Jogadora frustrada e fã de Collina faz história na Supertaça europeia

Árbitra francesa vai arbitrar jogo entre o Liverpool e o Chelsea esta quarta-feira em Istambul

Stéphanie Frappart será a primeira mulher a apitar uma final europeia. Hoje (20.00), em Istambul, na Supertaça Europeia, que esta quarta-feira, vai colocar frente a frente o vencedor da Liga dos Campeões, o Liverpool, e o da Liga Europa, o Chelsea, será ela a dono do apito. "O futebol é o mesmo. As regras são as mesmas e vou fazer o mesmo que faço nos jogos das mulheres", disse numa entrevista.

Segundo ela, esta é a oportunidade perfeita para mostrar que a igualdade de género na arbitragem é possível. "Temos de provar que somos iguais aos homens em termos técnicos e físicos. E que não temos medo [das decisões erradas]. Estamos prontas", declarou Frappart, que irá dirigir uma equipa quase só formada por mulheres - a francesa Manuela Nicolosi e a irlandesa Michelle O"Neill serão as assistentes, cabendo ao turco Cuneyt Çakir ser o elemento masculino, no papel de quarto árbitro.

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, congratulou-se por esta decisão: "Disse em várias ocasiões que o potencial do futebol feminino não tem limites e estou encantado por Stéphanie Frappart ter sido nomeada para arbitrar o jogo da Supertaça Europeia deste ano com as assistentes Manuela Nicolosi and Michelle O'Neal."

Jogadora frustrada e fã de Collina

Stéphanie sonhava ser jogadora, mas sempre teve um fascínio pelas regras do jogo que a levava a ter o árbitro italiano Pierluigi Collina como ídolo. Natural de Val-d"Oise começou a particar futebol na escola primária com sete anos. "Comecei a jogar futebol no pátio da escola quando tinha nove ou dez anos. Depois foi a um clube para praticar e rapidamente quis aprender as regras. Depois tirei o curso e comecei a arbitrar jogos de futebol feminino e de futebol de formação em Val-d'Oise. Na altura, jogava e apitava", contou, numa entrevista concedida em setembro de 2016 ao Le Nouvelle République .

Aos 13 frequentou pela primeira vez cursos distritais de arbitragem, passando a dirigir partidas de infantis e de iniciados. Aos 18 anos escolheu ir para a Faculdade de Desporto ao mesmo tempo que abdicou de uma modesta carreira como jogadora. Perante o pouco desenvolvimento do futebol feminino, optou definitivamente pela arbitragem.

Daí para cá, tem subido a pulso e confessa sentir-se respeitada. "Há respeito. Provavelmente a abordagem e as palavras são diferentes por ser mulher. A contestação existe, mas talvez os jogadores tenham mais paciência comigo do que com outros árbitros", admitiu.

A única entre mil a viver da arbitragem

Em abril, a francesa de 35 anos já tinha feito história ao tornar-se a primeira mulher a arbitrar na I Liga do seu país, um jogo entre o Amiens e o Estrasburgo, depois de cinco anos na II liga francesa. Antes dela, apenas três mulheres arbitraram na liga francesa, mas como árbitras assistentes: Nelly Viennot, Corinne Lagrange e Ghislaine Perron-Labbé.

Já no mês passado apitou a final do Campeonato do Mundo de futebol feminino, entre os Estados Unidos e a Holanda, na cidade francesa de Lyon. Além disso esteve no Mundial feminino de 2015, no torneio feminino dos Jogos Olímpicos de 2016, no Campeonato da Europa feminino de 2017 e dirigiu a final do Mundial feminino sub-20 no ano passado.

Esa época Frappart foi incluída na poule de árbitros para a Ligue 1 masculina e garante que não há grande diferença entre dirigir jogos de homens e de mulheres. Segundo a imprensa francesa ele é a única mulher, entre mil, capaz de viver da arbitragem em França, graças a um salário fixo ao qual se juntam subsídios de jogo.

Bibiana deu o mote na Alemanha

Antes de Stéphanie Frappart, coube à alemã Bibiana Steinhaus fazer história na arbitragem ao ter-se tornado a primeira árbitra feminina a atuar num grande campeonato profissional, no caso na liga alemã, durante uma partida entre o Hertha Berlim e o Werder Bremen. "Alguém teria de ser a primeira. Tocou-me a mim, podia ter sido outra. Mas trata-se de um bonito desafio para alguém cujo maior sonho era apitar na Bundesliga", afirmou na altura, em setembro de 2017.

Exclusivos

Premium

Líderes europeus

As divisões da Europa 30 anos após o fim da Cortina de Ferro

Angela Merkel reuniu-se com Viktor Orbán, Emmanuel Macron com Vladimir Putin. Nos próximos dias, um e outro receberão Boris Johnson. E Matteo Salvini tenta assalto ao poder, enquanto alimenta a crise do navio da ONG Open Arms, com 107 migrantes a bordo, com a Espanha de Pedro Sánchez. No meio disto tudo prepara-se a cimeira do G7 em Biarritz. E assinala-se os 30 anos do princípio do fim da Cortina de Ferro.