Irão-EUA. Queiroz admite ser jogo "especial", Berhalter lamenta polémicas antes do jogo

Depois da polémica com Klinsmann e com a bandeira iraniana, Carlos Queiroz limitou-se a falar da alegria que quer dar ao povo, enquanto o selecionador americano fintou as várias perguntas sobre os problemas políticos entre os dois países.

Carlos Queiroz, selecionador do Irão, afirmou esta segunda-feira que a missão do futebol "é fazer as pessoas felizes durante 90 minutos" e admitiu que o jogo com os Estados Unidos, da 3.ª jornada do Grupo B do Mundial 2022, "é especial".

"A nossa missão é proporcionar entretenimento e fazer as pessoas felizes durante 90 minutos. Nasci em Moçambique e sei o efeito que uma bola pode ter em crianças que passam um ou dois dias sem comida e que não têm o que vestir", afirmou Queiroz, na conferência de imprensa de antevisão do jogo com os EUA, da última jornada do Grupo B.

O técnico português, que pode levar o Irão aos oitavos de final, afirmou ainda: "Quando lhes dávamos uma bola, não podem imaginar a magia do momento: as suas caras de tristeza iluminavam-se com um sorriso de um momento para o outro. Essa é a missão do futebol: fazer as pessoas felizes".

Queiroz evitou comentar a polémica entre a seleção do Irão e o ex-futebolista e treinador alemão Jürgen Klinsmann, centrando as suas declarações na missão do futebol e no jogo com os Estados Unidos, agendado para esta terça-feira (19.00 horas).

O selecionador do Irão classificou o encontro como "muito especial", acrescentando: "Temos oportunidade de nos qualificarmos no último jogo, e isso deixa-nos muito orgulhosos. Não tenho dúvida de que seremos regulares e consistentes, e de que daremos o nosso melhor frente as Estados Unidos".

Carlos Queiroz qualificou o adversário como "uma equipa muito difícil e bem organizada, que também sonha com a presença nos oitavos".

Fora do relvado, a seleção iraniana, que na primeira jornada do grupo foi goleado pela Inglaterra (6-2) e na segunda bateu o País de Gales (2-0), tem protagonizado algumas polémicas.

No domingo, a Federação de Futebol do Irão queixou-se à FIFA das declarações de Jürgen Klinsmann, considerando que as mesmas são lesivas contra o país e pediu a sua demissão do grupo de estudos técnicos. "Disse que no jogo Irão-País de Gales, os jogadores 'trabalharam' o árbitro. Que isso não foi uma casualidade e que faz parte da cultura, da sua forma de jogar", refere o Irão, justificando que Klinsmann quis dizer que os jogadores pressionaram o árbitro.

No primeiro jogo no Mundial do Qatar, os futebolistas iranianos não cantaram o hino, como uma forma de apoio às vítimas das manifestações contra o governo daquele país, num momento de contestação social, ainda no seguimento da morte de Mahsa Amini, jovem curda de 22 anos, que faleceu três dias depois de ter sido detida pela polícia por supostamente ter quebrado o código de vestimenta.

Técnico dos EUA lamenta polémica com a bandeira do Irão

Por sua vez, Gregg Berhalter, selecionador dos Estados Unidos, pediu desculpa pela polémica causada por uma publicação nas redes sociais, que mostrava uma versão modificada da bandeira do Irão, sem o símbolo de Alá, a dois dias do confronto entre os dois adversários geopolíticos no Mundial 2022.

A US Soccer (federação americana de futebol) provocou um grande alvoroço, assumindo que a alteração na bandeira representava um gesto de solidariedade para com os protestos das mulheres iranianas. A publicação foi depois retirada após as reclamações da Federação Iraniana de Futebol, que apresentou uma queixa à FIFA exigindo sanções contra os EUA.

Na conferência de imprensa de antevisão da partida, Berhalter disse que os jogadores e a equipa técnica dos Estados Unidos ignoraram as publicações. "Não estamos focados nessas coisas externas e tudo o que podemos fazer é pedir desculpas em nome dos jogadores e da equipa, mas não foi algo da nossa responsabilidade", disse o selecionador, garantindo que "não tinha ideia do que a US Soccer fez". "O nosso foco está nesta partida e não quero parecer indiferente. É claro que os pensamentos estão com o povo iraniano, com todo o país e com todos. Mas a nossa atenção agora está apenas nesta partida", argumentou.

Os Estados Unidos e o Irão têm sido inimigos ideológicos há mais de 40 anos, rompendo relações diplomáticas após a Revolução Islâmica de 1979. O confronto desta terça-feira é apenas a terceira vez que os dois países se defrontam no futebol. As duas seleções lutam pela vitória, que as qualificará para os oitavos-de-final do Mundial.

Nesse sentido, Berhalter garantiu que a turbulência fora de campo entre os dois países não afetou a preparação da sua equipa.

A antevisão à partida foi, no entanto, quente com várias perguntas sobre questões sobre racismo, a forma como se pronuncia a palavra Irão e até sobre as restrições aos vistos para os iranianos que querem visitar os EUA.

"Não sei o suficiente sobre política, sou treinador de futebol", respondeu Berhalter a determinada altura, admitindo que compreende que outras pessoas têm "outros sentimentos" em relação a este jogo, frisando contudo que para a seleção americana "é apenas um jogo de futebol contra uma boa equipa". "Não é mais do que isso. Um jogo a eliminar entre duas boas equipas que querem passar à fase a eliminar", disse, sublinhando que para a sua equipa vencer a partida "não pode cometer os erros do passado".

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