Heroica Inglaterra surpreende All Blacks e está na final do Mundial

Após uma memorável exibição, ingleses derrotaram a favorita Nova Zelândia por 19-7 e qualificaram-se para a final do Mundial do Japão a realizar no próximo sábado, em Yokohama. Gales e África do Sul discutem amanhã o outro finalista.

Nunca os ingleses tinham batido os All Blacks em Taças do Mundo - aliás, a Nova Zelândia era a única seleção que a Inglaterra não tinha vencido na prova até hoje. Mas depois da fantástica exibição deste sábado em Yokohama, a equipa da rosa já se pode orgulhar de ter derrotado todas as principais seleções do mundo em fases finais de Mundiais. E este escalpe ficará para sempre na memória inglesa...

Os homens de Eddie Jones fizeram uma das mais soberbas exibições da sua história e só assim conseguiram travar a série de 18 triunfos consecutivos dos bicampeões mundiais na prova, na qual já não perdiam desde 2007.

E 24 anos depois da meia-final no Mundial da África do Sul, a Inglaterra vingou-se da humilhação sofrida pelos quatro ensaios do jovem Jonah Lomu, 20 anos, que destruiu os ingleses nesse dia na cidade do Cabo, por 45-29.

Impulsionada pelo concludente triunfo diante da Austrália nas "meias" (40-16), a Inglaterra começou a todo o gás e ao minuto e meio de jogo, já Manu Tuilagi concluía impressionante sequência de fases à mão, fazendo o ensaio inaugural (7-0).

Numa partida de ritmo para lá de intenso, a primeira mêlée só surgiu aos 19", mas além do flagrante domínio territorial a defesa inglesa mostrava-se intratável e nas poucas vezes que os pontas neozelandeses recebiam a oval, eram abatidos por dois ou três adversários que se desmultiplicavam de forma impressionante.

E no derradeiro minuto da 1.ª parte George Ford, numa penalidade, alargava para 10-0. O capitão e habitual chutador Owen Farrell, tinha-se lesionado a meio do 1.º tempo numa perna e denotava algum desconforto, pelo que a única alteração promovida por Eddie Jones em relação à meia-final (saída de Slade com Farrell a jogar como n.º 12) mostrava-se acertada e recolhia dividendos.

Nada confortáveis no jogo desde o apito inicial de Nigel Owens - o galês recorreu duas vezes ao TMO para anular, bem, dois ensaios ingleses - os All Blacks, onde Beauden Barrett foi uma sombra do melhor jogador do mundo em 2016 e 2017, continuaram a sofrer com a dureza adversária (implacáveis as placagens de Underhill. Curry, Vunipola e, acima de todos, o "man of the match" Maro Itoje, rei dos "turn-overs") e quando se esperaria uma forte reação neozelandesa, era afinal a Inglaterra que continuava a mandar no jogo.

Depois de Eliott Daly desperdiçar uma penalidade de longa distância, Ford alargaria para 13-0 aos 49". Mas aos 57" e praticamente no único erro do alinhamento inglês - "touche" defensiva a 5 metros com o lançamento de Jamie George a ser mal calculado - Ardie Savea, muito atento, captava a bola e fazia os primeiros pontos neozelandeses (13-7).

Mas aí veio ao de cima a resiliência que Eddie Jones conseguiu inculcar neste quinze da rosa - o polémico técnico australiano, que assumiu o leme inglês em dezembro de 2015 após o desastre no Mundial de Inglaterra, desse o início prometeu trabalhar para substituir os Blacks como seleção campeã do mundo, dizendo que só iria alterar três coisas no râguebi inglês: a maneira de pensar, de treinar e de jogar!

Sem espaços nem tempo concedido para realizar o seu habitual e demolidor râguebi de movimento e ataque, a Nova Zelândia iria cometer faltas infantis denotando uma ansiedade inusitada, e que o pé afinado de George Ford iria castigar com duas penalidades que colocavam o resultado em inalcançáveis 19-7 aos 68".

E esse seria mesmo o resultado final, pois nos derradeiros 12 minutos de jogo os All Blacks continuaram a não encontrar soluções para perfurar, uma só vez que fosse, a muralha inglesa. Era o fim de um ciclo de oito anos triunfais sob Steve Hansen, que assim irá despedir-se sem novo título mundial.

Foi um triunfo justo resultado de uma exibição memorável de Inglaterra, que assim vai disputar a sua quarta final do um Mundial, depois de 1991, 2003 e 2007. Só venceu em 2003, na Austrália, mas depois da concludente "prova de vida" hoje dada diante da seleção n. º1 do mundo, alguém já duvida que será Owen Farrell a erguer o troféu William Webb Ellis no próximo sábado?

País de Gales e África do Sul defrontam-se amanhã, também em Yokohama (09.00, Sport tv 1) para definir o outro finalista desta nona edição do Mundial.

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