A mão de Deus e a obra-prima de Maradona fazem 34 anos

No dia 22 de junho de 1986, no Estádio Azteca, Maradona derrotou a Inglaterra, vingou a Guerra da Malvinas e entrou para a história com dois golos inesquecíveis

Nunca um jogo de futebol terá tido o profano e o divino juntos em apenas 90 minutos no pequeno corpo de um homem. O dia 22 de junho de 1986 entraram para a história dois momentos antagónicos, mas que tornaram inesquecível aquele que já não era uma simples partida de Campeonato do Mundo. O majestoso Estádio Azteca, na Cidade do México, era o palco de um Argentina-Inglaterra, nações que quarto anos antes se enfrentavam na curta (dois meses e cinco dias) e sangrenta guerra das Malvinas.

Nessa tarde de calor tórrido, Diego Armando Maradona, então com 25 anos, tornou-se a figura central de uma espécie de vingança argentina pelos seus 649 soldados mortos. Uma data inesquecível na Argentina, onde não é feriado mas que, 34 anos depois, é assinalado com grande destaque. A edição online do diário Olé, sediado em Buenos Aires, recorda como relataram os ingleses os dois golos com que El Pibe apurou a Argentina para as meias-finais do Mundial de 1986.

Não se ficam por aqui, recordam imagens animadas com Lego relativas aos dois golos, mas também recriam o golo a que Maradona chamou de "Mão de Deus" quando aos 51 minutos, depois de tabelar com Valdano, chegou mais alto que o guarda-redes Peter Shilton... Um golo estranho dada diferença de estatura entre os dois jogadores, mas com uma observação mais atenta deu para perceber que tinha sido com a mão.

Ainda hoje Shilton não perdoa a Maradona a "batota" e numa entrevista recente ao jornal The Guardian deixou isso bem claro.

"Bastaria o pedido de desculpas à seleção inglesa, porque todos sofremos com a batota que ele fez. Maradona admitiu de forma esquiva, dizendo que era a mão de Deus, mas nunca pediu desculpa nem mostrou qualquer arrependimento. Ele não pede desculpa e eu recuso-me a apertar-lhe a mão. Continuo a dizer que é o melhor jogador de todos os tempos, mas não o respeito como desportista", disse.

Passaram três minutos do golo da "Mão de Deus" quando Maradona arrancou ainda no meio-campo da Argentina, foi passando por adversários e bateu Shilton pela segunda vez. Foi para muitos o melhor golo da história do futebol, mas ainda hoje é conhecido como o "Golo do Século".

Do golo de Gary Lineker ao minuto 80 poucos se lembram. Sim, a Inglaterra apenas perdeu por 2-1, mas aqueles golos duas obras de Maradona foram sentidas pelos ingleses como uma tragédia... uma autêntica goleada.

A Argentina acabou por se sagrar campeã do Mundo no México, numa final com a República Federal da Alemanha, mas o jogo inesquecível é aquele em que foi vingada a Guerra das Malvinas e em que Maradona reservou o seu lugar entre os imortais.

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