Kevin Durant é agora um Warrior. E a NBA ganhou um novo vilão

Extremo trocou Oklahoma e juntou-se a Curry numa superequipa. Só os Cavaliers e LeBron os podem derrotar?

Seis anos depois, Kevin Durant resolveu imitar Lebron James. Em fim de contrato, tomou uma "decisão" (assim, com a pompa e circunstância que os norte-americanos gostam de empregar em tudo o que possa ser transformado em espetáculo): deixou a sua equipa de sempre, os Oklahoma Thunder, onde era figura principal, para se juntar a uma superequipa de estrelas.

Mas Durant, até aqui um dos meninos mais queridos e populares da NBA, que arranca nesta madrugada, levou a decisão ainda um pouco mais à frente da de LeBron James em 2010, quando este resolveu deixar os Cleveland Cavaliers para se juntar aos amigos Dwyane Wade e Chris Bosh nuns Miami Heat que não tinham passado da primeira ronda do play-off na época anterior.

Durant, um MVP da liga em 2014, quatro vezes melhor marcador - mas a quem, tal como então a LeBron, continua a faltar um anel de campeão -, escolheu juntar-se à superequipa dos Golden State Warriors que na época passada bateu um recorde histórico de vitórias na fase regular da competição (73), antes de baquear com estrondo nas Finais face aos Cavaliers, para os quais LeBron James regressou depois de dois títulos em Miami.

Em Oakland, Kevin Durant vai juntar-se à equipa mais elogiada dos últimos tempos e ao primeiro MVP unânime da história da NBA, o base Stephen Curry, numa decisão acolhida com muitas críticas tanto por adeptos como por outros jogadores e ex-estrelas da competição. "Eu nunca pensaria em juntar-me a Magic Johnson para ganhar um campeonato", comentou o lendário Larry Bird, que com a camisola dos Boston Celtics protagonizou uma das maiores rivalidades da liga, nos anos 1970 e 80, com a então estrela dos LA Lakers.

Críticas semelhantes às que Michael Jordan, o homem que é considerado o melhor basquetebolista de todos os tempos (seis campeonatos com a camisola dos Chicago Bulls nos anos 1990), teceu em 2010 à decisão de LeBron James em mudar-se para Miami para formar um Big Three com Wade e Bosh.

Agora, cabe ao outrora "queridinho" Durant vestir o fato do mais recente vilão da liga. Para trás deixa nove anos a carregar as ilusões dos Oklahoma Thunder em chegar a um título, com uma ida apenas à final, em 2012, e uma relação que se complicou nos últimos anos com o protagonismo crescente do base Russell Westbrook, cujo ego Durant apenas tolerava.

Aos 28 anos, o jogador escolhido ainda pelos Seattle Supersonics (antecessores dos Thunder) na segunda posição do draft de 2007 escolheu os Warriors como a forma mais fácil de chegar a um anel de campeão. E sabe que, por isso, vai ser o alvo preferido nos pavilhões adversários ao longo da temporada (como já foi, de resto, ao longo da pré-temporada).

"Não posso preocupar-me com o ruído exterior. Tenho apenas de trabalhar. E o trabalho não pode parar. O amor pelo jogo é o mesmo. E a minha entrega e dedicação continuarão iguais, não importa onde quer que eu jogue", referiu Kevin Durant durante o verão.

O treinador dos Warriors, Steve Kerr, tenta afastar a carga negativa da nova contratação. "É um absurdo pensar no Kevin como um vilão. Ele é uma das pessoas mais adoráveis desta liga, um extraordinário ser humano que apenas quis outro desafio e adora a química desta equipa", comentou Kerr, numa entrevista à ESPN Radio.

Mas a animosidade da maior parte dos adeptos é inevitável e estende-se aos próprios Golden State Warriors. A equipa trendy e revolucionária do jogo, que apareceu a bater recordes de vitórias e de triplos nos últimos dois anos, é a nova superequipa a abater, numa NBA que parece mais bipolarizada em torno de duas equipas: de um lado os Cleveland Cavaliers de LeBron James, que finalmente se libertaram na época passada do peso de um jejum histórico, com uma reviravolta épica nas finais (onde estiveram a perder por 3-1), e são o favorito incontestável numa Conferência Este que continua sem concorrência à altura; e do outro os Golden State Warriors, que ameaçam fazer da até há pouco tempo dificílima e equilibrada Conferência Oeste um passeio tão fácil até às Finais como o de Cleveland na metade contrária, ainda para mais numa época em que vão saindo de cena figuras lendárias do Oeste, como Tim Duncan dos Spurs e Kobe Bryant dos Lakers (retirados).

Salvo surpresa maiúscula, os próximos oito meses até ao começo das Finais, em junho de 2017, servirão apenas para que as restantes 28 formações sirvam de figurantes na preparação de mais um duelo entre Cleveland Cavaliers e Golden State Warriors pelo título da NBA. Desta vez, muito provavelmente, com LeBron James como o bom da fita, contra o novo rosto do mal. Graças a Kevin Durant.

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