A queda vertiginosa de Sharapova. De n.º 1 do mundo a 380.º do ranking

Vencedora de cinco Grand Slam e várias vezes líder do ranking feminino, a tenista russa foi eliminada na primeira ronda do Open da Austrália. A curva descendente começou em 2016 quando foi apanhada num teste positivo de doping.

Maria Sharapova, de 32 anos, foi eliminada logo na primeira ronda do Open da Austrália e na próxima atualização do ranking do ténis feminino vai cair para a sua pior posição de sempre na hierarquia do WTA, para o 380.º lugar (provisório). Uma queda que pode levar a tenista russa a abandonar a modalidade ainda neste ano. É o culminar de uma curva descendente que começou em 2016 quando foi suspensa 15 meses devido a um controlo antidoping positivo.

Nesta semana, logo na primeira ronda do Open da Austrália, Grand Slam que venceu em 2008, a tenista russa, atual 145.ª do ranking, caiu perante Donna Vekic, 19.ª cabeça-de-série, pelos parciais de 6-3 e 6-4. No final da partida deixou no ar a possibilidade de se retirar: "Não sei se foi ou não a minha última participação no Open da Austrália. Quero agradecer ao diretor do torneio por me ter dado um wild card para participar neste torneio, pois o meu ranking não me permitia entrar. Sinceramente, não posso dizer se foi ou não a última vez. De momento é difícil saber o que vai suceder até ao final do ano."

Sharapova, conhecida como a menina-bonita do circuito, que começou a jogar ténis com 3 anos e que aos 6, numa academia de Moscovo, chamou a atenção de Martina Navratilova, que aconselhou os pais a levarem-na para os Estados Unidos, esteve na alta-roda do ténis até 2016, sempre no top 10 do ranking. Chegou a ser número 1 do mundo em 2005, 2007, 2008 e pela última vez em 2012. E venceu todos os Grand Slams: Wimbledon em 2004, US Open em 2006, Open da Austrália em 2008 e Roland-Garros em 2012 e 2014. Foi ainda medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.

A queda começou em março de 2016, quando a tenista russa deu uma conferência de imprensa em que anunciou ter acusado positivo num teste antidoping durante o Open da Austrália. A substância em causa era Meldonium.

"Assumo todas as responsabilidades, os meus erros e lamento desiludir os meus fãs com tudo isto. É importante dizer que a substância não estava na lista das proibidas até ao ano passado. Tomei-a legalmente nos últimos dez anos. Em janeiro, as regras mudaram, e a substância foi proibida e eu não sabia. É o meu corpo, é o que eu coloco dentro dele. Não posso culpar quem trabalha comigo. Não quero terminar a carreira assim e espero ter outra oportunidade de jogar", justificou na altura.

Em junho chegou o veredicto. A Federação Internacional de Ténis (ITF) suspendeu Sharapova por um período de dois anos na sequência do controlo positivo por Meldonium. A russa recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) e viu a sanção reduzida para 15 meses.

O afastamento de 15 meses precipitou a sua queda no ranking WTA. Voltou a jogar a 26 de abril de 2017, como número 57 do mundo, depois de ter recebido um wild card para participar no torneio de Estugarda, convite que gerou uma enorme polémica, com várias tenistas do circuito a questionarem a escolha. Ainda neste ano disputou vários torneios, mas nenhum Grand Slam, depois de ver recusado um wild card para jogar em Roland-Garros.

Em 2018, a russa voltou à alta-roda, depois de receber um wild card para participar no Open da Austrália, onde atingiu a terceira ronda, afastada por Angelique Kerber. Depois de participações em torneios menores chegou a Roland-Garros, onde foi até aos quartos-de-final e reentrou no top 25. Em Wimbledon caiu logo na primeira ronda.

No ano passado, na Austrália, Sharapova chegou à quarta ronda - foi eliminada por Ashleigh Barty - e parecia ser o ano da remontada. Mas problemas físicos e lesões atrapalharam o seu trajeto, até porque foi sujeita a uma cirurgia ao ombro direito. Ainda disputou o Open dos Estados Unidos, mas caiu logo na primeira ronda diante de Serena Williams, terminando o ano como n.º 131 do mundo.

Agora, o ano de 2020 também não começou nada bem para a tenista russa, que vai cair para o lugar mais baixo de sempre desde que é profissional. Resta-lhe esperar que o estatuto que construiu durante anos na alta-roda do ténis lhe reservem convites, caso contrário não terá possibilidades de entrar nos grandes torneios.

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