João Mário & Toni Martínez limitada, uma sociedade para o golo

FC Porto venceu a Lazio com dois golos do espanhol e duas assistências do lateral (2-1). Dragões estiveram a perder, mas deram a volta ao marcador no segundo tempo. Segunda mão do playoff é dia 24 em Roma.

Toni Martínez e João Mário foram os protagonistas maiores de um jogo especial para Sérgio Conceição, que ontem viu o seu FC Porto vencer a também sua Lazio (2-1), clube onde brilhou em Itália enquanto jogador. Num jogo em que os dragões estiveram a perder, mas deram a volta ao marcador com dois golos do espanhol e duas assistência do lateral português, também o treinador portista merece destaque pela aposta no avançado menos credenciado e pela forma como mexeu na equipa (e no desenrolar da partida) com a entrada de Vitinha ao intervalo.

A estratégia inicial de Sérgio Conceição surpreendeu, tendo em conta que dava algum jeito ganhar vantagem em casa para o jogo da segunda mão em Itália. O treinador do FC Porto mudou três peças em relação ao onze que defrontou o Sporting e prescindiu dos dois melhores marcadores da equipa. Evanilson, Taremi e Vitinha deram lugar a Grujic, Pepê e Toni Martínez. A aposta no espanhol foi a grande surpresa, mas revelou-se certeira. Já Maurizio Sarri viu-se obrigado a fazer duas alterações face às lesões de Immobile e Lazzari. Radu e Filipe Anderson saltaram assim para o onze inicial.

Pepe fez o primeiro aviso aos dois minutos, mas a primeira oportunidade foi para os italianos. Filipe Anderson mostrou ser conhecedor do campo, não fosse ele um ex-dragão, mas viu a defesa portista roubar-lhe a chance de inaugurar o marcador. Honra essa que coube a Mattia Zaccagni, numa jogada de laboratório espetacular e bem sucedida que deixou o treinador ao pulos no banco... não fosse ele conhecido por ser o "mister das 33 táticas".

Assim que ficou em desvantagem no marcador, Sérgio Conceição mandou aquecer Vitinha, Evanilson e Taremi, mostrando que a opção de os deixar no banco foi estratégia que correu menos bem no que às rotinas da equipa diz respeito. Em campo, os dragões mostravam boa reação à desvantagem e ficaram perto do empate, mas João Mário errou o alvo e Pepê viu Luiz Felipe impedir que a bola fosse para a baliza.

Zaccagni esteve perto do 2-0, mas Diogo Costa não deixou. E foi preciso ter cabeça para o empate. Durante uns minutos a equipa portista construía, mas não completava as jogadas - faltava a ligação de Uribe a Fábio Vieira - até que, ao minuto 37, Toni Martínez fixou os pés no relvado e esperou pela bola vinda dos pés de João Mário para cabecear em estilo para a baliza italiana. O espanhol não era titular há dois meses e não marcava um golo desde outubro.

A mesma dupla a brilhar

Depois de uma primeira parte intensa, com momentos de domínio alternado e equilíbrio na posse de bola (49% contra 51%) e nos remates à baliza (um para cada lado, além do golo), Sérgio precisava dar largura e profundidade ao jogo portista e a opção foi meter Vitinha e Galeno e mover Otávio para o meio sem mexer na estrutura da equipa.

E o segundo golo teve os mesmos protagonistas. Aos 50 minutos a dupla João Mário e Toni Martínez voltou a funcionar e o espanhol bisou, num lance onde a defesa da Lazio não ficou bem na fotografia. Confirmada a reviravolta no marcador, o FC Porto foi com tudo para cima dos romanos com ajuda de quase 33 mil adeptos nas bancadas e, um minuto depois de passar para a frente, Toni Martínez esteve perto do terceiro mas viu Strakosha evitar o golo. Pouco depois o espanhol saiu aplaudido e viu o substituto, Evanilson, responder de imediato com uma oportunidade de golo, mas o remate em habilidade saiu a rasar o poste.

Os dragões não baixavam o ritmo. Queriam o terceiro para uma viagem mais confortável a Roma já no dia 24, mas também era importante não sofrer golos. Não comprometer a estabilidade defensiva passou a ser o objetivo a partir do minuto 70, altura em que o jogo entrou numa fase mais combativa e com constantes interrupções.

A Lazio fazia marcação à zona, mas sentiu (e de que forma) a ausência de Immobile. Sarri ainda deu os primeiros minutos a Jovane (assobiado, não fosse ele o autor dos golos que deram a vitória ao Sporting sobre o FC Porto da Taça da Liga do ano passado), mas na segunda parte os italianos apenas incomodaram Diogo Costa uma vez, com o jovem guarda-redes a mostrar estar à altura das grandes noite europeias. E assim o FC Porto chegou à 13.ª vitória seguida.

Agora é olhar para o objetivo principal, o campeonato, e o Moreirense (domingo) - sem Pepe (suspenso) e Marchesín (castigado) -, e só depois pensar na segunda mão, naquele que será o regresso de Sérgio Conceição ao campo onde mais brilhou como jogador no início do século.

isaura.almeida@dn.pt

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