Governo da Indonésia ordena que autores de tragédia em estádio sejam punidos

Presidente da equipa da casa assumiu total responsabilidade e pediu desculpa às vítimas e às suas famílias.

O governo da Indonésia pediu esta segunda-feira à polícia que identifique e puna os responsáveis pela tragédia num estádio que fez 125 mortos e 323 feridos, uma das mais mortais da história do futebol.

"Pedimos à polícia nacional que encontre os perpetradores que cometeram crimes nos próximos dias", disse o ministro-chefe da segurança da Indonésia, Mahfud MD, em comunicado.

"Pedimos-lhes que revelem quem cometeu os crimes e tomem medidas e também esperamos que a polícia nacional avalie os próprios procedimentos de segurança", acrescentou.

O incidente aconteceu num jogo de futebol entre o Arema FC e o Persebaya Surabay, do campeonato indonésio.

Os adeptos do Arema FC no estádio Kanjuruhan invadiram o relvado depois da sua equipa ter perdido por 3-2 para a equipa visitante e rival, Persebaya Surabaya. A polícia, que descreveu os distúrbios como "motins", disse que tentou levar os adeptos de volta às bancadas e disparou gás lacrimogéneo após dois polícias terem sido mortos. Muitas das vítimas foram pisadas ou sufocadas até a morte, segundo a polícia.

O porta-voz da polícia nacional, Dedi Prasetyo, disse que os investigadores estão a analisar imagens de câmaras de segurança em torno do estádio para identificar "suspeitos que cometeram a destruição".

Já o presidente do Arema FC, Gilang Widya Pramana, pediu desculpa pelo papel do clube na tragédia, num discurso emocionado: "Eu, como presidente do Arema FC, assumirei total responsabilidade pelo incidente ocorrido. Peço imensas desculpas às vítimas, às suas famílias, a todos os indonésios e à Liga 1."

O jornal Kompas publicou uma primeira página preta com a palavra "tragédia" e um estádio com os nomes das vítimas.

Do lado de fora do recinto, as pessoas fizeram este domingo à noite uma vigília para homenagear as vítimas.

Os grafites pintados nas paredes revelaram uma raiva borbulhante em relação às autoridades. "Os meus irmãos foram mortos. Investiguem minuciosamente", dizia uma mensagem rabiscada nas paredes do estádio, acompanhada por uma fita preta e a data do desastre. "ACAB", acrónimo para "todos os policiais são bastardos", foi pulverizado em outra parede.

Em Jacarta, centenas de adeptos reuniram-se do lado de fora do maior estádio do país no domingo para gritar "assassino, assassino".

O presidente indonésio Joko Widodo anunciou uma investigação, mas grupos de direitos humanos disseram que deveria ser independente e os oficiais deveriam ser responsabilizados pelo uso de gás lacrimogéneo numa área confinada.

"Pedimos às autoridades que conduzam uma investigação rápida, completa e independente sobre o uso de gás lacrimogéneo no estádio e garantam que aqueles que cometeram violações sejam julgados em tribunal", disse a Amnistia Internacional em comunicado.

Entretanto, uma petição online intitulada "A polícia deve parar de usar gás lacrimogéneo" reuniu quase seis mil assinaturas na manhã de segunda-feira.

Já o treinador do Arema FC, o chileno Javier Rocca, disse ao canal espanhol Cadena Ser que "os adeptos morreram nos braços dos jogadores". "Acho que a polícia ultrapassou os limites", frisou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG