VAR protagonista do clássico que deixou o Sporting à beira do título

Jogo grande da 31.ª jornada terminou empatado (1-1). Dragões estão em vantagem na luta pelos milhões da entrada direta na Champions. Artur Soares Dias anulou um golo e dois penáltis a favor dos encarnados.

Tudo na mesma como a lesma! O ditado popular que simboliza a frustração de nada mudar assenta que nem uma luva ao clássico da 31.ª jornada da I Liga. Esta quinta-feira, Benfica e FC Porto empataram no Estádio da Luz (1-1) e deixaram o Sporting a dois pontos do título, a três jornadas para o fim do campeonato.

É o 49.º empate em 174.º clássicos para o campeonato desde o primeiro da história em 1931 (68 vitórias portistas contra 57 dos encarnado).

Com o título encaminhado há muito para os lados de Alvalade - a festa até já está a ser preparada, segundo o secretário de Estado do Desporto - o clássico centrou-se na luta pelo segundo lugar e os milhões da entrada direta na Liga dos Campeões 2021-22 (o 3.º classificado da I Liga terá de disputar pré-eliminatórias). O valor depende de quem for o apurado, mas pode chegar perto dos 50 milhões de euros. Garantidos estão cerca de 35 milhões do prémio de participação e de desempenho no ranking UEFA a dez anos.

Havia demasiado em jogo, mesmo que o objetivo fosse menos importante do que aquele a que estão habituados. Há 19 anos que dragões e águias dividem a glória entre si. Para lá de uma rivalidade visceral e centenário o Benfica-FC Porto estava reduzido na sua importância para os envolvidos, mas não decidiu nada... tirando a data da possível festa leonina. Pode ser já na segunda-feira, se o FC Porto não vencer o Farense ou na terça-feira se o Sporting ganhar ao Boavista.

A verdade é que já houve clássicos mais bem jogados, mas a emoção que caracteriza os duelos entre dragões e águias não faltou à chamada. Teve golos, indefinição no resultado, penalties reclamados (e até dois revertidos pelo VAR e o árbitro), nervos, polémica... No fim o empate castigou ambas as equipas, não pelo que fizeram neste jogo, mas pelo que não fizeram durante a época. Benfica e FC Porto também tinham empatado (1-1), na primeira volta do campeonato, já depois do FC Porto ter conquistado a Supertaça Cândido de Oliveira frente ao rival lisboeta.

Sérgio, poste, penáltis e arbitragem protagonista

Uma providência cautelar aceite pelo Tribunal Arbitral do Desporto suspendeu o castigo de 21 dias aplicado a Sérgio Conceição e permitiu ao técnico orientar o FC Porto na Luz. Ele optou por um meio-campo a dois e Luís Díaz (como Jesus tinha previsto) no lugar do lesionado Corona. Desta forma alargou a frente de ataque e obrigou Otávio a dar equilíbrio ao meio campo ofensivo.

Apesar de ter ficado arredada matematicamente do título com a vitória do Sporting na última jornada, a equipa do Benfica foi recebida por vários adeptos nas imediações do Estádio da Luz. Jesus tinha avisado que a estratégia não dependia da ausência ou não de Corona e apostou no esquema habitual com três centrais e com Everton Cebolinha e Rafa no apoio a Seferovic. Pizzi acompanhou Weigl no centro do terreno.

O início do jogo foi faltoso, cauteloso e com pouca fluidez, mas com mais atrevimento portista. Um remate de Uribe e uma grande penalidade reclamada por Marega antes dos dez minutos de jogos pareciam inclinar o campo para o lado dos campeões em título, mas seria o Benfica a inaugurar o marcador na primeira oportunidade que teve.

Aos 23 minutos Everton Cebolinha passou por dois adversários pela esquerda, tabelou com Rafa e rematou à entrada da área para o golo. Em desvantagem os portista ameaçaram o empate por algumas vezes. Aos 33 minutos Marega acertou no poste!

Antes do intervalo um lance polémico que teria influência no resultado. Rafa caiu à entrada da área, o VAR analisou e o árbitro apontou para a marca de penálti, mas Artur Soares Dias anulou a decisão e marcou fora de jogo ao benfiquista no início da jogada. E assim o jogo foi para o intervalo com o Benfica em vantagem magra (1-0).

No segundo tempo houve mais equilíbrio na posse de bola e nas oportunidades e com o árbitro a assumir-se novamente como protagonista. Pela segunda vez no jogo reverteu uma decisão de penálti favorável aos encarnados. Jesus, que na antevisão tinha elogiado o árbitro e pedido aos juízes que assumissem as decisões polémicas, não deve ter gostado muito que Soares Dias o fizesse logo neste clássico.

Já depois de Uribe fazer o empate aos 75 minutos, o VAR voltou a intervir e anulou um golo a Darwin... aos 94 minutos, impedindo o triunfo das águias.

"Vergonhoso", segundo o ex-dragão Otamendi

Mal acabou o jogo Otamendi correu para o Twitter. "Vergonhoso", escreveu o ex-dragão, aludindo-se às decisões polémicas do árbitro. Já para Jorge Jesus o árbitro "teve influência no resultado" e devia ter expulso Pepe. Depois confessou "frustração pelo resultado" e admitiu que o resultado serve mais "os interesses do FC Porto do que o Benfica". Os dragões mantêm a vantagem de quatro pontos para os encarnados.

Sérgio Conceição não falou. Apesar de ter o castigo suspenso, o treinador optou por não falar e foi Vítor Bruno a dar voz à resignação portista, após o clássico, dizendo que ficar em segundo ou terceiro não é importante e aludindo a outros campeonatos: "O grande objetivo ficou comprometido, mas na Champions ganhámos a uma equipa que está na final [Chelsea] e empatámos com o outro finalista [Manchester City], que tem um percurso com 11 vitórias. Isso demonstra um pouco a qualidade dos jogadores que temos no nosso plantel."

Jesus invicto contra Sérgio Conceição em casa

O FC Porto tem sido a besta negra de Jorge Jesus ( 25 derrotas, 11 vitórias e 13 empates em 49 duelos), mas nos duelos com Sérgio Conceição, na Luz, continua invicto. Na condição de visitado venceu três confrontos como treinador das águias e um no comando do Sporting, tendo ainda empatado mais um em Alvalade e agora um na Luz.

isaura.almeida@dn.pt

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