A dura vida de Wesley. Da fábrica de parafusos ao Aston Villa e à seleção brasileira

O avançado brasileiro de 23 anos teve uma vida complicada antes de se tornar no jogador que é hoje. Perdeu o pai com nove anos, aos 15 já tinha dois filhos e foi obrigado a trabalhar 11 horas por dia para ajudar a família. Hoje diz as dificuldades o ajudaram a chegar até aqui.

Wesley Moraes, 23 anos, tornou-se no verão passado na transferência mais cara de sempre do Aston Villa, clube da I liga inglesa (26 milhões de euros). Já neste ano foi chamado à seleção brasileira e vive um autêntico de conto de fadas. Mas a vida do "Jacaré", alcunha que ganhou quando ainda jogava no Brasil, nem sempre foi um mar de rosas. Bem pelo contrário! Perdeu o pai aos nove anos, foi obrigado a trabalhar no duro numa fábrica e foi pai com apenas 14 anos e depois aos 15.

O avançado brasileiro abriu o coração numa entrevista ao jornal inglês The Mirror. E contou como ficou marcado pela morte do pai, vítima de um derrame cerebral causado pelo álcool e drogas. "Tinha nove anos e na altura não me apercebia bem o que estava a acontecer. Sou depois, mais velho, entendi o que de facto se passou e é algo que ainda hoje me deixa muito triste", desabafou.

A infância e juventude foram complicadas. E para ajudar em casa foi obrigado a trabalhar numa fábrica de parafusos e pregos, onde fazia turnos de 11 horas e ganhava cerca de 200 euros por mês. "Por isso não podia treinar-me, apenas jogava aos sábados. Depois o Tupi ofereceu-me um contrato e passei a trabalhar só da parte da manhã. Treinava à tarde e estudava de noite", relata.

Antes do pai morrer (também jogou futebol, mas como amador), Wesley jogava futebol de salão no Little Botafogo: "No Brasil a primeira prenda que recebes quando nasces é uma bola de futebol. No Brasil não amamos apenas o futebol, nascemos com ele."

Wesley Moraes tem um problema que chegou a ameaçar a sua carreira no futebol: a perna esquerda é três centímetros mais alta do que a direita. Felizmente, diz, nunca lhe causou problemas de maior. "Nunca tive mais dificuldades nem dores por causa disso. Chegaram a dizer-me que seria impossível ser jogador de futebol porque uma diferença de três centímetros é muito. Até os médicos ficaram espantados com a forma como superei este problema. Deus ajudou-me de várias maneiras porque o meu corpo soube adaptar-se naturalmente."

Ainda sobre a infância vivida com muitas dificuldades financeiras, o jogador diz hoje que o facto de não ter privilégios o ajudou a superar os obstáculos: "Tenho quatro irmãos e irmãs mais velhas e era difícil ganhar dinheiro para sustentar tanta gente. Mas a minha mãe sempre nos mostrou os que eram as coisas supérfluas. Às vezes não tinha dinheiro para as botas de futebol e para ténis, mesmo para poder treinar. Mas essas dificuldades ajudaram-me a chegar onde estou hoje. Agora jogo na Premier league, a melhor liga do mundo."

Weslei deixou o Brasil em 2015, com 19 anos, descoberto pelos olheiros do Atlético Madrid quando jogava nas camadas jovens do Itabuna, do Brasil. Mas não foi feliz na capital espanhola, onde esteve apenas cinco anos. Por isso assinou pelo FC Trencin, da Eslováquia. "Era a minha última oportunidade de chegar à Europa e não podia falhar. Durante os primeiros três meses nevou quase todos os dias e nem conseguiu aprender o idioma. Mas trabalhei e consegui transferir-me para o Brugge, da Bélgica. E daí para o Aston Villa. Felizmente tive sempre a minha mãe por perto, que me impediu de seguir maus caminhos."

Recentemente, Wesley cumpriu o sonho de uma vida, quando foi chamado no mês passado por Tite pela primeira vez à seleção brasileira e teve oportunidade de atuar uns poucos minutos num jogo particular frente à Argentina de Lionel Messi, disputado na Arábia Saudita, que a canarinha perdeu por 1-0.

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