Belenenses confirma "sondagem" que lhe dava favoritismo e conquista Taça de Portugal

Uma semana depois de ter perdido a final do campeonato para Agronomia, o quinze do Restelo venceu, nesta tarde de domingo em Setúbal, a segunda prova mais importante do calendário interno ao bater o Técnico, por 28-17. Esta é a quarta vez que os azuis conquistam o troféu

Depois das vitórias em 1959 (edição inaugural), 1964 e 2001, o Belenenses não sabia o que era vencer uma Taça de Portugal há 18 anos. Mas esta tarde, no complexo desportivo do Vale da Rosa (Setúbal), essa dolorosa travessia no deserto de triunfos na prova terminou.

Os azuis a reergueram-se do penoso desaire sofrido há oito dias diante de Agronomia - derrota na final da Divisão de Honra (18-10) - e voltaram a erguer o prestigiado troféu vencendo a 57.ª final após derrotar o Técnico, por 28-17.

A partida culmina assim um trajeto triunfal da equipa de João Mirra na Taça onde começou por eliminar duas formações da divisão inferior (RC Montemor e CR Arcos de Valdevez) e nas meias-finais afastaria a campeã Agronomia. E serviu também para vingar a derrota na única final na prova entre estas duas equipas (1971) quando os engenheiros saíram vitoriosos (12-6).

Em dia de eleições europeias, sob um sol de rachar catedrais, como diria o grande Nelson Rodrigues, e empurrados pelo forte vento que tinham pelas costas e pela vontade de limpar depressa a derrota na final do campeonato às mãos dos agrónomos, os homens do Restelo (que apresentaram só duas alterações em relação ao quinze da partida da semana passada, com as saídas do lesionado ponta Tiago Fernandes e do veterano 2.ª linha Valter Ferreira), não se abstiveram de justificar todo o favoritismo que lhes era concedido e, confiantes e determinados, entraram a dominar em grande estilo, explicando por que ganharam na fase regular do campeonato as dois confrontos entre ambos nesta época: 41-18 (casa) e 15-12 (fora).

Azuis não deixam Técnico pensar

Aos 8 minutos, Sebastião Cunha só não marcou devido a dura placagem largando a oval mesmo em cima da linha de ensaio quando este já era festejado pelos adeptos azuis. Mas ocupando em exclusivo o meio-campo adversário os do Restelo não deixavam os engenheiros sequer pensar quanto mais respirar e, no intervalo de um minuto (entre os 13" e os 14"), com a conversão de duas penalidades por Manuel Marta, faziam 6-0.

Mas logo a seguir e na primeira vez que o Técnico pisou os 22 contrários, os homens das Olaias marcavam num lance de 1.ª fase. O centro Jack Finigan conseguiu uma bela perfuração e deu ao excelente Rafaelle Storti, com o jovem internacional português, 19 anos, a ligar o turbo à máxima potência até à área de ensaio.

O árbitro Pedro Mendes Silva (muito rigoroso e quase sempre bem) considerou que na queda para fazer o toque de meta, o jogador das Olaias sofreu placagem perigosa do defesa Manuel Marta e, para lá de conceder ensaio de penalidade, excluía por 10 minutos o n.º 15 azul. E o resultado virava para 7-6 favorável aos engenheiros.

Mas não só o marcador dava a cambalhota, também o sentido do jogo mudava, pois o Técnico (que não atingia uma final da Taça desde 2007) passou a tomar conta da partida fruto de uma formidável capacidade defensiva, com uma sucessão de placagens efetivas (notável neste departamento a 3.ª linha, com os kiwis Finau e Fotofili e ainda Manuel Serrano, e os intransponíveis centros Finigan e Storti) a causarem mossa. E nem o cartão amarelo mostrado ao seu talonador Rodrigo Bento em cima do intervalo alteraria o cariz do encontro, com as equipas a irem para os balneários com os engenheiros na frente (7-6).

O momento de David Wallis


Mas quando se esperaria que, no segundo tempo, com a ajuda do vento o Técnico acentuasse a supremacia que desfrutara nos primeiros 40 minutos, aconteceu precisamente o oposto. O bom jogo ao pé de Pedro Lucas não tinha sequência, o abertura Kane Hancy (treinador-jogador neozelandês) complicativo e muito marcado, mostrava a sua veterania e quanto ao restante vasto lote de estrangeiros (seis não portugueses no quinze titular) insistia em não aparecer em jogo (o que acontece há largos meses, nomeadamente após a longa paragem competitiva que aconteceu entre fevereiro e abril...).

Uma placagem alta a Duarte Moreira permitiu a Manuel Marta fazer 9-7, mas logo a seguir seria Pedro Lucas, também numa penalidade, a selar nova reviravolta (10-9 para o quinze das Olaias).

Aos 66" surgiria o momento do jogo, quando o asa azul e internacional David Wallis, numa monumental arrancada de 60 metros (!) rasgou de alto a baixo a, até aí, inexpugnável defesa adversária. Quebrou a linha, procurou apoio e como ele não aparecia, lá foi alargando os seus potentes 190 cm durante muitos metros até ser obrigado a marcar o ensaio que passava o Belém para frente (16-10). E constituía um enorme murro no estômago dos engenheiros que sentiram em demasia este facilitado ensaio.

E logo a seguir ainda aconteceria pior para os homens das Olaias, quando numa penalidade aos postes falhada por Manuel Marta (o vento não quis...), o pontapé a aliviar de um engenheiro foi muito bem contrariado pelo chutador azul, que perseguiu com muita crença o seu próprio pontapé. A oval ressaltaria... e Rodrigo Freudenthal, mais rápido que a concorrência, fazia o segundo ensaio azul mergulhando para os 21-10.

A estocada final

Perante o desnorte e a profunda depressão anímica rival, percebeu-se que o triunfo já dificilmente escaparia aos azuis. E quando aos 78", uma mêlée de introdução do Técnico foi empurrada, destroçada e feita em picadinho pelos oito avançados do Restelo e a bola seguiu para o ponta Rodrigo Marta, que quase só se limitou a marcar, a equipa vice-campeã nacional espetava o derradeiro prego no caixão das Olaias.

Mas a final não terminaria sem um fantástico lance, com Rafaelle Storti, depois de receber pedido de cruzamento de Hancy junto à linha, conseguir uma sucessão de imparáveis side-steps reduzindo para os definitivos e justos 28-17 favoráveis ao Belenenses que, 18 anos depois, voltava a encher a Taça. Já o Técnico continua a penar, pois desde 1994 que não conquista o segundo troféu em importância das competições internas nacionais.

Depois desta 57.ª final Agronomia continua a ser o clube que mais Taças de Portugal com 10, seguido de Benfica e Direito (9), CDUL (8), Académica (7), Cascais, Técnico e Belenenses (4) e CDUP (2).


Outras Notícias

Outros conteúdos GMG