Um ciclista em nome do Papa

O neerlandês Rien Schuurhuis vai tornar-se no primeiro ciclista em representação do Vaticano a participar numa grande prova de ciclismo.

Os Mundiais de ciclismo de estrada estão a decorrer na Austrália e no domingo, último dia da competição, está marcada a prova de fundo da elite masculina que vai contar com alguns dos maiores corredores da atualidade, casos de Remco Evenepoel, Van Aert, Van der Poel, Pogacar e do português João Almeida. Mas há um nome que está a despertar a curiosidade: Rien Schuurhuis, um ilustre desconhecido neerlandês que vai fazer história por se tornar o primeiro ciclista da história a representar o Vaticano numa prova internacional da modalidade. Por isso até já ganhou a alcunha de ciclista do Papa.

Schuurhuis, de 40 anos, apesar de profissional, não tem nenhum historial no ciclismo. E a pergunta impõe-se. Como é que um ciclista neerlandês pode representar o Vaticano? Simples. Rien é casado com Chiara Porro, embaixadora da Austrália na Santa Sé desde 2020. E conseguiu por isso autorização para correr ao serviço do Papa pela equipa Athletica Vaticana, a organização desportiva oficial da Santa Sé.

"É um honra incrível", referiu em declarações aos meios oficiais do Vaticano", refere o ciclista, em declarações ao jornal do Vaticano. "Desde que cheguei a Roma, em 2020, fui imediatamente atraído pelos valores e espírito comunitário da Athletica Vaticana. A atenção do Papa Francisco ao desporto como veículo de encontro está em profunda harmonia com a minha experiência de vida. Sempre tive um carinho especial pelos mais desfavorecidos e gostava de ver um ciclista de uma nação emergente a ganhar. O eritreu Biniam Girmay, por exemplo, já deu provas do seu valor. O traçado é ao meu gosto. Gosto mais de subidas, mas tenho físico para pedalar em estradas planas. Gosto de tentar fugas e acompanhar corredores de outras equipas para conseguir chegar à meta", acrescentou.

Para cumprir o sonho de Schuurhuis, a equipa Athletica Vaticana decidiu inscrever-se na União Ciclista Internacional (UCI) em setembro de 2021, o que lhes abria a oportunidade de participar no Mundial deste ano. Aceite a inscrição, Valerio Agnoli, um ex-ciclista profissional italiano que durante anos foi um bom apoio de nomes de Iván Basso ou Vincenzo Nibali na Astana, foi nomeado treinador.

O ciclista do Papa, como já é apelidado pelos meios de comunicação italianos, que têm dado grande destaque à sua participação, diz que se inspira em Miguel Induráin, pela "modéstia e humildade dentro e fora do ciclismo", mas também tem como ídolos Cipollini e Gino Bartali. Este último, vencedor de três Voltas a França e de Itália, teve também um papel social ativo, quando salvou 800 judeus das mãos dos nazis. Além disso, era extremamente religioso e muito próximo do Papa Pio XII.

A Athletica Vaticana foi fundada em 2019 e é composta por trabalhadores do Vaticano. O objetivo foi criar uma equipa desportiva para participar nos Jogos do Mediterrâneo e outras pequenas competições. Depois do atletismo, padel, judo ou o taekwondo, é agora a vez do ciclismo.

Esta não será a primeira vez que a equipa do Vaticano estará representada numa prova internacional. Em 2019, Vincenzo Puccio, um padre siciliano, foi segundo classificado na maratona de Messina. E no ano passado, sara Carnicellim irmão de um funcionário do Vaticano, terminou em nono lugar a meia-maratona de Oran, na Argélia.

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