Contas do Benfica. Caio Lucas afinal custou quatro milhões

O médio brasileiro estava livre, mas despesas de intermediação implicaram encargos. Cádiz, que foi cedido, custou quase três milhões e Chiquinho 3,7 milhões de euros. Jovic rendeu mais de 20 milhões.

Caio Lucas chegou ao Benfica a custo zero, mas no Relatório e Contas da SAD dos encarnados relativo à época 2018-19, enviado nesta sexta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, os encarnados informam que a contratação do jogador brasileiro custou afinal 4.085 milhões de euros (por 75% do passe), valor que engloba os encargos com serviços de intermediação.

O médio brasileiro foi anunciado como reforço do Benfica em junho, e na altura era um jogador livre, pois tinha terminado o contrato com o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos. Mas afinal a transferência ainda implicou um considerável investimento financeiro tendo em conta que o clube da Luz só adquiriu 75% do passe do jogador.

No mesmo documento, a SAD do Benfica informou ainda sobre outros negócios. O médio Gabriel implicou um investimento de 9.670 milhões de euros; a renovação do contrato de trabalho com Salvio (entretanto vendido ao Boca Juniors) teve um investimento total de 2.936 milhões de euros; a aquisição dos direitos de inscrição desportiva e económicos do jogador Cádiz (cedido ao Dijon) foi de 2.750 milhões de euros e a renovação de Samaris implicou um investimento de 1.180 milhões de euros.

Veja aqui o relatório e contas completo.

O Benfica deu ainda conta dos valores das contratações de Raúl de Tomás e Vinícius, que já eram conhecidos, respetivamente por 20 e 17 milhões de euros, com ambos a ficarem com cláusulas de rescisão de 100 milhões de euros. Já Chiquinho implicou um investimento de 3.750 milhões de euros e o jovem defesa brasileiro Morato custou seis milhões de euros. Estes negócios, contudo, vão entrar apenas no próximo relatório e contas.

Em termos de vendas, o Benfica destaca o impacto positivo do resultado com alienações de direitos de atletas no valor de 62,1 milhões de euros, sendo de realçar as transferências de Raúl Jiménez para o Wolverhampton (38 milhões de euros), Luka Jovic para o Eintracht Frankfurt (22,3 milhões de euros) e Talisca para o Guangzhou Evergrande (19,2 milhões de euros), os quais se encontravam cedidos na época 2018/19, tendo sido exercidas as opções de compra.

No exercício 2018/19, a Benfica SAD obteve o segundo melhor resultado com transações de direitos de atletas, no montante de 70,1 milhões de euros, o qual está próximo dos valores alcançados nas cinco temporadas anteriores, exceção feita da época 2016/17, na qual o resultado alcançado foi claramente superior às restantes.

Este resultado, explica o Benfica, contribuiu para a melhoria do valor médio do resultado com transações de direitos de atletas dos últimos nove exercícios, que ascende a 60,5 milhões de euros (no período anterior, a média das últimas oito épocas correspondia a 59,4 milhões de euros), sendo o resultado de 2018/19 superior ao valor médio em 9,6 milhões de euros.

Os 120 milhões de euros relativos à transferência de João Félix para o Atlético Madrid ainda não entraram neste exercício (já ocorreu no exercício 2019/20), assim com o montante das vendas de Carrillo para o Al-Hilal Saudi e de Salvio e Lisandro Lopez para o Boca Juniors, por um montante global de 18,1 milhões de euros.

Eis os principais destaques dos resultados económicos e financeiros apresentados pela Benfica SAD no exercício de 2018/19:

"O resultado líquido do período ascende a 29,4 milhões de euros, o que corresponde a uma melhoria de 42,8% face ao período homólogo, ao sexto exercício consecutivo em que a Benfica SAD apresenta lucro e ao seu segundo melhor resultado de sempre.

Os últimos quatro exercícios correspondem aos quatro melhores resultados líquidos da Benfica SAD, designadamente, 44,5 milhões de euros (2016/17), 29,4 milhões de euros (2018/19), 20,6 milhões de euros (2017/18) e 20,4 milhões de euros (2015/16).

O resultado operacional ascende a 35,3 milhões de euros, o que representa uma melhoria de 8,8% face ao período homólogo, mantendo-se como um indicador de desempenho operacional positivo.

Os rendimentos operacionais (excluindo transações de direitos de atletas) atingem os 165,7 milhões de euros, o que corresponde ao valor mais elevado de sempre alcançado pela Benfica SAD e representa um crescimento de 36,3% face ao período homólogo.

Os rendimentos com transações de direitos de atletas ultrapassam os 70 milhões de euros, justificado pelos ganhos obtidos com os jogadores Raúl Jiménez, Luka Jovic e Anderson Conceição (Talisca), os quais se encontravam cedidos na época 2018/19, tendo sido exercidas as opções de compra.

Os rendimentos totais superam os 263,3 milhões de euros, o que representa um crescimento de 27,7% face ao período homólogo e corresponde ao valor mais elevado de sempre alcançado pela Benfica SAD, ultrapassando inclusivamente o montante de 253,5 milhões de euros obtido em 2016/17.

O ativo ascende a um valor de 500,8 milhões de euros à data de 30 de junho de 2019, voltando a ultrapassar a fasquia dos 500 milhões de euros, verificando-se um crescimento de 3,2% face ao final do exercício anterior, principalmente justificado pelo aumento das rubricas de clientes e outros devedores e de caixa e equivalentes de caixa.

O passivo da Benfica SAD diminuiu 13,7 milhões de euros no decorrer do exercício 2018/19, mantendo a sua tendência de redução progressiva.

A redução do passivo é justificada pela variação das rubricas de empréstimos obtidos e de fornecedores e outros credores.

Desde 30 de junho de 2016, o passivo diminuiu 70,9 milhões de euros, existindo a expetativa de se manter esta tendência de redução.

O capital próprio atingiu os 116,2 milhões de euros à data de 30 de junho de 2019, o que significa que foi alcançado um importante marco para a Benfica SAD: o valor do capital próprio ultrapassa o capital social, que corresponde a 115 milhões de euros.

A evolução do capital próprio neste exercício equivale a uma melhoria de 29,4 milhões de euros, o que corresponde ao sexto exercício consecutivo em que a situação líquida apresenta uma variação positiva. De realçar que, no decurso dos últimos seis anos, o valor acumulado da recuperação do capital próprio da Benfica SAD já ultrapassa os 140 milhões de euros"

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