Djokovic-Nadal. Será o último duelo onde tudo começou há 16 anos?

Ao início da noite, em Paris, espanhol e sérvio jogam pela 59.ª vez. Será em Roland Garros, onde tiveram o primeiro duelo. Nadal já admite que o adeus está próximo, devido aos problemas físicos.

Rafael Nadal e Novak Djokovic têm encontro marcado para o final da tarde desta terça-feira (18.45 horas) nos quartos-de-final do Roland Garros, em França. Um encontro entre dois dos maiores símbolos do ténis atual, que até já começou fora do court, uma vez que o espanhol não queria jogar ao anoitecer, tal como havia agendado a organização, e por essa razão solicitou a mudança de horário, o que não foi concedido. "Não gosto de jogar em terra batida durante a noite, porque a humidade é mais alta, a bola fica mais lenta e as condições podem tornar-se duras, especialmente quando está frio", argumentou Nadal, enquanto Djokovic deu a entender que pretendia jogar o mais tarde possível: "Eu faria um pedido diferente de Rafa."

Pois bem, o sérvio ganhou esta pequena batalha e vai entrar para o 59.º duelo entre ambos em aparente vantagem. Curiosamente, a primeira vez que as duas estrelas do ténis mundial se encontraram foi, precisamente, nos quartos-de-final do Roland Garros. Já lá vão quase 16 anos. Foi a 7 junho de 2006, numa partida que terminou após dois sets devido a uma lesão nas costas do ainda teenager Djokovic (19 anos). Nadal, então com 20 anos, vencia por 6-4 e 6-4 após duas horas de jogo, mas o sérvio dava-lhe luta e quando chegou o momento de desistir recebeu uma grande ovação do público e do próprio tenista espanhol. Era o primeiro sinal de uma rivalidade entre dois tenistas que iriam marcar os anos seguintes, juntamente com o suíço Roger Federer, que Nadal acabaria de derrotar na final dessa edição de 2006 do Roland Garros.

O jogo de hoje será, portanto, uma espécie de regresso ao passado e poderá, até, ser o último no torneio francês, afinal os dois tenistas já têm as marcas de uma longa carreira no circuito ATP e Nadal até já deixou entender que o adeus pode estar para breve. Esse foi o sinal que deu após vencer dificilmente (3-2) o canadiano Felix Auger-Aliassime na última ronda. "Conheço bem a minha situação, aceito-a e não posso queixar-me. Estou a gostar de estar aqui mais um ano e, honestamente, cada jogo que faço não sei se será o último", lembrou Rafael Nadal, que continua a ser atormentado por uma lesão crónica num pé, que voltou a dar sinal no Masters de Roma. "Não sei o que pode acontecer no futuro próximo", avisou o espanhol.

Apesar dos problemas físicos, Nadal (5.º do ranking ATP) vai procurar oferecer a si mesmo a prenda do seu 36.º aniversário, que vai festejar na sexta-feira, enquanto Djokovic (número 1) tentará aumentar a vantagem que leva nos duelos entre ambos: o sérvio tem 30 vitórias e o espanhol soma 28.

A verdade é que Nadal está no seu torneio de eleição, afinal é o recordista de triunfos com 13 títulos conquistados, enquanto Djokovic só ganhou duas vezes. Em Roland Garros, o espanhol conta com sete triunfos em nove duelos frente ao sérvio, enquanto em terra batida a vantagem é também esmagadora com 19-8. A favor de Djokovic está o facto de ter batido Nadal nas meias-finais de 2021, na caminhada para o segundo título em Paris.

Djokovic alerta para "batalha"

Sé é certo que Nadal sofreu apenas três derrotas em 112 encontros em Roland Garros, Djokovic vai entrar no court Philippe-Chatrier com a motivação de estar numa série de 22 sets consecutivos a vencer, que lhe permitiram vencer em Roma.

Ainda assim o sérvio reconhece que o espera um duro confronto com Rafael Nadal. "É sempre uma batalha física. Trata-se de um grande desafio, provavelmente, o maior que se pode ter no Roland Garros", disse o tenista sérvio, que tem em Paris a grande oportunidade de igualar os 21 triunfos do espanhol em torneios do Grand Slam, mas se conseguir apurar-se para as meias-finais, Djokovic já sabe o espera outra dura batalha, afinal do outro lado estará o vencedor do encontro entre o alemão Alexander Zverev (3º do ranking) e o espanhol Carlos Alcaraz (6.º), a grande sensação da temporada, que aos 19 anos já se tornou o mais jovem de sempre a chegar aos oitavos de final em Paris, depois de Djokovic, naquele ano de 2006 em que teve de desistir no primeiro duelo da história com Nadal.

carlos.nogueira@dn.pt

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG