Benfica pergunta a PS se apoia Ana Gomes na acusação de branqueamento

Luís Filipe Vieira pede ao presidente do PS, Carlos César, que o partido tome posição sobre a declaração de Ana Gomes sob pena de estas serem entendidas como refletindo a "opinião do Partido".

O Benfica quer saber se o Partido Socialista apoia as declarações da antiga eurodeputada Ana Gomes que se referiu a 27 de junho à transferência de João Félix para o Atlético de Madrid, por 126 milhões de euros, como "um negócio de lavandaria". Ou seja, levantando a hipótese de poder existir um crime de branqueamento de capitais no negócio.

Este repto à direção do PS está feito numa carta assinada pelo presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, que foi enviada a Carlos César a 11 de julho. Na volta do correio o PS respondeu demarcando-se da declaração.

No documento a que o DN teve acesso, o líder benfiquista refere que a "citada afirmação teve como propósito consciente disseminar junto da opinião pública a suspeita, tão gratuita como infundada, de que a Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD se encontra envolvida em práticas criminosas de diversa natureza relacionadas com branqueamento".

Luís Filipe Vieira lembra que o "Partido Socialista, por intermédio dos seus dirigentes, não tomou até à presente data qualquer posição institucional sobre as mesmas, mesmo sabendo que se trata de declarações proferidas por Ana Gomes em exercício de funções e em representação do Partido Socialista junto do Parlamento Europeu".

Na carta de três páginas, a direção encarnada deixa escrita a hipótese de existir "naturalmente o risco de o silêncio continuado do Partido Socialista perante as declarações proferidas pela então (sua) eurodeputada Ana Gomes, atento o evidente propósito de calúnia e a gravidade criminal associada, poder ser publicamente lido e entendido como aceitação tácita ou, pelo menos, tolerância quanto ao respetivo teor, enquanto tal extensível à Direção do Partido".

Perante esta situação, Luís Filipe Vieira pede ao PS que "com a brevidade possível, e através da sua Direção, esclareça, de forma a não subsistirem publicamente quaisquer potenciais equívocos, se as declarações proferidas por Ana Gomes refletem a opinião do Partido ou se, ao invés, como está convicto o signatário, tais declarações não merecem senão rejeição e repúdio por parte do Partido".

Na sequência das declarações da antiga eurodeputada na rede social Twitter a 27 de junho, em resposta a um tweet onde se referia a transferência do futebolista para a equipa espanhola do Atlético de Madrid, o Benfica já tinha anunciado que ia processar Ana Gomes.

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