Apesar de lesionada, Mamona não desistiu e obteve o Bronze

A vice-campeã olímpica competiu condicionada e no final sentiu-se satisfeita pelo resultado e feliz pela vencedora turca. Evelise Veiga disputa hoje a final do salto em comprimento.
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A triplista Patrícia Mamona, que defendia o título conquistado há dois anos, ficou em terceiro lugar na final da competição dos Campeonatos Europeus de Pista Coberta, em Istambul, na Turquia. O triplo salto de 14,16 metros valeu-lhe a Medalha de Bronze, e a Portugal o terceiro lugar no pódio, depois das Medalhas de Ouro de Auriol Dongmo (lançamento do peso) e Pedro Pichardo (triplo salto).

A Vice-campeã Olímpica, de 34 anos, fez a sua melhor marca logo a abrir, não voltando a conseguir ultrapassar os 14 metros, ficando longe dos 14,51 metros da melhor marca europeia do ano e do seu recorde nacional, de 14,53, que lhe valeram o cetro europeu há dois anos. A competir em casa, a turca Tugba Danismaz sagrou-se Campeã Europeia, com 14,31 metros, um novo recorde nacional, à frente da italiana Daiya Derkach (14,20).

"Tenho de estar feliz porque, até hoje [ontem], não sabia se vinha competir. Infelizmente, lesionei-me ontem [na sexta-feira] na qualificação. Não tinha dito para não alarmar. Agora estou com muitas dores, mas foi no adutor e agora estou a sentir o joelho, o que é normal, mas eu lutei até ao fim", partilhou a Vice-campeã Olímpica, que se mostrou "sinceramente feliz" por ter sido a atleta turca a ganhar, "porque a Turquia tem passado por dias tão tristes", disse em alusão aos sismos que atingiram o sudoeste do país e o noroeste da Síria.

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Mesmo lesionada, Mamona, de 34 anos, saltou 14,16 metros na primeira tentativa, mais sete centímetros do que na véspera, na qualificação, mas não voltou a conseguir superar os 14 metros, assegurando a sua terceira medalha em Europeus em Pista Coberta, depois do Ouro em Torun 2021 e da Prata em Belgrado 2017.

"Era a medalha que faltava, já foi um primeiro, já foi um segundo e tenho de estar contente com o bronze. Espero que não seja nada de grave, porque vem aí o verão e os Mundiais", referiu a atleta do Sporting, que, mesmo assim, cumpriu os seis saltos da final, com 13,98, dois nulos, 13,90 e 13,41 a finalizar.

Em Istambul 2023, Portugal iguala o número de medalhas obtidos nos campeonatos anteriores, na Polónia, Torun 2021, com três ouros, e de Valência 1998, com um ouro e duas pratas.

Já nos Mundiais ao ar livre de Oregon 2022, nos Estados Unidos, e, depois, nos Europeus, em Munique, na Alemanha, Mamona tinha estado condicionada por lesões, sem nunca ter desistido. "Estava muito indecisa, mas, no aquecimento, decidi que podia competir e lutar pelas medalhas e pelo primeiro lugar. No segundo salto senti outra vez e foi mais gerir a competição. Acho que tenho de estar feliz, queria lutar por mais mas podia não estar aqui, tenho de agradecer à equipa médica que fez um trabalho espetacular, mais uma vez", afirmou.

Marta Pen foi entretanto sexta classificada na final dos 1500 metros, com o tempo de 4.07,95 minutos, numa prova ganha pela britânica Laura Muir (4.03,40). A atleta do Benfica, de 29 anos, fez a sua melhor marca do ano, naquela que foi a sua segunda presença em Europeus de pista coberta, tendo melhorado o 13.º lugar alcançado em Torun 2021. "O meu grande objetivo era sair daqui com uma medalha e com o recorde nacional. Eram duas coisas que eu gostava muito de estar aqui a celebrar com vocês", partilhou Pen com os jornalistas na zona mista da Ataköy Arena, em Istambul.

O melhor resultado português nos 1 500 metros femininos dos Europeus indoor foi a vitória alcançada em Estocolmo 1996 por Carla Sacramento, que detém o recorde nacional (04.04,11), desde 25 de fevereiro de 2001. "Nós, atletas de alta competição, muitas vezes somos tão ambiciosos que acabamos por ver o copo meio cheio e uma das coisas que eu tenho investido muito nos últimos anos é aprender a beber o que está no copo e hoje é o sexto lugar. Por isso, vou celebrar isso. É difícil, mas prometo que hoje não vou chorar, porque a medalha é um sonho, ou um objetivo", afirmou.

No salto em comprimento, Evelise Veiga qualificou-se para a final com a marca de 6,53 metros, alcançada na terceira tentativa na qualificação, que lhe valeu o sétimo lugar e, consequentemente, a possibilidade de lutar hoje por medalhas.

"Estou muito emocionada porque acreditava que podia estar na final, mas tinha de estar ao meu melhor nível porque as minhas adversárias são muito fortes. Foi duro, mas consegui. Agora, sonhar ainda é de graça", disse a atleta do Sporting, que se estreia em Europeus aos 27 anos. Evelise Veiga vai disputar a final a partir das 16.50.

Quem também viveu um dia feliz foi Abdel Larrinaga, que atingiu as meias-finais dos 60 metros barreiras, ao ser repescado nas eliminatórias. O atleta do Sporting foi quinto na primeira série, com 7,77 segundos, marca que lhe permitiu ser o terceiro repescado. Às 7.43 (10.43 em Istambul), Abdel-Kader Larrinaga alinha na pista dois da segunda meia-final dos 60 metros barreiras, onde só um dos quatro primeiros lugares dão acesso à final, que se realiza às 18.05.


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