Benfica alvo de buscas pede rapidez na conclusão do processo

Procuradoria confirma investigação de crimes de corrupção ativa e passiva por parte de um suspeito no caso dos e-mails

Mais de quatro meses depois da denúncia anónima que chegou a 8 de junho deste ano ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) - dois dias após o diretor de comunicação do FC Porto, Francisco J. Marques, ter divulgado os primeiros e-mails no Porto Canal -, a Polícia Judiciária entrou em ação de uma forma efetiva e efetuou ontem buscas em diversos locais, entre os quais o Estádio da Luz, a residência do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e ainda nas casas de Pedro Guerra, ex-diretor de conteúdos da BTV, e do assessor jurídico da SAD do Benfica, Paulo Gonçalves.

Em causa estará uma alegada influência do clube encarnado em matéria de arbitragem no futebol português, o famoso caso dos e-mails tornados públicos por Francisco J. Marques, diretor de comunicação do FC Porto. Nas buscas, que se prolongaram durante a tarde no Estádio da Luz, foram recolhidos documentos que terão interesse para a investigação. Segundo informação divulgada pela SIC Notícias, mas não confirmada pelo DN, Luís Filipe Vieira e Paulo Gonçalves terão acompanhado as buscas e, segundo fonte encarnada, foram disponibilizadas todas as informações solicitadas pelas autoridades.

Em comunicado divulgado pela Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) ontem por volta do meio-dia, foi confirmada a emissão de mandados de busca domiciliária e não domiciliária, no âmbito de uma investigação em curso pelos crimes de corrupção passiva e ativa, por parte da nona secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa.

Nesse sentido, foi esclarecido que "no inquérito" em curso "investiga-se a prática, por parte de um suspeito, dos crimes de corrupção ativa e passiva relacio-nados com os denominados e-mails do Benfica". Não é, no entanto, esclarecido se o suspeito será uma pessoa ou uma entidade coletiva.

Gonçalves arguido por força da lei

Pouco depois da comunicação do PGDL, foi a vez de o Benfica confirmar a presença do Ministério Público na Luz através de um comunicado, em que classifica as operações como "tardias" e "normais", lembrando que "desde o primeiro momento" a SAD "requereu e disponibilizou-se a fornecer toda a informação necessária a um cabal esclarecimento de toda esta situação, reiterando a sua total colaboração ativa nos trabalhos para o apuramento da verdade".

Nessa nota, foi ainda lançado um apelo "a uma rápida e urgente investigação para defesa do seu bom-nome, responsabilização de quem sistematicamente tem cometido diversos crimes e no sentido da normalização institucional do futebol português".

O mesmo desejo foi expresso por João Correia, representante da equipa de advogados do Benfica neste processo que, à BTV deixou uma expressão curiosa: "Até que enfim que cá vieram." "O único meio de se comprovar se as acusações que têm sido feitas são verdadeiras ou falsas era que a Judiciária cá viesse", assumiu o jurista dos encarnados, formulando um desejo: "Oxalá agora concluam rapidamente se há ou não corrupção por parte do Benfica. Se se comprovar que foram praticados atos ilícitos, o Benfica tem de ser punido. Se se provar o contrário alguém terá de ser fortemente penalizado."

João Correia aproveitou para lembrar que "o sistema informático do Benfica foi invadido", o que disse ser "crime", expressando a sua estranheza pelo facto de "até agora não se ter passado nada nesse âmbito". O advogado deixou ainda a certeza de que "o Benfica não foi constituído como arguido". Esse estatuto foi aplicado a Paulo Gonçalves, assessor jurídico do clube da Luz, na sequência de um imperativo legal que decorre do estatuto da Ordem dos Advogados, sempre que um jurista fornece informação no âmbito de um processo. Foi por essa razão que um elemento da Ordem esteve presente nas buscas da PJ. Esta será uma forma de proteger o seu segredo profissional.

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