Maniche tinha colocado Portugal a vencer por 1-0, seguindo-se uma autêntica batalha campal que terminou com duas expulsões para cada lado - Costinha, Deco, Boulahrouz e Van Bronckhorst -, além dos 12 cartões amarelos. E assim esta partida tornou-se no jogo com mais cartões da história dos Campeonatos do Mundo, tendo por isso sido apelidada da Batalha de Nuremberga.

A terceira e última vez que as duas seleções se encontraram numa fase final foi no Euro 2012, na cidade ucraniana de Kharkiv, na última jornada do grupo B. A seleção nacional, orientada por Paulo Bento, precisava de vencer para se apurar para os oitavos-de-final. E as coisas até começaram mal, pois aos 11 minutos Rafael van der Vaart colocou os holandeses em vantagem, mas depois apareceu Cristiano Ronaldo a fazer um bis e garantir a vitória por 2-1 e o consequente apuramento.

Ou seja, feitas as contas, Portugal venceu nas três vezes que enfrentou os holandeses em fases finais de grandes competições. E com Ronaldo a marcar três golos. No domingo, há novo encontro e com CR7 em forma, como provam os três golos que marcou na meia-final com a Suíça.

Duelos sem Eusébio, nem Cruyff

O histórico de confrontos com a Holanda é bastante recente, pois Eusébio e Johan Cruyff, as duas míticas estrelas dos dois países nunca se defrontaram em jogos de seleções. Foi só a 17 de outubro de 1990 que se realizou o primeiro duelo, com Portugal a sair vencedor, no Estádio das Antas, por 1-0, golo de Rui Águas, a contar para o apuramento para o Europeu de 1992. No segundo jogo, em Roterdão, Rob Witschge marcou o golo da única vitória da Holanda em jogos oficiais.

As duas seleções reencontraram-se depois no apuramento para o Mundial 2002, com vitória portuguesa em Roterdão por 2-0 (Sérgio Conceição e Pauleta) e um empate 2-2 nas Antas, com Pauleta e Figo a marcarem para a equipa das quinas e Jimmy Hasselbaink e Patrick Kluivert a fazerem os golos holandeses.

No balanço dos sete jogos oficiais, Portugal soma cinco triunfos, contra apenas um da Holanda, além de um empate. A seleção nacional tem um saldo de golos favorável de 10 marcados e cinco sofridos. Já nos confrontos de caráter particular, aconteceram três empates, duas vitórias para a equipa das quinas e uma para os holandeses, precisamente no último duelo entre as duas seleções em Genebra, sob o comando de Fernando Santos, em março de 2018. Memphis Depay, Ryan Babel e Van Dijk fizeram os golos fa vitória (3-0) da equipa já orientada por Ronald Koeman, que fazia o seu segundo jogo como selecionador.

Koeman lidera o renascimento holandês

A Holanda encontra-se nesta altura numa fase de retoma, depois de um período de depressão que viveu após o terceiro lugar conquistado no Mundial do Brasil, em 2014. Os apuramentos falhados para as fases finais do Euro 2016 e do Mundial 2018, levaram a federação holandesa a iniciar uma nova era. Para isso foi contratado Ronald Koeman para selecionador, que teve carta-branca para rejuvenescer a equipa. Afinal, estrelas como Sneijder e Robben tinham chegado ao fim do prazo de validade...

Começaram então a aparecer alguns jovens de enorme potencial que começavam a dar cartas no Ajax. O defesa central Matthijs de Ligt e o médio Frenkie de Jong passaram a ser peças importantes e nucleares desta nova laranja, que passaram a fazer companhia a Virgil van Dijk e Wijnaldum, estrelas do Liverpool recém-coroado campeão da Europa, mas também a Memphis Depay, cujo enorme talento reapareceu desde que se transferiu para o Lyon.

A Holanda é agora uma equipa pronta a honrar a pesada herança dos seus antepassados e a forma como alcançou o apuramento para a final four da Liga das Nações é prova disso mesmo, afinal deixou pelo caminho as poderosas França (atual campeã do mundo) e Alemanha. E agora chegou à final afastando a também a forte seleção de Inglaterra.

A final da Liga das Nações é a primeira grande prova de fogo de Ronald Koeman como selecionador holandês. É a oportunidade de a Holanda conquistar o segundo título da sua história, depois de se ter coroado campeã da Europa em 1988 com uma equipa fantástica orientada pelo histórico Rinus Michels e que tinha grandes jogadores como Ronald Koeman (o atual selecionador), Rijkaard, Gullit e Van Basten.

Tendo em conta as exibições que esta nova Laranja Mecânica vem fazendo, é caso para os holandeses estarem otimistas quanto ao futuro. E uma vitória na final com Portugal seria uma ótima rampa de lançamento para o regresso de uma seleção histórica. Tem a palavra a equipa das quinas liderada por Fernando Santos.

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