Taremi, um artista à frente do rolo compressor

Campeão goleia em Famalicão (1-4) e alcança sete vitórias consecutivas na Liga, nove em todas as competições. Taremi bisou e ganhou penálti

O rolo compressor, no contexto do FC Porto de Sérgio Conceição, deve ser entendido como uma equipa que abdica da posse de bola em detrimento do controlo (de espaço e das emoções). Corre, carrega, pressiona e depois tenta sair em modo turbo para a baliza contrária.

Mas com Taremi plenamente integrado, a música é outra. Já não é só músculo e pressão, mas uma equipa forte atleticamente, com qualidade no passe e interpretação do "jogar a mil" de Conceição. Agora, há a manha, a classe e a fineza de um artista na frente do sólido tanque azul e branco.

Ou seja, o FC Porto conserva as melhores características, mas junta-lhe a subtileza de um ariete que joga ao esconde-esconde com os adversários. E inteligente a meter o corpo: quando o faz, é maioritariamente para ganhar penáltis.

Esta noite, a sétima vitória consecutiva no campeonato saiu da cabeça do avançado iraniano. Primeiro, a procurar os espaços que o demolidor Marega deixa nas costas; e fez o 0-1, aos 13", encostando nas redes um passe de Corona. O artista-mor do FC Porto.

Sem ser ameaçado pelo Famalicão (até aos minutos finais, com 1-3), os demónios defensivos voltaram a pairar sobre a linha recuada do FC Porto. O inofensivo Famalicão chegou à área, Diogo Leite foi imprudente no corte e travou Anderson. Robert empatou de penálti, aos 20".

Taremi é o chamado pacote completo. Bom a finalizar, bom a combinar, bom a eplorar espaços e bom a aproveitar o corpo - sofreu o 11.º penálti em ano e meio no campeonato português, o terceiro com a camisola do FC Porto.

O capitão goleador não perdoou e fez o 1-2. Foi o 11.º de Sérgio Oliveira na temporada, o sétimo no campeonato do melhor marcador do campeão (para já).

Na segunda parte, Taremi arrumou com uma discussão que nem sequer tinha sido ainda iniciada: bola na área, Otávio ganha no ar e atira-a para o outro lado, o iraniano mete a cabeça e envia-a na direção da baliza. Mais uma vez, Vaná saiu mal do duelo: se no penálti, foi algo ingénuo a meter o corpo na frente do astuto ponta de lança, desta vez teve azar e escorregou. Caído no relvado, restou-lhe ver a bola entrar.

O Famalicão não causava embaraços ao FC Porto, até que Gil Dias teve espaço em dois lances. Avançou com a bola, mas os remates não levaram a bola à baliza.

Nos minutos finais, Lukovic executou muito bem um livre direto, mas Marchesín voou em segurança para desviar a bola junto à barra. Pouco depois, finalmente um lance de bola corrida e Anderson a ficar perto do golo. Marchesín negou-o, novamente.

Este lance gerou o contra ataque que serviu para João Mário se estrear a marcar e fechar o resultado na goleada: 1-4.

Entre 3 de junho (vitória por 2-1) e 8 de janeiro (1-4), o Famalicão passou de sensacional a desnorteado. Talvez este facto o explique: do "onze" titular de há sete meses, já nenhum jogador faz parte do plantel.

Já o FC Porto juntou à competente máquina demolidora um ariete astuto e com classe. Parece estar a iniciar-se um novo ciclo na abordagem futebolística do FC Porto, com Taremi a juntar-se a Corona e a Otávio, entre os virtuosos; e a Pepe e Sérgio Oliveira, entre os decisores.

Desde a derrota em Paços de Ferreira (2-3), no final de outubro, o FC Porto soma 14 vitórias e um empate nos 15 jogos que se seguiram. Nove vitórias consecutivas (sete na Liga), melhor ataque do campeonato (35 golos).

Janeiro cheio de jogos

O janeiro do FC Porto ainda mal começou. Terça-feira, jogo da Taça de Portugal na Madeira, frente ao Nacional.

Sexta-feira, dia 15, clássico no Dragão com o Benfica, para a Liga.

Mais quatro dias, e novo clássico: desta vez, em Leiria, para a Taça da Liga. Ganhando, jogará a final quatro dias depois (dia 23), frente a Sp. Braga ou Benfica.

A 24 janeiro, deslocação ao Algarve, para enfrentar o Farense, de regresso à Liga.

Se segunda-feira sair vitorioso do duelo com o Nacional, dia 28 tem novo jogo da Taça de Portugal: os quartos de final serão, então, no terreno de Gil Vicente ou Viseu.

A fechar janeiro, receção ao Rio Ave, para o campeonato.

E os 28 dias de fevereiro prometem: seis jogos (ou sete, se chegar às meias-finais da Taça de Portugal). Com ilustres adversários como Sporting (Liga) ou Juventus (Liga dos Campeões).

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