Tribunal de Madrid impõe medidas cautelares contra a UEFA e FIFA

Os clubes fundadores da Superliga procuram proteger-se contra eventuais ações dos organismos que regem o futebol. Financial Times revela que a nova competição impõe tetos salariais e divisão de lucros.

O tribunal do comércio de Madrid determinou esta terça-feira medidas cautelares para impedir qualquer ação que inviabilize a Superliga europeia de futebol, informou a agência EFE.

As medidas cautelares visam impedir ações da FIFA, UEFA e todas as suas federações ou ligas associadas que "proíbam, restrinjam, limitem ou condicionem de qualquer maneira, direta ou indiretamente, o avanço da Superliga".

Da mesma forma, segundo a EFE, o tribunal proíbe que se adotem "quaisquer medidas sancionatórias ou disciplinares contra os clubes participantes [na Superliga europeia], os seus jogadores ou dirigentes".

No domingo, 18 de abril, AC Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, FC Barcelona, Inter Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham anunciaram a criação da Superliga europeia, à revelia de UEFA, federações nacionais e vários outros clubes.

A Superliga prevê impor tetos salariais aos jogadores, limites de gastos aos clubes e distribuição de lucros que beneficiam os membros mais ricos, num modelo semelhante ao das grandes ligas profissionais norte-americanas, segundo o Financial Times.

Os 15 clubes fundadores da nova competição, que pretende substituir a Liga dos Campeões da UEFA, repartiriam entre si 32,5% dos proveitos comerciais, provenientes, na sua maioria, dos direitos televisivos e dos patrocínios, de acordo com os documentos a que o jornal britânico teve acesso.

O Financial Times (FT) indicou que o montante em causa ronda os 4 mil milhões de euros, que dobram o encaixe que atualmente obtém a UEFA, a entidade reguladora do futebol europeu e que organiza a Liga dos Campeões, entre outras competições.

Outra 'fatia' de 32,5% seria distribuída entre todos os clubes (20) que participem na nova liga, entre os quais se incluem as cinco equipas convidadas para cada edição da prova, ficando 20% destinados aos "méritos" alcançados durante a competição.

Os restantes 15% do bolo total estariam dependentes dos níveis de audiência televisiva alcançada, especificou o FT, que apontou para as semelhanças deste modelo com as ligas desportivas dos Estados Unidos (EUA), como é o caso da Liga de basquetebol (NBA).

O FT realçou ainda que alguns dos donos de clubes membros fundadores da Superliga, como o Manchester United, o Liverpool e o AC Milan, são norte-americanos, e que o custo de lançamento do projeto, avaliado em 3,25 mil milhões de euros, é financiado pelo banco norte-americano JP Morgan Chase.

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