Ronaldo paga 365 mil euros para ficar sem cadastro. E é criticado por selfie em jato particular

Ao pagar 365 mil euros de multa para não cumprir uma pena de prisão de dois anos Cristiano Ronaldo fica livre dos processos em Espanha. Falta saber se há implicações nas condecorações que recebeu. Foto tirada em jato está a ser criticada.

Cristiano Ronaldo reconheceu a culpa em quatro crimes de fraude fiscal num tribunal de Madrid, cometidos entre 2011 e 2014, e foi condenado a uma pena de prisão de dois anos, substituída por multa de 365 mil euros. O avançado internacional português não terá de cumprir a pena, porque a Justiça espanhola não torna efetivas penas de prisão inferiores a 24 meses quando os acusados não têm antecedentes criminais, mas esta decisão poderá ter implicações nos títulos honoríficos que recebeu.

Apesar de esta decisão do tribunal espanhol não implicar a perda automática da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal (recebida em 2014) e da Grã Cruz da Ordem do Mérito (atribuída após a vitória no Europeu de 2016) - só se aplica a penas de prisão superiores a 36 meses - a conduta do capitão da Seleção e jogador da Juventus pode vir a ser analisada à luz do ponto 1 do artigo 54.º da Lei das Ordens Honoríficas. O qual refere que quem recebe as condecorações têm de "prestigiar Portugal em todas as circunstâncias", "regular o seu procedimento, público e privado, pelos ditames da virtude e da honra" e a "dignificar a sua Ordem por todos os meios e em todas as circunstâncias".

Para já a Presidência da República ainda não se pronunciou sobre o assunto. Ronaldo pode ser "alvo " de um processo disciplinar que pode terminar com a retirada dos títulos ou apenas a uma repreensão.

O acordo que aceitou na terça-feira (dia 22 de janeiro) permite fechar o processo judicial aberto contra Cristiano Ronaldo por ter fugido ao pagamento de impostos de rendimentos recebidos sobre os direitos de imagem em Espanha, quando jogava no Real Madrid.

Ronaldo estava acusado de ter, de forma "consciente", criado empresas na Irlanda e nas Ilhas Virgens britânicas para defraudar a Autoridade Tributária espanhola, tendo cometido quatro delitos, entre 2011 e 2014.

De acordo com o tribunal, o futebolista deixou por liquidar as verbas de 1,1 milhões de euros (ME) em 2011, 1,3 ME em 2012, 2,6 ME em 2013 e 0,5 ME em 2014, num total de cerca de 5,5 ME, que acabaram nos 18,8 ME que teve de pagar devido a juros ao longo do processo, tendo sido ainda condenado a uma pena de prisão de dois anos e a uma multa de cerca de 3,1 ME.

O fisco espanhol reteve, cautelarmente, ao jogador 16,7 ME em 2017 e Cristiano Ronaldo já tinha efetuado voluntariamente um pagamento de 5,6 ME em 2018, aos quais juntou outro de um milhão de euros em juros, satisfazendo, segundo aquele tribunal, "integralmente, as quantidades devidas" no processo.

Uma foto criticada

No dia em que assinou o acordo com o fisco espanhol, o jogador português publicou na rede social Twitter uma selfie dentro de um jato privado. Atitude que já lhe valeu muitas críticas pois foi divulgada um dia depois do desaparecimento do avião que transportava o avançado argentino Emiliano Sala de Nantes (França) para Cardiff (País de Gales) no Canal da Mancha.

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