Galo com 50 anos está a chegar ao fim à boleia do matador Hulk

Atlético Mineiro pode sagrar-se hoje campeão cinco décadas depois. Clube investiu forte em contratações de peso, casos de Hulk e Diego Costa. Treinador tem promessa para terminar.

A longa espera de 50 anos pode terminar hoje. Caso o Atlético Mineiro vença esta noite o Bahia (20.00, Canal 11), na antepenúltima jornada do campeonato, sagra-se campeão brasileiro. Um marco na vida do histórico clube de Belo Horizonte, que festejou pela última (e única) vez a conquista do troféu em 1971, na altura treinado por Telê Santana e sem grandes estrelas, contrariando o favoritismo do Santos de Pelé, do Corinthians de Rivelino, do Botafogo de Jairzinho e do São Paulo de Gérson.

De 2020 para cá tudo mudou. A direção do clube investiu forte graças à ajuda de um mecenas, que injetou dinheiro no Galo (assim é conhecido o Clube Atlético Mineiro). O investidor é Rubens Menin, conselheiro do clube, adepto fanático e engenheiro de profissão. Além de ser um dos fundadores da famosa construtora MRV, é presidente do Conselho do Banco Inter, da CNN Brasil, da LOG Commercial Properties, da Urbamais Desenvolvimento Urbano, da Menin Douro Estates e conselheiro na Abrainc. As suas empresas, juntas, valem milhões.

O Atlético Mineiro foi o clube brasileiro que mais investiu em reforços entre 2020 e 2021. Só nesta temporada chegaram ao Galo nomes de peso como o central Nathan Silva, o defesa esquerdo Dodô, o médio Tchê Tchê, o extremo Nacho Fernández. E ainda uma dupla atacante de peso, os avançados Hulk e Diego Costa (ex-At. Madrid), que só assinou em agosto. Com um plantel de luxo, capaz de rivalizar com o Flamengo, o Atlético Mineiro mostrou desde muito cedo as suas intenções - esta época foi campeão mineiro, chegou à final da Copa do Brasil e às meias-finais da Libertadores.

Liderados por Cuca, 58 anos, treinador que pegou no projeto em março, sete anos depois de uma passagem pelo clube, na qual conquistou a Taça Libertadores (venceram o Olimpia, do Paraguai, no desempate por penáltis), o Atlético Mineiro chega a esta altura com um registo de 24 vitórias, seis empates e cinco derrotas no Brasileirão, somando 78 pontos contra os 70 do Flamengo, segundo classificado. Ou seja, a uma vitória do título, que poderá acontecer esta noite caso vença no campo do Bahia.

A figura maior deste título anunciado do Galo tem sido Hulk, 35 anos, avançado que deixou a sua marca no FC Porto entre 2008 e 2012, antes de se transferir para o Zenit, da Rússia, e posteriormente para o Shanghai SIPG, da China. Apesar da idade, tem dado espectáculo nos relvados brasileiros, com 32 golos apontados até ao momento em todas as provas, 17 no Brasileirão (é o melhor marcador da prova), tendo ainda contribuído com várias assistências.

"Vê-se a história, 50 anos sem ganhar o Brasileirão, e vê-se a necessidade, o merecido pelo clube, pela grandeza. Sonho diariamente com este título. Se Deus nos abençoar e ganharmos o campeonato, será o título mais importante da minha carreira. São cinco décadas de espera", disse recentemente Hulk numa entrevista.

"Hoje bato no peito e posso dizer: sou atleticano. Amanhã ou depois, daqui a não sei quantos anos, vou olhar para trás e dizer: sou atleticano. Aprendi a ser atleticano como aprendi a ser portista. Pelo carinho, pela energia que contagia, vou ser atleticano para sempre", jurou aquele que ainda hoje é a venda mais cara da história do FC Porto.

Uma promessa para terminar

Caso se concretize a festa, o treinador Cuca poderá ter de se fazer à estrada. Há 50 anos, quando o Galo se sagrou campeão pela única vez, o então treinador Telê Santana cumpriu parte de uma promessa: caminhar a pé até uma Igreja em Congonhas, num trajeto de cerca de 70 quilómetros, partindo de Belo Horizonte. Só que apenas cumpriu parte do prometido - terá caminhado só metade do trajeto e feito o restante num carro da Polícia Rodoviária Federal.

Por isso, nas últimas cinco décadas, pairou uma espécie de maldição sobre o clube - neste espaço temporal, o Atlético Mineiro foi vice-campeão em cinco ocasiões, nunca alcançando o tão ambicionado título. Cuca terá agora a oportunidade (já deixou no ar a possibilidade) de terminar a promessa feita por Têle Santana há 50 anos. E até tem a bênção do filho do antigo treinador: "Seria uma homenagem justa e providencial ao técnico que foi o primeiro campeão brasileiro pelo Atlético. Seria um grande gesto à memória do Telê."

Apesar de apenas ter sido campeão brasileiro uma única vez, passaram pelo Galo grandes craques brasileiros, casos de Ronaldinho Gaúcho, Reinaldo, Toninho Cerezo, Dadá Maravilha, Luizinho e Marques. Mas agora é hora de Hulk, Diego Costa e companhia fazerem história. Caso não vençam hoje o Bahia, têm uma nova oportunidade na sexta-feira (caso o Flamengo escorregue), ou no domingo, quando receberem o Bragantino.

nuno.fernandes@dn.pt

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