"Muito feliz, orgulhoso e ansioso para trabalhar.” Essas foram as ideias principais de Rui Borges na apresentação como treinador do Sporting, após assinar o contrato até junho de 2026, o qual pode ser prolongado por mais uma época, mediante determinados objetivos, leia-se troféus. .E com uma certeza: há mais de 24 anos que uma chicotada psicológica não resulta na conquista do campeonato. A última vez que tal aconteceu foi na temporada 1999/2000, quando Giuseppe Materazzi foi despedido após seis jogos, cedendo o banco a Augusto Inácio, que depois de substituir o italiano acabou com um jejum de títulos que durava há 18 anos..Desde então, o Sporting já teve 25 treinadores (alguns até por duas vezes, como José Peseiro e Leonel Pontes, este interinamente), mas os troféus foram escassos. Sem colocar o título nacional em equação, apenas uma vez se celebrou algo em Alvalade, quando na mesma época os leões foram comandados por dois ou três técnicos. Em 2018/19, conquistaram a Taça de Portugal e Taça da Liga, tendo tido no banco o neerlandês Marcel Keizer, e os portugueses José Peseiro e Tiago Fernandes.. Rui Borges é o terceiro treinador desta época e vai tentar repetir o feito de Inácio. Sendo que, nas 13 épocas anteriores em que os leões foram orientados por três ou mais treinadores, o melhor que conseguiram no campeonato foi terminar em terceiro lugar (quatro vezes) e com um sétimo lugar (2012-13) pelo meio..O Sporting ainda se encontra em todas as frentes, pois na I Liga, apesar de ter deixado o topo, continua na luta, partilhando o segundo lugar com o FC Porto, com 37 pontos, a um do líder Benfica, o próximo adversário dos leões, no domingo às 20h30, em Alvalade..“O futuro vai ser risonho”.Como orgulhoso transmontano - é natural de Mirandela e tem raízes na aldeia de Vilarinho das Azenhas - Rui Borges vai tentar ser “um homem de trabalho, sincero, honesto e puro”, apesar de ser agora treinador de um dos grandes do futebol português. .O técnico de 43 anos mostrou-se “muito honrado”, por poder orientar o campeão nacional. “Não tenho palavras para descrever o que tenho sentido nos últimos dias, que foram intensos e felizes. Estou muito feliz e ansioso para trabalhar. Tenho uma confiança enorme em ser feliz aqui no Sporting e não tenho qualquer dúvida de que o futuro vai ser risonho”, afirmou Rui Borges, nada assustado com o mau momento leonino, que nos últimos sete jogos com João Pereira somou quatro derrotas, um empate e três vitórias. Para Rui Borges, este é o momento “certo” e não podia estar mais feliz por poder representar o campeão nacional: “É um sonho. Agora, queremos é trabalhar.” .Sobre a “quebra emocional” da equipa, mencionada pelo presidente Frederico Varandas no discurso de apresentação, o treinador considerou que era visível do exterior e natural após anos de sucesso com Ruben Amorim, que entretanto se mudou para o Manchester United. Agora terá de lidar com essa quebra anímica e encontrar “soluções”, sem lamentos ou queixas..O presidente leonino pediu-lhe vitórias e títulos, algo que o treinador pretende alcançar. “Quando faltar a inspiração, que não falte a atitude. Umas vezes vamos ganhar com mais qualidade, outras não, mas se a atitude correta estiver lá, vamos ganhar na mesma. Acima de tudo, temos de estar dentro da exigência deste grande clube”, disse, lembrando que o Sporting “está em todas as frentes”, campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga dos Campeões. .Tal como João Pereira, também Rui Borges não podia dizer não ao Sporting, “o melhor presente de Natal que podia ter tido”. .Rui Borges iniciou a temporada no Vitória de Guimarães, clube a quem deixou uma palavra “de enorme apreço e do tamanho do mundo”, além dos cofres cheios. Os leões pagaram 4, 1 milhões de euros para libertar o mirandelense, que antes tinha treinado o Moreirense - clube onde conseguiu um histórico quinto lugar em 2023/24 - e que também vai receber parte dessa verba. Académico de Viseu, Académica, Nacional, Vilafranquense, Mafra e Mirandela, onde se fez jogador, foram os outros clubes que treinou numa carreira iniciada em 2017. .Em todos os emblemas montou equipas num sistema tático diferente do usado pelos antecessores em Alvalade (3x4x3). Como irá então jogar o Sporting de Rui Borges? “O sistema tático é muito relativo. Quero é fazer os jogadores acreditar na nossa ideia de jogo e no que pretendemos. Se não estiverem confortáveis, não tiro rendimento deles. Preciso muito deles. Como treinador, dou 15% do que o jogo dá. O restante são as decisões e a qualidade deles em campo. Aqui, é fazê-los acreditar nos meus 15%, se o conseguir, teremos muito sucesso e faremos crescer mais a grande história deste clube”, realçou..Dérbi antes de Vit.Guimarães e FC Porto.O dérbi de domingo, no Estádio José Alvalade marcará a estreia de Rui Borges, que ontem orientou o primeiro treino de leão ao peito, ao lado dos adjuntos Tiago Aguiar e Ricardo Chaves, o preparador físico Fernando Morato e ainda com o analista José Meireles na equipa técnica, bem como os elementos da casa como Luís Neto, Tiago Ferreira e Gonçalo Álvaro. .Se a estreia de Rui Borges é com o Benfica, o segundo jogo será com a sua ex-equipa, o Vitória de Guimarães que ontem anunciou Daniel Sousa como substituto, e o terceiro será o clássico com o FC Porto, em Leiria, para as meias-finais da Taça da Liga. “Grandes jogos é o que queremos. Olho sempre para o próximo adversário da forma mais séria possível, independentemente de quem seja. Sobre o dérbi, na minha cabeça está fazer um bom jogo e ganhar, independentemente de ser o Benfica”, disse, lembrando que “a liderança e a classificação são sempre consequência” do que a equipa for capaz de fazer no jogo. “Se formos competentes vamos ganhar e depois isso dá-nos a liderança. É tudo uma consequência do trabalho”, sublinhou o treinador dos leões..João Pereira sem indemnização.A apresentação do terceiro treinador da época e oitavo da era Frederico Varandas foi menos efusiva, tanto ao nível do discurso e da cerimónia em si - as de Ruben Amorim e João Pereira foram no hall vip e junto à mítica porta 10 A, enquanto a de Rui Borges foi na sala de imprensa. O presidente do Sporting lamentou “não ter conseguido ajudar mais João Pereira”, elogiando “o caráter” daquele que foi técnico dos leões no último mês e meio: “Quando me sentei com o João Pereira para negociar a rescisão, ele não quis nem um cêntimo de dois anos e meio de contrato [que ficaram por cumprir]. Esta nobreza de caráter diz tudo.”.Varandas assegurou ainda não ter dúvidas do valor do Rui Borges e revelou, que o mirandelense já estava no radar leonino “há mais de um ano”, quando orientava o Moreirense. “Subiu por vários projetos e clubes cada vez mais exigentes, sempre com a sua ideia de jogo e liderança. Reconhecemos-lhe mais do que a ideia de jogo e a competência técnico-tática, pois trata-se um homem que lidera pelo simples discurso e que os jogadores o seguem para onde ele diz para ir. O Sporting está em todas as frentes e voltou a ser o que era há muitas décadas. Luta e continuará a lutar por títulos”, garantiu o presidente sportinguista que desta vez não respondeu a perguntas, mas voltou a afirmar que não gere o clube com base em opiniões. .isaura.almeida@dn.pt