Casas grátis na Venezuela. Ordem de prisão no Zimbabwe

Resultados no Rio provocaram reações diversas. Maduro elogia revolução bolivariana, Mugabe quer "ratazanas" presas

A importância dos Jogos Olímpicos ultrapassa em muito as fronteiras do desporto, é um facto histórico. No desempenho dos atletas, vários países tentam projetar as supostas virtudes dos respetivos sistemas políticos e os resultados são muitas vezes acenados como bandeira de propaganda. Mas, claro, nem sempre as coisas correm como esperado. Cara e coroa do desempenho olímpico que podem suscitar reações tão diversas quanto aquelas que a Venezuela e o Zimbabwe mostraram nestes últimos dias.

Se em Portugal houve lugar a alguma desilusão face à prestação dos atletas nacionais no Rio 2016, por ter resultado apenas numa medalha de bronze (Telma Monteiro) apesar de a comitiva portuguesa ter até obtido a segunda melhor pontuação de sempre, no Zimbabwe a reação foi muito mais extremada. Robert Mugabe, o ditador de 92 anos que preside ao país africano há quase trinta (desde 1987), terá mesmo dado ordem de prisão a todos os 31 atletas que voltaram do Rio de Janeiro sem qualquer medalha para o país, segundo notícias difundidas por agências noticiosas africanas.

"Gastámos dinheiro nestas ratazanas a que chamámos atletas. Se não estão prontos a sacrificar-se e a conquistar medalhas porque é que vão gastar o nosso dinheiro?", criticou Mugabe, que terá ameaçado os atletas de obrigá-los a "devolver ao país o dinheiro que gastaram como turistas em férias no Brasil, nem que sejam precisos dez anos." "Vamos encarar isto como um empréstimo que lhes fizemos", afirmou.

A nadadora Kirsty Coventry, campeã olímpica em 2004 e 2008, e uma dos 31 atletas do Zimbabwe nos Jogos do Rio, garantiu no entanto ao jornal francês Le Figaro que regressou bem ao país, sem incidentes.

Maduro dá casas e dinheiro

Já em Caracas, capital da Venezuela, Nicolas Maduro recebeu em festa os seus 87 atletas, que regressaram do Rio com três medalhas (uma prata e dois bronzes). E, apesar da galopante inflação num país onde escasseiam bens essenciais e se pode demorar mais tempo numa fila de supermercado do que a correr uma maratona, o presidente venezuelano prometeu habitação gratuita para todos os olímpicos, além de um prémio (não especificado) em dinheiro. "Dólares", garantiu, pois o bolívar local perde valor a pique dia após dia - no mesmo dia das promessas de Maduro, ficou a saber-se que o preço dos bens essenciais subiu 773 por cento num ano, diz o Washington Post.

Maduro atribuiu os resultados olímpicos à "revolução bolivariana" encetada pelo seu antecessor Hugo Chávez e prometeu um aumento de 50 por cento nos fundos para a preparação olímpica, com vista aos Jogos de Tóquio 2020.

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