Marion Bartoli regressa para reviver o que a salvou

Campeã de Wimbledon 2013 anuncia que tem regresso agendado para março de 2018, depois de ter estado "às portas da morte"

Marion Bartoli continua uma caixinha de surpresas. Depois de ter protagonizado uma das mais inesperadas conquistas em Wimbledon, em 2013; de ter anunciado a sua retirada do ténis apenas um mês depois, aos 28 anos (no auge), por causa das "dores insuportáveis"; ou de ter chocado o mundo, em 2016, ao perder mais de 30 kg devido a um vírus que a deixou "às portas da morte", a francesa anunciou agora, aos 33 anos, o regresso aos courts, agendado para o próximo Miami Open, em março.

"Em 2016 tive uma doença grave, mas quando me curei tornei--me uma pessoa muito mais forte. Nesse momento relembrei-me do quão bem eu me sentia a jogar ténis. Decidi que se voltasse a ficar saudável iria tentar reviver esses momentos, e é isso que estou a fazer", justificou Bartoli, ao anunciar o seu regresso à competição.

A tenista francesa, que nos seus tempos ativos nos courts teve muitas vezes de lidar com as críticas ao seu "sobrepeso", chocou os fãs em 2016 quando surgiu em público com um aspeto bastante magro, cerca de 30 quilos abaixo do peso com que se retirara após ganhar Wimbledon. Então, Bartoli, que além de comentários de ténis na tv se dedicara entretanto ao mundo da moda, produzindo coleções de joias e de roupa, garantiu que não se tratava de anorexia, mas sim de um vírus que se tinha instalado no seu sangue durante uma viagem à Índia e que a tinha deixado muito debilitada.

"O meu corpo passou a rejeitar algumas coisas, não consigo absorver proteínas, seja de carne ou de peixe, não consigo lavar as mãos na torneira, só com água engarrafada, não posso usar joias e devo evitar alguns países", revelou, nessa altura, numa entrevista ao programa de televisão britânico This Morning, da ITV.

Bartoli, que então se alimentava apenas de folhas orgânicas e pepinos sem casca, dizia mesmo "temer pela vida". "Isto não é vida. Estou apenas a sobreviver", referia, em desespero. O seu estado de saúde aparentava ser tão frágil que até a organização do Torneio de Wimbledon lhe recusou, nesse ano de 2016, a participação num encontro de veteranos.

"Esse foi o dia mais difícil da minha vida e o começo de tudo isto", disse agora, justificando este regresso, aos 33 anos, já recuperada do vírus. "Vai ser um grande desafio. Ainda tenho muito a treinar, mas espero estar pronta em março, para o Miami Open (19 de março a 1 de abril). Estou muito ansiosa por jogar de novo", anunciou, apontando "uma nova vitória num Grand Slam, a Fed Cup e os Jogos Olímpicos" como principais objetivos desta volta aos courts, com um prazo de validade projetado até aos Jogos de Tóquio 2020.

Num universo, o do ténis feminino, que tem sido pródigo em regressos bem-sucedidos à competição (os exemplos multiplicam-se, desde Jennifer Capriati a Martina Hingis, Justine Henin ou Kim Clijsters), Marion Bartoli espera poder voltar a surpreender como o fez naquela edição de Wimbledon de 2013, em que aproveitou um torneio atípico para vencer na final a alemã Sabine Lisicki, no ponto alto de uma carreira que colecionou oito títulos WTA.

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