O lugar de Jesus e a contestação a Vieira numa "época desastrosa"

Álvaro Magalhães e Paulo Madeira, ex-capitães das águias, falam numa temporada para esquecer, mas deixam a decisão sobre o treinador nas mãos do presidente Luís Filipe Vieira.

Depois das promessas iniciais de Jorge Jesus de "arrasar e jogar o triplo", o Benfica chega ao final da época sem qualquer troféu conquistado. Anteontem, a derradeira desilusão com a derrota na final da Taça de Portugal, diante do Sp. Braga. Ao DN, Álvaro Magalhães e Paulo Madeira, dois ex-capitães das águias, não escondem a desilusão.

"Só um louco pode considerar esta época positiva! Foi uma temporada desastrosa que certamente vai deixar marcas para o futuro", referiu Álvaro Magalhães. O antigo jogador e adjunto de Trapattoni - campeão nacional pelos encarnados em 2004/05 - lembrou "o forte investimento feito no início da temporada [mais de 100 milhões de euros], que teria forçosamente de corresponder a outros resultados".

Ainda assim, considera que a derrota na final da Taça, por si só, não terá grande influência na preparação da próxima temporada. "São épocas e contextos diferentes. Claro que seria a oportunidade de ganhar uma competição, mas uma vitória neste jogo não transformaria uma época negativa em positiva", atirou, avisando que "a contestação vai aumentar, pois os adeptos estão tristes e revoltados".

Paulo Madeira considera que a época do Benfica "foi negativa, pois havia grandes expectativas que não se confirmaram e depois de um alto investimento chegou-se ao fim da época sem qualquer troféu". E acrescenta que uma vitória na final da Taça de Portugal "serviria para aligeirar um pouco a má temporada, mas apenas isso".

Álvaro Magalhães não quis pronunciar-se se defende a permanência ou saída de Jesus. "Quando se ganha, ganham todos, mas quando se perde há um único culpado, que é o treinador. Tenho a minha opinião, mas a opinião que interessa é de quem dirige o clube. E até pode acontecer que o próprio Jesus não se sinta bem e queira sair... Só peço ao presidente do Benfica que pense bem, com calma e cabeça", disse. E relembrou o sucedido em 2012/13, quando o Benfica perdeu o campeonato nas últimas jornadas, foi derrotado na final da Liga Europa e também terminou a temporada com uma derrota na final da Taça de Portugal diante do V. Guimarães. "Contra todas as expectativas, o presidente do Benfica decidiu manter Jesus no cargo. E o que aconteceu? O Benfica foi campeão nacional nas duas épocas seguintes com o mesmo treinador", recordou, sublinhando que o técnico de 66 anos "tem experiência e capacidade para treinar o Benfica e jogadores de grande qualidade, que podem fazer muito melhor do que fizeram".

Já Paulo Madeira diz que vai aguardar pela decisão de Luís Filipe Vieira. "Na vida e na sociedade quando não são atingidos os objetivos, existem consequências. Não quero com isto dizer que defendo o despedimento de Jesus, mas é preciso que sejam assumidas responsabilidades. E da parte de todos: direção, equipa técnica e jogadores, porque todos tiveram uma quota-parte de responsabilidade no que aconteceu", destacou.

Vieira em xeque?

Será que a própria posição de Luís Filipe Vieira está em risco? "Quando não se ganha, a contestação aumenta e o presidente não escapa. E a verdade é que Vieira é presidente do Benfica há muitos anos... Mas é preciso calma com as reações destrutivas que sucedem nas derrotas. Eu, da minha parte, prometo sempre críticas construtivas", realça Álvaro.

Paulo Madeira faz um paralelismo com o rival Sporting: "Há um ano, Frederico Varandas era contestado por todos os lados. Esta época o Sporting ganhou e já ninguém o contesta... O futebol funciona assim: quando se ganha, pensa-se que está tudo bem e quando se perde, que está tudo mal. Até acho que esta contestação pode ser saudável, fazendo ver aos responsáveis do Benfica que é preciso melhorar e fazer mais."

Questionado sobre se será necessário o Benfica voltar a fazer uma aposta mais firme na formação e se acredita que Jorge Jesus é o treinador indicado para tal, Álvaro Magalhães deixa uma pergunta e dá ele próprio a resposta. "Essa história da aposta na formação... Nos últimos anos quantos jogadores da formação do Benfica se afirmaram verdadeiramente? Apenas um, o Rúben Dias. Onde estão os outros da formação que foram emprestados? Quase nem jogaram!", atirou. E acrescentou que "não basta aos futebolistas da formação terem bons pés, sendo preciso demonstrarem capacidade psicológica para jogarem na equipa principal do Benfica".

dnot@dn.pt

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