Preocupação com tenista chinesa cresce após mensagem difundida por órgão estatal

No início do mês, Peng Shuai denunciou ter sido abusada sexualmente por um antigo vice-primeiro-ministro chinês e, desde então, está desaparecida.

O presidente da Associação de Ténis Feminino (WTA) expressou esta quinta-feira "crescente preocupação" relativamente à segurança de Peng Shuai, depois de a imprensa oficial chinesa ter difundido uma mensagem na qual a tenista garante "estar bem".

No início do mês, Peng denunciou ter sido abusada sexualmente por um antigo vice-primeiro-ministro chinês e, desde então, está desaparecida.

De acordo com a alegada mensagem enviada por Peng a Steve Simon, difundida agora na página da televisão estatal chinesa CGTN na rede social Twitter, a tenista garantiu estar "bem e a descansar".

"Não estou desaparecida. As alegações de abusos sexuais não são verdadeiras. Estou a descansar em casa e estou bem. Obrigado pela sua preocupação", lê-se na mensagem atribuída a Peng.

Steve Simon afirmou, em comunicado, que a alegada carta divulgada pela CGTN apenas aumenta as preocupações sobre a segurança e o paradeiro de Peng.

"É difícil acreditar que Peng Shuai escreveu aquela mensagem que recebemos ou que lhe pode ser atribuída. Peng revelou grande coragem ao descrever as alegações de abuso sexual contra um alto quadro do Governo chinês. A WTA e o resto do mundo precisam de obter evidência verificável de que ela está segura. Tentei contactá-la de várias maneiras, mas sem sucesso", disse Simon.

O responsável acrescentou que Peng deve poder falar "livremente, sem coerção ou intimidação de qualquer espécie. A sua denúncia deve ser respeitada e investigada com total transparência e sem censura".

"As vozes das mulheres devem ser ouvidas e respeitadas e não censuradas", defendeu.

Peng acusou o antigo vice-primeiro-ministro chinês Zhang Gaoli de a ter forçado a manter relações sexuais, através de uma mensagem difundida no Weibo, o Twitter chinês.

A mensagem foi removida poucos minutos depois e a imprensa chinesa, que está submetida à censura exercida pelo regime, não referiu o assunto.

Peng, de 35 anos, escreveu que o antigo vice-primeiro-ministro e membro do poderoso Comité Permanente do Politburo do Partido Comunista Chinês, a cúpula do poder na China, a forçou a manter relações sexuais, apesar das repetidas recusas, após uma partida de ténis há três anos.

Ela escreveu que a esposa de Zhang guardou a porta durante o incidente. Na mesma mensagem, Peng apontou que, depois daquele primeiro encontro, ela passou a sentir algo por ele.

Como é normal para altos quadros chineses que se retiram, Zhang, de 75 anos, desapareceu da vida pública depois de terminar a carreira política, em 2018.

Peng ganhou 23 títulos de duplas, incluindo em Wimbledon, em 2013, e no French Open, em 2014. Ela foi semifinalista em simples no US Open em 2014.

A tenista também disputou três Jogos Olímpicos, 2008, 2012 e 2016, mas o Comité Olímpico Internacional permaneceu em silêncio sobre as alegações. O COI e a China estão a organizar em conjunto os Jogos Olímpicos de Inverno, que se realizam no próximo ano, em Pequim.

A denúncia de Peng foi a primeira contra um alto quadro do regime desde que o movimento #MeToo chegou à China, em 2018, antes de ser amplamente reprimido pelas autoridades no mesmo ano.

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