Videoárbitro: um sucesso em Itália mas odiado na Alemanha

Em Portugal as discussões à volta do VAR têm sido uma constante, algo que só é mais grave na Bundesliga, onde já se fala no fim desta tecnologia. Na Série A tudo corre bem

"Acabem com isso do VAR!" A frase é de Pedro Martins, treinador do V. Guimarães, no final do jogo de domingo em Braga. Dois dias antes, José Couceiro, técnico do V. Setúbal, queixara-se do facto de o videoárbitro não ter visto uma bola que terá entrado na baliza do P. Ferreira, que daria vantagem aos sadinos.

Este é cada vez mais um tema polémico no futebol português, mas não só. Na Bundesliga, um dos principais campeonatos europeus, a discussão está ao rubro e há cada vez mais vozes que defendem o fim do VAR. Pelo contrário, na Série A italiana, está a ser um sucesso e acabou com as discussões em torno das decisões dos árbitros.

Christian Kitsch, jornalista alemão do Bild e antigo árbitro, não tem dúvidas em dizer que "o VAR é um grande problema" no futebol alemão, que se arrasta "desde o início da época". Quando foi decidido implementá-lo na Bundesliga, "todos os responsáveis de clubes disseram que era bom testar" esta tecnologia, mas "agora consideram que não serve e há cada vez mais clubes a querer acabar com o videoárbitro". Kitsch lembra que "Rudi Völler [diretor desportivo do Bayer Leverkusen] foi, desde o início, um dos grandes oposicionistas do VAR" e agora já lhe começam a dar razão.

A perspetiva dos italianos é completamente diferente. Massimo Basile, jornalista do Il Corriere dello Sport, garante que o videoárbitro "foi a melhor coisa que aconteceu ao futebol italiano nos últimos anos". As razões não podiam ser mais nobres: "Em comparação com o passado, há muito menos polémica. Ninguém protesta. Agora fala-se mais de futebol e dos jogadores."

E o que terá contribuído para tanta acalmia na Série A? Basile diz que "o protocolo do VAR foi muito bem explicado pela associação de árbitros na televisão", algo que poderá ter contribuído para a sensibilização de todos os agentes. "O árbitro internacional Gianluca Rocchi disse recentemente que, agora, os juízes sentem-se mais calmos, pois sabem que um eventual erro pode ser corrigido", revelou, acrescentando que os adeptos "não querem saber quem está a fazer de VAR, que é encarado como uma entidade que corrige as más decisões em campo".

Quanto a vozes discordantes, Basile admite que existem algumas, mas direcionadas apenas para uma questão: "O problema é o tempo que se demora a tomar algumas decisões. O Massimo Mauro, antigo jogador da Juventus e do Nápoles, disse ontem [domingo] que não gosta de ver a festa do golo suspensa à espera de que o árbitro confirme que o golo é válido ou não." Um dos maiores exemplos de demora envolveu João Mário, que no jogo entre o Inter e o SPAL caiu na área e o VAR demorou cinco minutos para tomar uma decisão, algo que se "justificou porque a decisão foi bem tomada".

VAR pode acabar na Alemanha

O último fim de semana foi dramático para o VAR na Bundesliga. O Colónia já disse que irá protestar o jogo com o Borussia Dortmund porque o árbitro validou o 2-0 a Sokratis, depois de ter apitado para assinalar fora-de-jogo, alegadamente ainda antes de a bola entrar na baliza. "Por causa disso, os adeptos do Colónia estiveram dez minutos a gritar que o VAR está a acabar com o nosso futebol", revelou Kitsch.

Mas pior foi no sábado, quando o guarda-redes do Wolfsburgo, Koen Casteels, saiu a uma bola e bateu com o joelho em Christian Gentner, capitão do Estugarda. "O árbitro de campo disse que não viu e o VAR considerou ter sido acidental... mas a verdade é que o jogador do Estugarda sofreu múltiplas fraturas na face e nada aconteceu", frisou.

Tendo em conta a sua experiência de ex-árbitro, Kitsch diz que "não faz sentido estarem pessoas sentadas no centro dos árbitros em Colónia a decidirem o que se passa a centenas de quilómetros de distância", até porque "o que se nota na Bundesliga é que em situações semelhantes há decisões diferentes". "É isso que está a revoltar os dirigentes, treinadores e jogadores, provocando incomparavelmente mais discussões em torno da arbitragem do que nos anos anteriores", frisou Christian Kitsch, que acredita numa mudança em breve: "É possível que, se as coisas não melhorarem, o VAR venha a ser abolido no final da primeira volta. Há cada vez mais descontentes com este sistema."

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