Ex-presidente do Barcelona e mais quatro dirigentes detidos

Polícia espanhola fez buscas na sede do clube e deteve Bartomeu e mais quatro dirigentes. Em causa a contratação de uma empresa para denegrir a imagem e criticar jogadores e familiares nas redes sociais. Messi e Piqué os principais visados.

O ex-presidente do Barcelona foi detido esta manhã no âmbito no Barçagate. Além de Josep María Bartomeu, foi ainda detido o atual CEO do emblema catalão, Óscar Grau, o responsável pelos serviços jurídicos do clube, Román Gómez Ponti e ainda Jaume Masferrer, assessor da confiança do ex-presidente.

O ex-líder catalão é apontado como principal responsável pelo Barçagate. Em fevereiro de 2019, a Cadena SER noticiou que o Barcelona havia contratado uma empresa para denegrir a imagem e criticar jogadores e familiares nas redes sociais.

Bartomeu foi obrigado a demitir-se em outubro e marcar eleições antecipadas - 7 de março - depois de Messi ameçar deixar o clube e já depois de ser relacionado com a contratação da empresa a I3 Ventures, no final de 2017. A empresa do empresário argentino Carlos Ibáñez terá criado seis contas falsas no Facebook para desacreditar, difamar e questionar personalidades como Messi e Piqué e as suas famílias.

Terá sido a empresa a preparar o caminho para a chegada do famoso burofax, em que o argentino pede a rescisão unilateral. Temendo que isso pudesse acontecer e depois de devidamente instruída para isso, a empresa começou a lançar notícias desfavoráveis ao argentino. A ideia era mostrar que ele era ingrato e que se preparava para trair o clube. A mulher do argentino, Antonella, foi uma das principais visadas.

No caso do capitão a opção foi por atacar a sua faceta de empresário e a compatibilidade com a vida de jogador. Na altura, Piqué considerou o caso como "ultrajante" e pediu explicação ao então presidente: "Pedi-lhe explicações e o que ele me disse foi:" Gerard, eu não sabia. "E acreditei. Bom, depois percebes em ações futuras, que o responsável pela contratação desses serviços continua no clube... "

Além das estrelas da equipa havia outros alvos, figuras de relevo como Guardiola, Puyol e Xavi e a ainda Joan Laporta e Victor Font, ex-dirigentes do clube e agora candidatos a presidente do Barcelona, juntamente com Toni Freixa. Quando o escândalo rebentou, Bartomeu negou todas as acusações o caso originou sete despedimentos e demissões na cúpula blaugrana dando origem a uma crise institucional e desportiva que ainda não acabou.

Tudo com a finalidade de defender a reputação do então presidente, do conselho de administração e da marca Barcelona. Para isso também foram usadas dezenas de contas falsas no Twitter de um banco de dados da Nicestream (a empresa-mãe da I3 Ventures, também de propriedade de Carlos Ibáñez), segundo noticiou o El País em fevereiro. O pagamento de um milhão de euros foi feito em tranches inferiores a 200 mil euros para evitar que tivessem de ser aprovadas pelo conselho de administração, segundo a Imprensa espanhola.

Para acalmar as hostes catalães o próprio clube pediu uma auditoria externa, realizada pela PriceWaterHouseCoopers, que absolveu parcialmente o clube: "Nenhuma campanha difamatória contra ninguém foi contratada pela diretoria do Barcelona", segundo o porta-voz da entidade, Josep Vives, adiantando que não foi detetada "nenhuma evidência" ou "nenhuma conduta corrupta ou benefício económico" e que os serviços contratados estavam "dentro do preço de mercado".

Apesar disso, um grupo de oito sócios da plataforma Dignitat Blaugrana apresentou uma denúncia, que foi admitida por um juiz de Barcelona em junho do ano passado e que agora avançou, com uma investigação. Os dirigentes do Barça são suspeitos de corrupção e delito económico e ainda acusados de administração desleal e corrupção entre particulares e de campanha de desprestígio de pessoas vinculadas à instituição.

Desde que Bartomeu se demitiu, o Barcelona tem sido liderado por uma Junta de Gestão, liderada por CEO Òscar Grau, que também foi detido esta segunda-feira.

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