Sp. Braga conquista Taça e acentua época dececionante do Benfica

Expulsão do guarda-redes Helton Leite aos 17' facilitou a vida aos arsenalistas, que marcaram em cima do intervalo e souberam gerir a vantagem. Braga fecha época com chave de ouro; Benfica sem qualquer troféu.

O Sp. Braga conquistou este domingo a terceira Taça de Portugal do seu historial, ao vencer o Benfica na final disputada em Coimbra, sem público, por 2-0, num jogo marcado pela expulsão do guarda-redes Helton Leite logo aos 17 minutos, que condicionou por completo a estratégia de Jesus. Se para os bracarenses foi o fechar de uma época em ouro, para o Benfica (curiosamente atuou de negro) foi o culminar de uma temporada para esquecer, sem qualquer troféu ganho, e que deixa o treinador que prometeu colocar a equipa a jogar o triplo bastante fragilizado.

Jesus sempre se agarrou ao surto de covid-19 no plantel em janeiro para tentar arranjar uma justificação para a má temporada do clube da Luz, logo no início da época afastado na pré-eliminatória da Liga dos Campeões e depois a terminar o campeonato em terceiro lugar, a longa distância do campeão Sporting. E este domingo, num jogo que de alguma forma podia não salvar, mas amenizar uma temporada para esquecer, viu o árbitro expulsar o guarda-redes e deixar a equipa muito cedo reduzida a 10 jogadores. Com mais ou menos desculpas, a verdade é que o Benfica termina a época sem troféus, no ano de maior investimento da SAD no reforço do plantel (mais de 100 milhões de euros). E será por isso natural que a contestação a Jesus suba de tom.

Do lado do Sp. Braga, a temporada tem que ser definida como muito positiva. É verdade que a equipa nunca foi um candidato ao título, mas a espaços mostrou que praticava do melhor futebol entre as equipas da I Liga e terminou a temporada com a conquista da Taça de Portugal. Isto depois de ter chegado à final da Taça da Liga (derrotado pelo Sporting) e aos 16 avos da Liga Europa.

Um prémio também para o treinador Carlos Carvalhal, homem da terra, que viu assim cumprido o sonho de vencer a Taça de Portugal (a sua primeira, depois de ter perdido com o Leixões uma final em 2002) pelo emblema da cidade de onde é natural - "nasci na rua de S. Vicente e vivi paredes meias com o Bairro da Misericórdia, a 400 metros do estádio, onde passei a minha infância. Se há título que me dará um gozo especial é ganhar pelo clube da minha terra, nenhum outro título no futuro terá o sabor igual a este", tinha dito na antevisão da final.

Expulsão precoce

Mas vamos ao jogo. O desfecho da final da Taça começou a ser escrito aos 17 minutos, num lance algo polémico. Abel Ruiz surgiu isolado, o guarda-redes Helton Leite saiu da área e terá derrubado o avançado (fica a dúvida sobre a intensidade). O árbitro Nuno Almeida é que não teve dúvidas e deu ordem de expulsão ao guardião brasileiro. Uma enorme contrariedade para Jorge Jesus, que viu a equipa reduzida a 10 unidades e foi obrigado a tirar o capitão Pizzi para colocar Vlachodimos na baliza.

O Benfica foi aguentando como pôde e a verdade é que ainda chegou a assustar a baliza defendida pelo guarda-redes Matheus, como num remate de Seferovic que saiu ao lado depois de bater num defesa do Sp. Braga, e num outro de Weigl (45'), que Matheus defendeu. Mas antes (40'), Otamendi tinha tirado o "pão da boca" a Ricardo Horta, num lance em que o banco dos arsenalistas já gritava golo.

Como diz o ditado, um azar nunca vem só. E o Benfica sofreu o golo já no tempo de descontos do intervalo. Um lance que surgiu num corte atabalhoado de Verthongen, a bola sobrou para Lucas Piazón que perante o adiantamento de Vlachodimos (é mal batido devido ao seu posicionamento), fez-lhe um chapéu e colocou a equipa do Sp. Braga em festa.

Na segunda parte, Jesus não fez de início qualquer alteração e o Sp. Braga entrou a pressionar, a querer aproveitar a vantagem numérica para chegar cedo ao segundo golo que desse a tranquilidade necessária à equipa. E Vlachodimos começou a ser colocado à prova, primeiro num tiro de Castro (48') e depois com duas novas intervenções a um remate e uma recarga de Piazón.

Jorge Jesus mexeu na equipa aos 57', com as entradas de Nuno Tavares, Rafa e Darwin para os lugares de Diogo Gonçalves, Everton e Seferovic, numa nítida tentativa de lançar jogadores frescos. Alterações que, diga-se, deram mais ânino às águias, que protagonizaram um lance de muito perigo aos 67', por intermédio de Darwin após livre de Taarabt. Talvez por isso Carlos Carvalhal tenha optado por lançar João Novais para o meio-campo para o lugar de Castro. Até ao final a equipa soube gerir bem e sem sobressaltos a vantagem e acabou mesmo por marcar aos 85' o golo que matou o jogo, num remate de Ricardo Horta sem hipóteses para Vlachodimos.

O apito final chegou (antes ainda com uma enorme confusão no relvado, com Taarabt e Piázon a serem expulsos e com o marroquino do Benfica a envolver-se em cenas muito feias com Eduardo, da equipa técnica bracarense) e confirmou o Sp. Braga como novo detentor da Taça de Portugal, sucedendo ao FC Porto. E com a curiosidade de Carlos Carvalhal ter sido uma vez mais esta época o grande carrasco de Jorge Jesus - depois de ter eliminado às águias nas meias-finais Taça da Liga, roubou este domingo ao treinador do Benfica o único troféu que podia ganhar esta temporada.

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