À terceira foi de vez. Cristiano e a sua vecchia signora festejam o título

Foi com o português em campo que a Juventus conquistou o título a quatro jornadas do fim do Calcio. É o oitavo campeonato seguido para a equipa de Turim.

E é caso para dizer que a vecchia signora ainda está para as curvas. Ou seja, a Juventus somou mais um título nacional. É o oitavo campeonato seguido - feito inédito entre equipas dos cinco principais campeonatos europeus - para a equipa de Turim que assim chega aos 35 títulos italianos. Um título conquistado às custas de Cristiano Ronaldo, que assim volta a ser campeão e junta o Calcio às duas Liga Espanhola (Real Madrid) e às três Premier League (Manchester United) lhe já tinha no currículo.

Bastava um empate no jogo com a equipa de Florença para a Juventus se sagrar campeã, mas o título foi confirmado, em campo, este sábado, com um triunfo sobre a Fiorentina (2-1), depois de duas tentativas falhadas. Este sábado a vecchia signora entrou em campo ainda atónita com a eliminação da Champions e viu os de Florença aproveitar para se adiantarem no marcador, por Milenkovic. Depois Alex Sandro com um invulgar golo de cabeça e Pezzela, defesa da Fiorentina (com a ajuda de Ronaldo) fez o 2-1, que lançou a festa nas bancadas. O jogo acabou mesmo com os adeptos a cantar por CR7.

A Juve desde cedo assumiu a liderança da Serie A. Uma liderança conquistada às custas dos golos de CR7. Golos (19) que eram pontos e construíram um fosso do primeiro para o segundo lugar (chegou a ter 21 pontos de diferença para o rival Nápoles).

O oitavo titulo podia ser uma espécie de bónus para a Juve numa época em que foi eliminada da Taça de Itália pela Atalanta (ainda nos quartos de final) e apostava tudo na conquista da Liga dos Campeões, mas acaba por ser a salvação da época para a equipa de Massimiliano Allegri, que acaba a temporada "apenas" com o campeonato e a Supertaça de Itália conquistada no início da época.

O troféu será entregue no próximo jogo em casa... que é precisamente com o grande rival Torino.

Ronaldo, o primeiro a ser campeão em Itália, Espanha e Inglaterra

Sempre que lhe perguntam por objetivos, a resposta de Cristiano Ronaldo não deixa dúvidas ou margens para segundas interpretações: "Nunca me vou cansar de ganhar títulos". Ganhar, ganhar e ganhar. Seja onde for. Ao serviço da Juventus não foi diferente.

À terceira foi mesmo de vez. O português podia ter sido campeão no sofá há duas semanas, mas o Nápoles não facilitou. Depois, na semana passada Allegri deu descanso ao português e mais alguns a pensar no jogo da segunda mão dos quartos de final da Champions e a Juve foi perder ao terreno do SPAL, adiando a festa para esta semana. Já este sábado, CR7 festejou mesmo a conquista do scudetto em campo, frente à Fiorentina de Carlos Freitas - o diretor desportivo que o viu nascer para o futebol mundial em Alvalade.

Ronaldo é o primeiro jogador a ser campeão em Itália, Espanha e Inglaterra. Nunca antes - pelo menos desde que há registos - um atleta festejou o campeonato nestas três ligas europeias. Além disso é o 12.º atleta português a conquistar o scudetto e pode ainda ser o primeiro a ser o melhor marcador nos três países. Isto com o bónus de o fazer aos 34 anos. Ronaldo leva já 19 golos na Serie A, quando faltam três jornadas para o fim, estando a dois do líder Piatek (Milan). Muitos deles a passe de João Cancelo, o outro campeão português pela Juve, que assim festeja o seu primeiro título.

E tudo isto logo em época de estreia, depois de protagonizar uma das mais surpreendentes transferências do futebol, trocando o campeão da Champions (Real Madrid) pelo vice-campeão. Foi Ronaldo que escolheu a Juve e isso diz muito do carinho que o português sempre teve pelo clube italiano, que aceitou pagar 100 milhões de euros por ele, apesar dos seus 33 (agora 34) anos de idade.

Em vez de pensar na reforma, Cristiano mudou a forma de jogar e pediu um tempo à seleção para corresponder às expectativas dos italianos. E não desiludiu. Muito pelo contrário, a avaliar pela expressão de felicidade do rosto do português quando exibe a camisola bianconera e as declarações públicas de reconhecimento por parte dos colegas de equipa, do treinador e do presidente.

Um clube, quatro vidas...

Foi fundado como Sport Club Juventus em 1897 por alunos da escola Massimo D'Azeglio Lyceum em Turim. Dois anos depois, foi renomeado para Foot-Ball Club Juventus e juntou-se ao Campeonato Italiano, em 1900, tendo conquistado o primeiro campeonato em 1905. Nessa temporada as cores do clube mudaram de rosa e preto para listas em preto e branco, inspirado no Notts County da Inglaterra. Depois, uma profunda divisão diretiva levou o então presidente Alfredo Dick a abandonar o clube e a fundar o FBC Torino, que ainda hoje é o maior rival da vecchia signora, que passou por muitas dificuldades para sobreviver com a Primeira Guerra Mundial.

A nova vida do clube começa em 1923 quando o proprietário da Fiat Edoardo Agnelli assumiu o controlo e construiu um novo estádio, festejando o segundo scudetto (título) na temporada 1925-26. De lá para cá foram mais 33 os títulos conquistados. E seriam mais se o clube não tem sofrido uma derrota que envergonha a sua história, na secretaria. Envolvido no escândalo de viciação de resultados, a Juve foi condenada a descer de divisão pela primeira vez na história e perdeu os dois títulos conquistados com Capello em 2005 e 2006. Por isso a Juventus resolveu festejar o 37.º título e não o 35.º como o resto do Mundo (ver fotos).

Desceu e voltou mais forte. Desde então tem lutado sempre pelo título e pela Liga dos Campeões. Só um tal de Ronaldo a impediu de levantar a "Orelhuda" nos últimos anos. E ainda não será este ano que o fará, já que a Juve se ficou pelos quartos de final...

Roberto Baggio, Ciro Ferrara, Didier Deschamps, Antonio Conte, Gianluca Vialli, Zidane, Alessandro del Piero, Buffon e Mracelo Lippi e Fabio Capello foram alguns dos nomes que ajudaram a construir a história da vecchia signora antes da chegada do melhor do mundo (CR7).

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Betinho

"NBA? Havia campos que tinham baldes para os jogadores vomitarem"

Nasceu em Cabo Verde (a 2 de maio de 1985), país que deixou aos 16 anos para jogar basquetebol no Barreirense. O talento levou-o até bem perto da NBA, mas foi em Espanha, Andorra e Itália que fez carreira antes de regressar ao Benfica para "festejar no fim". Internacional português desde os Sub-20, disse adeus há seleção há apenas uns meses, para se concentrar na carreira. Tem 34 anos e quer jogar mais três ou quatro ao mais alto nível.