Árbitro da final do Euro 2004 tenta salvar clube histórico da Alemanha

Markus Merk é o rosto da esperança dos adeptos do Kaiserslautern, que 22 anos depois da épica conquista do seu último título de campeão alemão luta pela sobrevivência financeira e desportiva na terceira divisão.

O Kaiserslautern é um clube histórico do futebol alemão que está a viver um autêntico pesadelo, depois de há quase 22 anos ter vivido um conto de fadas. Afinal, no ano em que regressava à Bundesliga, após a primeira queda no segundo escalão, sagrava-se campeão da Alemanha, sob o comando de um treinador milagreiro, Otto Rehhagel. O mesmo que em 2004 levaria a Grécia ao título e campeã da Europa, numa final com Portugal no Estádio da Luz, arbitrada por Markus Merk.

E é precisamente o homem que apitou esse jogo de má memória para os portugueses, que surge agora como potencial salvador de um clube com quase 120 anos de história que está no limbo da sobrevivência, com cerca de 20 milhões de euros de passivo e a lutar pela manutenção no terceiro escalão.

O Kaiserslautern foi sofrendo com a gestão ruinosa de várias direções, mas no início de dezembro ganhou uma nova esperança, com a chegada da nova administração. Dela faz parte Markus Merk como presidente do Conselho Consultivo, tendo assumido o desafio de procurar parceiros estratégicos para o velho Kaiserslautern, clube de uma cidade com mais de 97 mil habitantes, próxima das fronteiras com a França e o Luxemburgo.

Sócio desde que nasceu

Markus Merk nasceu há 58 anos bem perto do velho estádio Fritz-Walter, inaugurado em 1920 no sopé da montanha de Betzenberg. "A casa dos meus pais fica a 300 metros do estádio e no dia em que nasci, o meu pai fez-me sócio do Kaiserslautern", revelou ao jornal online Sportbuzzer aquele que foi um dos mais conceituados árbitros europeus, que até 2005 acumulou com a profissão de dentista. Aliás, Merk teve mesmo como paciente... Rehhagel.

"A situação é tão precária, que nunca me perdoaria por não ter tentado assumir a responsabilidade", afirmou o antigo árbitro internacional no discurso de tomada de posse da nova administração no passado mês de dezembro.

Na entrevista ao Sportbuzzer, Markus Merk explicou que "foi o coração" que o fez entrar na gestão do Kaiserslautern. "De ano para ano tem aumentado a minha preocupação quanto ao futuro do clube e agora sinto-me emocionado por poder ajudar a salvá-lo da crise", frisou, assumindo o desafio de, juntamente com o diretor administrativo, Soeren Oliver Voigt, negociar algumas parcerias, pois "o clube precisa de dinheiro".

Os adeptos acreditam que se a equipa de Markus Merk não tivesse pegado no clube, o naufrágio seria inevitável. No entanto, até ao início da pandemia de coronavírus, havia a consciência de que só evitando a descida aos escalões regionais o clube teria a possibilidade de contar com parceiros estratégicos a curto prazo para ajudar a sair do buraco financeiro que se encontra.

Contudo, a inevitável crise económica que resulta do covid-19 volta a colocar numa nuvem sobre o Estádio Fritz-Walter, pois é necessária uma verba entre 20 a 25 milhões de euros para viabilizar um clube que paga anualmente um milhão de euros de juros de empréstimos contraídos pelas anteriores direções.

"O Kaiserslautern é indestrutível"

"A situação é difícil, pois dependemos muito das receitas de bilheteira, mas estamos a lutar. Com os nossos grandes sócios e adeptos, o Kaiserslautern é indestrutível", assumiu Markus Merk há uma semana, em declarações à rádio DLF, na qual manteve o otimismo que norteia a estratégia da sua administração: "Queremos subir à segunda divisão no prazo de dois anos para conseguir dar viabilidade financeira ao clube." Até lá, é preciso resolver os problemas de estrangulamento das contas.

"É sabido que o clube está a enfrentar grandes problemas económicos e que as coisas não estão tão bem. E nós não fugimos a esse panorama atual, sobretudo quando contávamos com investidores, que têm agora os seus próprios problemas e não sabem como será o futuro por causa do coronavírus", admitiu Markus Merk, garantindo que a administração "continua a tentar estabilizar financeiramente o clube a curto, médio e longo prazo".

Em pouco mais de três meses e meio de gestão da administração da equipa do antigo árbitro teve alcançou um importante triunfo, quando conseguiu baixar a valor da renda a pagar à autarquia pela utilização do estádio Fritz-Walter. "Foi um grande alívio", afirmou Voigt no final das negociações, embora a médio prazo o objetivo seja o de o Kaiserslautern voltar a ser proprietário da sua velha casa.

A promessa do magnata do Luxemburgo

Neste momento, apesar dos tempos de incerteza que se vivem também na Alemanha, há a esperança de que o magnata luxemburguês Flavio Becca, proprietário do Dudelange (clube tetracampeão do Luxemburgo) passe das promessas aos atos e invista 25 milhões de euros no clube, tal como prometeu em maio de 2019.

Independentemente de essa parceria se concretizar, certo é que Markus Merk é um dos rostos da esperança dos fervorosos adeptos dos Die Roten Teufel (Diabos Vermelhos). Eles querem ver invertido o declínio contínuo que começou depois de na tarde de 13 de maio de 2006, quando selou a descida da Bundesliga com um empate 2-2 em Wolfsburgo, precisamente o mesmo adversário frente a quem tinha festejado a conquista do título de campeão alemão oito anos antes.

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