Jesus ainda não está suspenso mas saída é inevitável

Bruno de Carvalho disse ao técnico que iria ser-lhe instaurado um processo para avaliar a justa causa de uma eventual rescisão

A continuidade de Jorge Jesus como treinador do Sporting na próxima época está posta de lado, afigurando-se quase impossível que o treinador cumpra o seu último ano de contrato ao serviço dos leões. Isto na sequência de uma reunião ontem entre treinador e presidente em Alvalade.

A situação podia ter contornos ainda mais problemáticos caso se tivesse confirmado a suspensão imediata da equipa técnica, com vista ao despedimento com justa causa, que, segundo uma fonte bem colocada no processo, esteve ontem em cima da mesa por iniciativa presidencial durante a reunião entre o conselho de administração da SAD e a equipa técnica. A mesma fonte garantiu ao DN que Bruno de Carvalho transmitiu ao treinador que este não tinha condições para continuar e que iria ser-lhe instaurado um processo disciplinar para avaliar a existência de justa causa para uma eventual rescisão do contrato.

Refira-se que Bruno de Carvalho, ontem à saída de Alvalade, admitiu que a derrota no Funchal que fez perder "bastantes milhões que estavam contabilizados" vai originar "várias mudanças". Mas negou qualquer suspensão, o que tecnicamente é verdade. E também é verdade que Jorge Jesus antes de sair de Alvalade, para reunir-se com os seus advogados, marcou o treino para esta tarde (16.00) - o treinador estará a orientar a sessão se não receber a notificação da suspensão.

Depois da reunião com a equipa técnica, Bruno de Carvalho, segundo uma fonte próxima do Sporting, reuniu-se com os jogadores no auditório onde tentou transmitir uma mensagem de confiança para domingo, depois de ter realçado que o clube perdeu os dois principais objetivos no campeonato e que davam acesso à Liga dos Campeões. A mesma fonte adiantou que o presidente dos verdes e brancos mostrou preocupação aos jogadores pela reação dos adeptos no final do encontro no estádio, no aeroporto e depois em Alvalade.

O DN, no entanto, está em condições de adiantar que os capitães Rui Patrício e William manifestaram solidariedade a Jorge Jesus de tal forma que estão dispostos a não jogar a final da Taça de Portugal no domingo se Jesus por algum motivo falhar o Jamor.

Tudo está agora nas mãos de Bruno de Carvalho, que ao que tudo indica já terá dado instruções para a abertura do processo disciplinar, e, sobretudo, do instrutor do processo, pois será este a avaliar os fundamentos leoninos para depois decidir se existe culpabilidade do treinador. Independente de tudo, é líquido que Jorge Jesus, no limite, fará o seu último jogo como treinador do Sporting no Jamor diante do Desportivo das Aves.

À procura de sucessor

A sentença do treinador está de tal forma traçada que a SAD tem, sabe o DN, procurado reunir-se com a máxima brevidade com alguns treinadores cujo perfil interessa. Esses contactos estão em marcha, um pouco por essa Europa fora, e nos próximos dias o sucessor de Jorge Jesus será escolhido.

Aqui há uma convergência de ideias, pois, ao que o DN apurou, Jorge Jesus também considera que neste momento não estão reunidas condições para cumprir o ano que lhe falta devido à rotura com Bruno de Carvalho, que após a época 2015-2016, a primeira de Jesus em Alvalade, tomou uma série de iniciativas que foram deteriorando a relação com os jogadores, que hoje é insustentável, sobretudo depois da publicação no Facebook a seguir à derrota em Madrid, com o Atlético.

Assim, a saída do treinador deverá estar em cima da mesa de ambos na próxima semana, sendo certo que há quatro cenários possíveis para que se consume: a rescisão com justa causa; uma rescisão unilateral com Bruno de Carvalho a assumir a indemnização de 7,8 milhões de euros, relativa ao valor do último ano de contrato; um acordo entre as duas partes com o pagamento apenas de parte dessa verba; ou então a saída sem envolver qualquer contrapartida que só será possível se o técnico tiver alguma proposta de outro clube que seja do seu agrado.

Neste último caso, o Al-Hilal, da Arábia Saudita, poderia ser uma saída para o problema, até porque oferece um contrato milionário ao treinador, mas a verdade é que, tal como Jesus já disse várias vezes, não quer um projeto por causa dos milhões, pois só admite sair para o estrangeiro se puder lutar por títulos. Ontem, o seu nome foi também apontado ao Sevilha, sexto classificado da Liga espanhola, mas, segundo fonte contactada pelo DN, trata-se de uma opção pouco atrativa para Jesus, porque dificilmente poderia ambicionar a conquistar títulos.

Revolução à vista em Alvalade

Este verão promete ser bem agitado para os lados de Alvalade, pois Bruno de Carvalho está determinado a fazer uma revolução no futebol profissional para, no seu entender, criar condições para conduzir o Sporting ao título nacional.

Nesse sentido, os indicadores nos últimos dias já apontavam para o facto de o próprio Jorge Jesus não fazer parte dos seus planos. Aliás, na entrevista concedida ao semanário Expresso usou a ironia para falar da forma como o técnico geriu a fase turbulenta causada pelo seu comentário no Facebook, após a derrota de Madrid, nomeadamente a resposta dos jogadores às suas críticas, também publicadas nas redes sociais: "Acha que um treinador permite que os jogadores fizessem aquilo que se escreveu ao seu presidente? Só pode ser invenção da comunicação social, porque, se fosse verdade, seria gravíssimo. Era mau sinal haver um líder de balneário assim. E o líder do balneário é o treinador."

Além de Jesus, também os capitães Rui Patrício e William Carvalho deverão estar de saída, uma vez que são considerados pelo presidente os principais responsáveis pela posição pública tomada pelo plantel, após as críticas de Bruno de Carvalho a seguir ao jogo com o Atlético de Madrid.

Por isso não surpreendeu que ontem tenham ficado, uma vez mais, do lado do treinador.

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