Defesa é a face mais visível da crise. Mas para os benfiquistas há mais razões

Toni, Paulo Madeira e Álvaro Magalhães apontam justificações para o descalabro benfiquista no último mês, com a equipa a perder oito pontos para o FC Porto e a liderança do campeonato. Erros defensivos, sub-rendimento de Weigl e falhas de todo o coletivo são razões apontadas.

Uma única vitória nos últimos sete jogos oficiais e um triunfo nas últimas quatro jornadas do campeonato. A consequência foi a perda de oito pontos para FC Porto, o que levou a queda da equipa de Bruno Lage para a segunda posição, desperdiçando uma vantagem de sete pontos que tinha há menos de um mês. Isto sem esquecer a eliminação na Liga Europa, diante do Shakhtar Donetsk.

A segurança defensiva era uma das imagens de marca deste Benfica. No entanto, nos últimos nove jogos, a equipa sofreu 15 os golos. Um contraste absoluto com os 24 sofridos nos restantes 32 jogos oficiais.

Toni, Paulo Madeira e Álvaro Magalhães, ex-jogadores do Benfica, estão surpreendidos com este momento negativo e avançam com algumas explicações para a crise que se instalou na Luz.

Toni concorda que o mau comportamento defensivo é a face mais visível da crise. "O próprio Bruno Lage tem esse problema claramente identificado e tem-no referido nas suas intervenções públicas. Ainda ontem [esta segunda-feira], depois do jogo com o Moreirense, voltou a falar nisso. A equipa não está a ter o mesmo comportamento defensivo que revelava até há algum tempo", reconhece.

Ferro tem sido alvo de muitas críticas devido às suas exibições, mas Toni recusa-se a individualizar. "Temos de perceber que o Benfica tem alinhado com três defesas que terão uma média de idades de 20 anos [Tomás Tavares, Ferro e Rúben Dias]. O problema não está só no Ferro. E aliás, o próprio Ferro já fazia dupla com o Rúben Dias na época passada e foi um dos responsáveis para catapultar a equipa para o título", recorda. Ainda assim, reconhece que "é notório que Ferro passa por um momento menos positivo e não deverá atravessar a melhor fase a nível psicológico".

"Falhas no último terço do campeonato costumam ser fatais"

Toni recusa-se, no entanto, a identificar alvos para esta crise. "Querem-se arranjar bodes expiatórios à força, às vezes é o Ferro, outras vezes o Tomás Tavares, outras o Pizzi. Não é o momento para isso, mas sim para os jogadores se unirem à volta do seu treinador e dos próprios adeptos apoiarem a equipa", defende.

O treinador de 73 anos identifica outros problemas na equipa. "Para além das questões de transição defensiva, o Benfica tem revelado dificuldades no ataque posicional, diante de equipas muito fechadas. Isso voltou a verificar-se com o Moreirense", realça.

O antigo campeão nacional pelo Benfica - como treinador e jogador - receia que o clube tenha comprometido em definitivo a hipótese de chegar ao título. Mas ainda acredita numa recuperação. "As falhas no último terço do campeonato costumam ser fatais. O Benfica foi o primeiro a falhar, mas espero que o Bruno Lage agarre na equipa e a leve de volta ao primeiro lugar, como fez na época passada. Acredito que isso possa ser possível", diz.

Paulo Madeira e Álvaro Magalhães desiludidos com Weigl

"Ninguém esperava uma situação destas. Há poucas semanas, o Benfica liderava o campeonato de forma confortável mas entretanto foi ultrapassado pelo FC Porto e já não depende de si próprio para ser campeão. E também foi eliminado da Liga Europa, onde tinha aspirações a chegar longe", começa por referir Paulo Madeira.

Apesar de não querer centralizar as culpas, o antigo defesa central e capitão do Benfica não esconde a desilusão com as exibições do médio alemão Weigl. "Reconheço que é preciso dar tempo a um novo jogador que vem de uma cultura completamente diferente. Mas a verdade é que um futebolista de superior qualidade e que custou o que custou [20 milhões de euros] tem de dar muito mais. Longe de mim querer dizer que é por causa do Weigl que o Benfica começou a perder, mas parece-me óbvio que ele tem de melhorar, pois o seu futebol ainda não encaixou na equipa", sublinha.

Álvaro Magalhães, campeão nacional no Benfica como jogador e treinador adjunto, também aponta baterias a Weigl. "É certo que há alguns jogadores que se adaptam mais rapidamente do que outros a um novo clube. Mas ele vai demorar quanto tempo a adaptar-se? Um ano? No futebol, não é possível dar-se tempo e um jogador ou é bom ou não é bom", conclui.

Tempo de união para recuperar a liderança

Paulo Madeira defende que nesta altura é preciso que "o grupo esteja unido e não tentar perceber se a culpa é do A ou do B e se devia jogar o C ou o D em vez do J". De resto, na sua opinião, ainda é perfeitamente possível os encarnados chegarem ao título. "Obviamente que as coisas não estão fáceis e o FC Porto depende apenas de si próprio. Mas faltam 11 finais e o objetivo terá de ser tentar ganhar todas as partidas e esperar por uma "escorregadela" do rival", destaca.

Paulo Madeira reforça que "todos são culpados, desde os jogadores, ao treinador, passando pelos dirigentes". Apela por isso a que "haja um toque a reunir para tentar voltar ao nível demonstrado até há pouco tempo". Algo que na sua opinião será "perfeitamente possível, pois o Benfica dominou todo o jogo com o Moreirense e faltou-lhe a pontinha de sorte, que pode voltar a qualquer momento".

"Bruno Lage é que tem de explicar"

Até Bruno Lage, que parecia consensual no universo benfiquista, está a ser fortemente contestado pelos adeptos. No último jogo com o Moreirense foram bem audíveis os apupos no momento das substituições. E também quando o técnico recolheu aos balneários no final do encontro.

Álvaro Magalhães defende que o treinador tem de vir a público explicar o que está mal. "Ele [Bruno Lage] é o principal responsável pela equipa. É pago para liderar o grupo e obter bons resultados. Só ele pode explicar o que tem acontecido nas últimas semanas", refere.

No entanto, o antigo defesa esquerdo sublinha que não quer "criticar por criticar nesta altura complicada". Reconhece que "os problemas defensivos são evidentes, mas a equipa vale pelo seu todo e coletivamente não tem funcionado".

O que falta a Benfica e FC Porto até ao final da Liga

Faltam 11 jornadas para o final do campeonato, ou seja, estão em jogo ainda 33 pontos. Teoricamente os jogos mais difíceis do FC Porto até ao final da liga são a deslocação a Famalicão na 25.ª jornada, a receção ao Sporting na ronda 33 e depois na derradeira jornada a visita ao Sporting de Braga. Já o Benfica, também no plano teórico, desloca-se ao campo do Rio Ave na 27.ª jornada, visita o Famalicão na ronda 31 e depois, a fechar, recebe na Luz o Sporting.

Isto, claro, tudo no plano teórico, até porque à medida que o campeonato for avançado, as equipas do baixo da tabela precisam de pontos para fugir à despromoção e prometem dar tudo frente aos grandes.

Curiosamente, os dois clubes têm dois jogos de grau de dificuldade elevado precisamente na última jornada da I Liga. O que significa que se ambos chegarem à derradeira ronda ainda sem o campeonato estar decidido, esta última jornada promete muita emoção, com Sporting de Braga e Sporting e terem uma importante palavra a dizer, até porque se pode dar o caso de estas duas equipas estarem ainda a lutar pelo terceiro lugar.

O calendário do FC Porto até ao final do campeonato

24.º - Rio Ave (casa)
25.º - Famalicão (fora)
26.º - Marítimo (casa)
27.º - Desp. Aves (fora)
28.º - Boavista (casa)
29.º - P. Ferreira (fora)
30.º - Belenenses (casa)
31.º - Tondela (fora)
32.º - Sporting (casa)
33.º - Moreirense (casa)
34.º - Sp. Braga (fora)

O calendário do Benfica até ao final do campeonato

24.º - V. Setúbal (fora)
25.º - Tondela (casa)
26.º - Portimonense (fora)
27.º - Rio Ave (fora)
28.º - Santa Clara (casa)
29.º - Marítimo (fora)
30.º - Boavista (casa)
31.º - Famalicão (fora)
32.º - V. Guimarães (casa)
33.º - Desp. Aves (fora)
34.º - Sporting (casa)

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