Checos viram-se gregos... e Portugal conquista terceiro European Trophy consecutivo

A seleção nacional de râguebi cilindrou a República Checa por 93-0, naquele que passa a ser o resultado mais dilatado de sempre de Portugal. E a uma jornada do final da prova, os Lobos já garantiram o troféu

Num jogo que fica para a história, a seleção nacional cilindrou nesta tarde de sábado, nas Caldas da Rainha, a República Checa por 93-0, naquele que passa a ser o resultado mais dilatado de sempre de Portugal no râguebi. E a uma jornada do final da prova, os Lobos já garantiram a vitória no Trophy 2018/19.

A distância entre as duas seleções que se defrontaram neste sábado nas Caldas da Rainha era de 17 posições - Portugal é 23.º no ranking mundial e os checos estão no 40.º lugar - mas mais pareceu serem 170 os degraus que distinguiam dois quinzes completamente distintos e que proporcionaram ao muito público presente um jogo de sentido único - e quase sempre jogado no meio-campo dos visitantes que passaram 80 minutos de verdadeiro suplício.

Ciente do seu muito maior poder físico, técnico e tático - e ao contrário do que por vezes acontece com os Lobos - o quinze nacional (onde estiveram ausentes só o melhor concretizador da prova, Jorge Abecasis, 47 pontos, e o melhor marcador de ensaios, Rodrigo Marta, que havia faturado em todas as jornadas, ambos guardados para o Hong Kong Sevens dentro de duas semanas) fez uma exibição autoritária, séria, concentrada e nunca facilitou, respeitando público e adversário. E em nome dos valores do râguebi procurou sempre dar espetáculo e nunca desistiu de marcar mais um ensaio cumprindo 80 minutos com assinalável atitude. Chapeau para os homens de Martim Aguiar!

Entrada com o primeiro de 15 ensaios

Sob muito calor Portugal entrou a todo o gás e logo aos 2" fazia o ensaio inaugural do total de 15 conseguidos (!), após Manuel Marta ludibriar a defesa checa com um bailado digno do Lago dos Cisnes, libertando o ponta António Cortes que inaugurava o marcador - e anunciando o cabaz de ensaios que os homens de Leste iriam transportar para casa (7-0).
Pouco depois uma cavalgada de José d"Alte seria concluída em grande estilo por António Vidinha (a receber passe do excelente Caetano Castelo Branco, jogador que alinha esta época nos ingleses da Nottingham Academy e foi hoje "o melhor em campo"), para 12-0 ainda antes dos 10".

Com a atitude certa, e muito à-vontade (deve haver treinos bem mais duros lá no Centro de Alto Rendimento do Jamor...) os Lobos continuavam a acelerar o jogo e a perfurar a defesa contrária perante checos... sem cobertura nem capacidade para tentar pôr água na fervura portuguesa.

Muito mexido e agressivo, o médio de formação João Belo marcaria por duas vezes no intervalo de 10 minutos e garantia o ponto de bónus atacante ainda antes dos 23" (26-0). E em rápida sucessão, Vasco Ribeiro, de novo Vidinha, Manuel Marta e Caetano Castelo Branco também conseguiam toques de meta para 52- 0 aos 40"!

Só aí os checos se acercaram finalmente da nossa área, obrigando a seleção nacional a defender o seu reduto com unhas e dentes durante largo período, naquela que foi a única real hipótese de ensaio adversário desta tarde. E mesmo com 14 (exclusão de 10 minutos por amarelo ao 2.ª linha José Maria Rebelo de Andrade), Portugal não só evitou o ensaio como, num fantástico contra-ataque iniciado num roubo de bola por baixo dos postes, ainda marcaria 100 metros à frente por Manuel Marta, para inimagináveis 57-0 ao intervalo.

História feita aos 56 minutos

No descanso os tratadores da relva tiveram alguma dificuldade para apanhar os muitos restos da ténue resistência checa que se encontravam distribuídos pelo terreno de jogo. E logo a abrir o 2.º tempo novamente António Cortes, em excesso de velocidade e a receber passe sumptuoso de Vasco Ribeiro, fazia o 10.º ensaio português para 64-0.

Entretanto as substituições sucediam-se no quinze nacional sem que o ritmo ou o modelo de jogo sofressem alteração, o que eram más notícias para checos que, nesta altura do campeonato, já só pediam que o jogo terminasse de vez.
Sem perdão o centro António Vidinha completaria um hat-trick. E aos 56" o recém-entrado pilar João Moreira (Agronomia) fazia história, quando no seu primeiro toque na oval marcava o 12.º ensaio que, pela primeira vez, permitia a Portugal passar a barreira dos 70 pontos a nível internacional, ultrapassando os 69-0 aplicados à Alemanha em 27 de fevereiro de 2010. O resultado atingia os 76-0... e não iria ficar por aqui para desgosto checo.

É que com contornos de violência desportiva e sem qualquer comissão de defesa por perto que apoiasse esta frágil República Checa, os Lobos ainda conseguiriam fazer mais três ensaios, dois à conta do estonteante ponta Caetano Castelo Branco (que assim também conseguia um "hat-trick") e outro do jovem Duarte Torgal no dia da 2.ª internacionalização.

Com 93-0 e a poucos minutos do fim da partida pedia-se (por parte do público e também do banco) "só mais um" para o resultado atingir uns incríveis três dígitos, mas apesar das tentativas, já não houve tempo para mais. Mas também não era necessário, pois este resultado irá ficar para sempre nos anais do râguebi português.

Olhos postos na Alemanha

Portugal alinhou e marcou: Manuel Marta (5,5,2,2,2,2,2,2); Caetano Castelo Branco (5,5,5), António Vidinha (5,5,5), Vasco Ribeiro (5), António Cortes (5,5); Tomás Appleton, João Belo (5,5); José D"Alte, João Granate, Sebastião Villax, Salvador Vassalo (cap.), José Maria Rebelo de Andrade, Francisco Bruno, Nuno Mascarenhas e João Vasco Corte Real. Suplentes: Filipe Granja, João Moreira (5), Duarte Torgal (5), Fernando Almeida, Martim Cardoso, João Lima, Frederico Filipe (2,2,2) e José Conde.

Portugal fecha a sua participação no Trophy dentro de duas semanas na deslocação à Lituânia, numa partida que já não poderá inviabilizar um terceiro triunfo consecutivo dos Lobos na prova, num total de 14 jogos seguidos sempre somando vitórias.

Mas agora já todos os olhos estão colocados no decisivo embate na Alemanha, para o play-off de acesso ao European Championship, que a seleção terá que vencer para subir de novo ao 2.º escalão do râguebi europeu. A partida terá lugar, em princípio, no primeiro sábado de junho. E esse sim, é o jogo que fará estes Lobos versão 2019 reentrarem na história, pois podem colocar Portugal no seu devido lugar na hierarquia continental.

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