Fato da Champions ainda está largo mas leão até deu luta

Depois do desastre frente ao Ajax, desta vez a equipa de Rúben Amorim deu uma boa imagem frente ao Borussia de Dortmund, apesar da derrota pela margem mínima

A Alemanha continua a ser um país maldito para o Sporting. A derrota desta terça-feira em Dortmund foi a 13ª em 14 partidas lá disputada mas, ainda assim, os leões deixaram uma boa imagem no Signal Iduna Park, perdendo pela margem mínima numa dos poucos erros da defesa, que soube muito bem o que fazer para controlar os dianteiros da casa. É certo que o desaire acaba, praticamente, com as esperanças do clube de Lisboa em passar aos oitavos mas a verdade é que o "fato" da Liga dos Campeões ainda está um pouco largo a uma equipa jovem e com pouca experiência - as duas partidas que se seguem, frente ao Besiktas, mostrarão se consegue dar mais um passo em frente e colocar-se em boa posição na luta pelo terceiro posto e consequente passagem à Liga Europa.

Depois da catástrofe da primeira jornada, Rúben Amorim já pôde contar com o capitão Sebastián Coates e fez duas alterações em relação ao onze que escolheu na última jornada da Liga frente ao Marítimo. Rúben Vinagre, que não tem estado bem e foi trucidado frente ao Ajax, cedeu o posto na esquerda a Matheus Reis, enquanto Nuno Santos deu o seu lugar a Tiago Tomás - o jovem avançado mostrou-se mais comprometido defensivamente, sempre pronto a recuar e ajudar o lateral esquerdo.

Do lado alemão, o grande destaque foi mesmo a ausência, por lesão, do goleador norueguês Haaland (21 golos em 17 partidas na Champions!) - já Marco Reus recuperou e foi titular. Ainda assim, Marco Rose voltou a sofrer uma contrariedade logo aos três minutos, quando Dahoud se magoou numa disputa com Matheus Nunes e teve de sair. Os alemães ainda jogaram perto de cinco minutos com um homem a menos mas, nesse período, o conjunto português apenas chegou uma vez com perigo à baliza de Kobel, quando um centro de Pedro Porro quase apanhava Paulinho, que se lançou em carrinho mas não conseguiu desviar a bola.

Os receios leoninos não se concretizaram e a verdade é que a equipa foi conseguindo manter o controlo do jogo, atuando num bloco baixo que foi perturbando as trocas constantes da equipa da casa. Uma falha de Coates, cujo corte saíu em rosca para trás, permitiu ao Dortmund pregar um pequeno susto, mas o passe de Thorgan Hazard também não saiu bem e o remate de Reus foi inofensivo.
Uma bom lance de Paulinho, ganhando no duelo físico a Hummels, podia ter sido melhor aproveitado, mas Tiago Tomás não teve força para impor o corpo - na saída do Dortmund, um erro do experiente central voltou a deixar a bola ao alcance do ex-Sp. Braga mas este acabou por rematar para a bancada, em boa posição.

Quatro toques e golo

Com o passar do tempo, o Borussia Dortmund foi empurrando mais o Sporting para trás, mesmo sem criar muito perigo - e quando o conseguia, a linha de fora de jogo da defesa leonina acabava por anular o lance. Com cinco remates contra um dos alemães, a equipa de Rúben Amorim voltou a mostrar as suas fragilidades quando é atacada pela zona central e os alemães chegaram mesmo ao golo, à passagem do minuto 37. Mais simples não podia ser: Akanaji na zona defensiva colocou em Bellingham, este tocou de primeira para Mallen que se desmarcou entre Coates e Feddal e, depois de ajeitar a bola com um toque, chutou cruzado sem hipóteses para Adán - foi o 12º jogo consecutivo a sofrer golos fora de Alvalade na Liga dos Campeões, pior registo do clube na história.

Na segunda metade, a toada do encontro não se alterou muito. Entraram melhor os homens da casa, mas o Sporting - sempre muito competente na hora de colocar os dianteiros contrários em posição irregular - acabou por reagir e, durante alguns períodos, conseguir mesmo chegar-se à frente. Mas, no último terço, e sem a capacidade finalizadora de Pedro Gonçalves, os leões mostram pouco poder de fogo, não sendo capazes de aproveitar o volume de jogo. Como sucedeu aos 63 minutos, quando a equipa desenhou um bom lance ofensivo que morreu após o cruzamento de Porro ter sido afastado pela defesa alemã.

Amorim já tinha lançado Nuno Santos para o lugar de TT e faria o mesmo com Jovane (rendeu Sarabia) mas a verdade é que ofensivamente a equipa nunca foi prática e eficaz. O lance de Paulinho aos 83 minutos foi o melhor exemplo, com o dianteiro a não conseguir atrasar de cabeça para o remate de João Palhinha depois de um bom lance. Acabou por pagar o preço: podia ter conseguido um empate, saiu com um sorriso amarelo. "Falta-nos peso", lamentou-se o técnico no final.

dnot@dn.pt

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