Diogo Costa foi a única injeção de sangue novo no onze de Santos

Nos 15 meses após o Euro 2022, Portugal fez 12 jogos, nos quais o selecionador apostou na mesma base de jogadores, com destaque para sete campeões da Europa em 2016. Foram lançados cinco caras novas, mas só o guarda-redes do FC Porto foi aposta consistente.

O guarda-redes Diogo Costa é a exceção que confirma a regra. O selecionador Fernando Santos mantém-se fiel aos jogadores com mais tempo de seleção. No pós-Euro 2020, no qual a equipa das quinas foi eliminada pela Bélgica nos oitavos-de-final, o dono da baliza do FC Porto foi o único a conquistar um lugar no onze, contabilizando, ainda assim, o mesmo número de minutos de Rui Patrício.

Ou seja, quinze meses depois da frustrante eliminação na fase final do Europeu, o selecionador nacional manteve praticamente intacta a mesma estrutura da equipa para os 12 jogos a contar para a Liga das Nações e de qualificação para o Mundial 2022, promovendo - além de Diogo Costa - as estreias dos médios Matheus Nunes, Vitinha e Otávio e do avançado Rafael Leão. Contudo, nos 12 jogos oficiais realizados estes quatro jogadores tiveram escassa utilização, com Otávio a ser o mais utilizado com 362 minutos, muito longe dos 893 de Danilo Pereira, o atleta com maior tempo de utilização (ver quadro).

De resto, se tivermos em conta os 26 convocados que estiveram no Euro 2022, registaram-se, além dos cinco estreantes, as entradas de João Cancelo, que não esteve no Europeu por ter contraído covid-19, Mário Rui, Ricardo Horta e João Mário, que regressaram aos eleitos após longo período de ausência.

Quanto a saídas, os guarda-redes Anthony Lopes e Rui Silva, que não foram utilizados no Europeu, perderam espaço, enquanto Pedro Gonçalves, Sérgio Oliveira e Rafa Silva não contabilizaram qualquer minuto nos últimos 15 meses, sendo que o extremo do Benfica anunciou na semana passada a renúncia à equipa das quinas.

Tendo em conta os jogadores que se sagraram campeões da Europa em França, em 2016, Fernando Santos mantém um lote de sete futebolistas do qual não abdica nas suas listas de convocados: Rui Patrício, Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho, Danilo Pereira, William Carvalho e Cristiano Ronaldo, dos quais todos contabilizaram mais 300 minutos no pós-Euro 2020. José Fonte, João Mário e Renato Sanches também estiveram na maior conquista do futebol português, mas são agora chamados de forma mais intermitente por Fernando Santos.

Ronaldo questionado

As críticas ao selecionador nacional subiram de tom quando em novembro a equipa das quinas falhou o acesso direto ao Mundial do Qatar, ao perder na Luz com a Sérvia, nos instantes finais, quando lhe bastava apenas um empate. O apuramento por via do play-off acalmou os ânimos, só que a história repetiu-se na terça-feira em Braga, com a Espanha a marcar o golo do apuramento para a fase final da Liga das Nações nos intantes finais.

Os números de utilização de jogadores comprovam o conservadorismo de que Fernando Santos é acusado pelos críticos, sendo o caso de Cristiano Ronaldo aquele que salta mais à vista. Isto porque o avançado, que perdeu a titularidade no Manchester United, mostrou não estar em forma nos jogos com a República Checa e a Espanha, desperdiçando algumas boas oportunidades para marcar.

Aliás, um pouco por toda a Europa se questionou o facto de CR7 ter completado os dois jogos da equipa das quinas, tendo o antigo futebolista italiano Antonio Cassano sugerido que chegou a hora de se retirar: "O Cristiano deve fazer um favor a si mesmo e perceber que, se não atinge um certo nível, deve fechar a loja. Ganhou tudo, foi um fenómeno, mas agora tem de parar senão só vai dar com o banco de suplentes."

A menos de dois meses do pontapé de saída no Mundial com o Gana (24 de novembro), Ronaldo atravessa um dos piores momentos da carreira e a sua forma aos 37 anos começa a levantar já muitas dúvidas. As críticas somam-se e até a irmã de Ronaldo já veio defendê-lo através das redes sociais: "O português cospe no prato que come, sempre foi assim."

O Mundial do Qatar surge agora como uma espécie de tábua de salvação de Ronaldo, mas também de Fernando Santos. Afinal, um novo fracasso deverá ter consequências imprevisíveis...

carlos.nogueira@dn.pt

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