Rúben Amorim e o título à vista: "Serão mais duas horas de sofrimento"

A dois pontos de quebrar o jejum de 19 anos sem ser campeão, o treinador do Sporting assumiu finalmente a candidatura ao título e admitiu que os jogadores estão ansiosos. Sobre o facto de a festa estar já a ser preparada garantiu que até levaria a mal se a direção do clube não o estivesse a fazer: "Era sinal que não confiava em nós."

Obviamente candidatos ao título. Foi assim que Rúben Amorim abordou o jogo desta terça-feira (20.30 horas, SportTV1) com o Boavista, que ao que tudo indica será o jogo do título de campeão para o Sporting, que se prepara para quebrar um jejum que dura há 19 anos. Após uma época inteira em que foi sempre recusando assumir-se como candidato a vencer a I Liga, eis que chegou o momento em que o treinador do Sporting virou a agulha. "Sempre disse que se chegássemos a este ponto, em que estivessem em jogo três pontos que nos dessem o título, seriamos obviamente candidatos ao título, pois somos sempre candidatos a vencer todos os jogos", atirou, com um sorriso entre dentes, como quem vê a meta cada vez mais perto.

Ainda com a possibilidade ser campeão no sofá, desde que o FC Porto não vença o Farense esta segunda-feira, Amorim deixou uma garantia: "Obviamente que não sou eu que os vou mandar para a cama. Eles podem fazer o que quiserem, desde que apareçam amanhã para jogar. É impossível controlar estas situações. A nossa ideia é ganhar ao Boavista e não estamos à espera do que façam os nossos rivais", assumiu, deixando uma certeza: "Só quero é ser campeão. Quanto mais cedo, melhor."

Rúben Amorim não abdicou das habituais cautelas, afinal, o Boavista "tem bons valores" e, finalmente, após várias jornadas, vai entrar num jogo em que "a pressão estará mais do outro lado e como tal os jogadores vão estar mais libertos". "Eu sei que o Boavista precisa dos pontos para garantir a manutenção, mas a pressão está do nosso lado", disse o técnico leonino antevendo "mais duas horas de sofrimento" porque do outro lado estará uma equipa que tem um treinador (Jesualdo Ferreira) que é "a pessoa com mais experiência neste tipo de jogos".

Uma coisa é certa, apesar de os foguetes estarem perto de serem lançados, Rúben Amorim garante que se sente "da mesma maneira". "A responsabilidade de treinar o Sporting é enorme. Estou contente por estarmos a três pontos de ganhar um campeonato que não se ganha há muito tempo", adiantou, apressando-se a colocar água na fervura: "Estou confiante, mas há mais três jogos para fazer e ainda não somos campeões, embora quanto mais cedo formos, melhor."

3% de hipóteses de ganhar

Apesar de reconhecer que se trata de um jogo "com um peso enorme", Amorim assegura que ele foi "preparado da mesma forma como os outros". Ou seja, a festa ainda não entrou no balneário leonino. "Tentei levar tudo com a máxima normalidade. A equipa treinou muito bem, sentimos muita tranquilidade durante a semana na Academia e estivemos um pouco afastados destas manifestações de apoio, pois o nosso foco foi preparar o jogo da forma mais natural, que é a melhor forma", disse, admitindo ser "natural que os jogadores estejam um pouco ansiosos". De qualquer forma deixou uma garantia: "Senti um entusiasmo muito grande, talvez pela juventude do plantel, pareceu-me que a equipa sabe que só depende dela. Por isso não tive conversas individuais, nem fiz uma palestra a mais. Fizeram todos uma semana muito boa e ninguém está disperso."

O facto de os responsáveis máximos do Sporting já estarem a fazer os preparativos da festa de campeão é até encarado com normalidade. "Nós até ficávamos ofendidos se o Sporting não estivesse a preparar a festa, era sinal que não confiavam em nós. No entanto, os jogadores têm de ter a consciência de que o facto de haver um autocarro a passear para a festa não quer dizer que vá haver festa. Eles sabem que temos de ganhar o jogo, mas pode acontecer ou não", avisou o técnico de 36 anos, que enquanto futebolista foi três vezes campeão pelo Benfica. "Ganhar campeonatos como treinador é completamente diferente. A responsabilidade é diferente, mas há que pensar no jogo e naquilo que temos de fazer para vencer o Boavista", sublinhou.

Rúben Amorim lembrou que quando a época começou, "o Sporting partiu muito atrás da concorrência". "Até pelo ano que fizemos antes, pelas dúvidas que existiam e pelas remodelações que foram feitas no plantel, com muita gente da formação... quase sempre tivemos um júnior em campo", adiantou, lembrando depois as probabilidades que eram dadas ao Sporting no início da temporada: "Vi que nos davam 3% de hipóteses de ganhar este campeonato e ao Sp. Braga davam 4%. Acho que o Benfica e o FC Porto tinham 40 ou 44%. Por isso, acredito é que ganhando tudo é permitido e a minha preocupação é ganhar os jogos todos."

"Ainda agora sou candidato"

Rúben Amorim fez questão de dizer que não se preocupa "com a envolvência e com o que se deve dizer". "Disse desde o primeiro dia que íamos fazer jogo a jogo e que seriamos candidatos aos três pontos de cada jogo. Muita gente que não concordou com esse discurso, mas o que eu pretendia era ter razão no fim e quando ganhamos temos sempre razão", atirou.

Curiosa foi a reação do treinador do Sporting à provocação sobre se na próxima época se irá assumir como candidato logo desde o início. Rúben Amorim riu-se e disparou: "Ainda agora sou candidato a este... Não vou estar agora a apressar as coisas. Provavelmente será jogo a jogo, não faço ideia. Um de cada vez." O técnico voltou a assentar os pés na terra e de imediato voltou ao discurso cuidadoso: "Ainda não somos campeões e isso tem de estar na mente dos jogadores... Os adeptos podem pensar no que quiserem, mas os jogadores têm de pensar no que ainda falta. Da mesma maneira que tínhamos 3% para ganhar no início, agora podemos ter a mesma percentagem para perder o campeonato."

Numa altura tão importante, Amorim fez ainda questão de dizer que "os jogadores têm sentido muito a falta dos adeptos".

carlos.nogueira@dn.pt

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