Futebol de ataque, posse e muita pressão. As ideias de Roger Schmidt para o Benfica

SAD benfiquista anunciou ontem princípio de acordo com o técnico alemão. Pedro Bouças enumera ao DN as principais ideias de jogo do treinador e prevê que os atuais médios das águias são os que irão sentir mais dificuldades.

Rui Costa, presidente do Benfica, deslocou-se ontem à Alemanha para ultimar o acordo com o treinador alemão Roger Schmidt, 55 anos, que ainda está vinculado ao PSV Eindhoven, mas que termina contrato com o emblema dos Países Baixos no final da época. Antes do almoço, a SAD benfiquista informou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) de que as partes tinham chegado a "um princípio de acordo", mas que as negociações ainda decorrem. A duração do contrato, apesar de não ter sido revelada, será de duas temporadas. Schmidt vai mesmo suceder a Veríssimo na próxima época.

O Benfica será o oitavo clube do técnico que teve algum sucesso na Áustria e nos Países Baixos, que tem fama de de ser um treinador de cariz ofensivo, de apostar em jovens e que no palmarés ostenta apenas um título de campeão - ao serviço do Salzburgo, em 2013-14. Pelos austríacos venceu ainda uma Taça, título que também ganhou na China, pelo Beijing Guoan, e, mais recentemente, nos Países Baixos, no comando do PSV.

Na sua única experiência na Bundesliga, o alemão passou três épocas no Bayer Leverkusen, mas, apesar de ter alcançado por duas vezes a qualificação para a Liga dos Campeões, nunca se intrometeu na luta pelo título e abandonou o clube sem troféus. Além dos clubes já mencionados, o técnico germânico, que como jogador alinhava como médio, treinou ainda o Delbrücker SC, o Preussen Munster e o Paderborn.

As ideias de jogo

Conhecido por ser um treinador ofensivo, Roger Schmidt chegou a ultrapassar a barreira dos 100 golos numa só época pelo Salzburgo (110) e apresenta uma média de dois marcados por jogo em praticamente todos os clubes em que passou. Mas também é verdade que as suas equipas costumam sofrer muitos golos.

"O habitual nas equipas treinadas pelo Roger Schmidt é defenderem num 4X4X2 e atacarem num 4X2X3X1, ou seja, há ali um papel de um segundo avançado, que curiosamente encaixa bem no que o Gonçalo Ramos tem feito no Benfica esta temporada", começa por explicar Pedro Bouças ao DN.

"As equipas do Roger Schmidt não são nada de expectativa, não têm nada a ver, por exemplo, com aquilo que o Benfica fez em Alvalade contra o Sporting. São equipas que no momento defensivo são muito pressionantes, a querer roubar rapidamente a bola ao adversário para assumir o jogo em posse. São equipas que precisam de ter uma dimensão física importante, com bola no meio campo ofensivo, a pressionar a todo o instante, a querer recuperar rápido a bola", acrescentou o treinador e criador do site "Lateral Esquerdo".

Pedro Bouças adverte que as equipas de Schmidt "a atacar têm sempre muita gente em zona de finalização, extremos por norma verticais, fortes no um contra um, uma equipa que quando ataca deixa os dois centrais e os dois médios atrás da linha de bola e projeta os restantes jogadores à frente". "É uma filosofia de um futebol intenso, veloz, vertical e até vertiginoso", indica.

Para o comentador do Canal 11, os jogadores que à partida terão mais dificuldades em adaptar-se às ideias do alemão serão os médios centro. "Na minha opinião não têm aquilo que a forma de jogar que Roger Schmidt pede, nomeadamente a capacidade de pressão num raio de ação largo. Todos eles vão ter dificuldades", assinala.

"Os próprios extremos... o Rafa é vertical e forte no um para um, mas na equipa do Benfica não sei se não faltará um extremo com outras características. Já o Gonçalo Ramos e o Darwin, a continuarem no plantel, são claramente jogadores importantes e interessantes para o estilo de jogo do treinador alemão", analisa Bouças.

Pode não vir sozinho do PSV

Curiosamente, ontem, a imprensa holandesa falou na possibilidade de o técnico poder pedir a contratação de dois jogadores do PSV: o alemão Mario Götze e o internacional mexicano Erick Gutiérrez, ambos médios.

Segundo o jornal "Eindhovens Dagblad", Roger Schmidt deverá também fazer-se acompanhar de dois técnicos adjuntos: Jörn Wolf , que o acompanha Schmidt desde os tempos do Bayer Leverkusen, o o preparador físico Benjamin Kugel e Jens Wissing, atual adjunto de Schmidt no PSV.

Recorde-se que a saída do alemão do emblema neerlandês já estava decidida desde o início de fevereiro, mês em que o PSV anunciou que o técnico não quis renovar contrato. O nome do sucessor, inclusivamente, foi revelado pouco tempo depois: trata-se de Ruud van Nistelrooy, antigo internacional pelos Países Baixos.

A três jornadas do final da liga neerlandesa, o PSV é segundo classificado, a quatro pontos do líder Ajax. Ou seja, matematicamente, Schmidt ainda tem hipóteses de ser campeão.

nuno.fernandes@dn.pt

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