Paul Thomas Anderson, a consagração com 'Batalha Atrás de Batalha'.
Paul Thomas Anderson, a consagração com 'Batalha Atrás de Batalha'.Foto: Tolga Akmen/EPA

Os prémios BAFTA a pensar nos Óscares

'Batalha Atrás de Batalha' e 'Hamnet' destacaram-se nos prémios da Academia Britânica de Cinema, não sendo arriscado supor que estarão entre os principais vencedores dos Óscares de Hollywood.
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A 79ª edição dos prémios do cinema britânico, BAFTA, realizada este domingo no Royal Festival Hall de Londres, consagrou Batalha Atrás de Batalha como o melhor filme de 2025. Era o título com maior número de nomeações (14) e acabou por ser o mais premiado, com um total de seis distinções — ganhou ainda nas categorias de realização e argumento adaptado (Paul Thomas Anderson), ator secundário (Sean Penn), fotografia (Michael Bauman) e montagem (Andy Jurgensen).

No balanço dos números, ficaram alguns dados curiosos. Desde logo, nas nomeações: Batalha Atrás de Batalha passou a ser o filme mais nomeado na história dos BAFTA, de algum modo ecoando o recorde de 16 nomeações conseguido por Sinners/Pecadores, de Ryan Coogler, nos Óscares (a atribuir a 15 de março, em Los Angeles). Com vitórias em três categorias — atriz secundária (Wunmi Mosaku), argumento original (Ryan Coogler) e banda sonora (Ludwig Göransson) — Sinners tornou-se o filme dirigido por um negro com mais distinções nos BAFTA. Frankenstein, de Guillermo del Toro, acumulou também três prémios (guarda-roupa, caracterização e cenografia).

Jessie Buckley: melhor atriz em 'Hamnet', a caminho do Óscar...
Jessie Buckley: melhor atriz em 'Hamnet', a caminho do Óscar...Foto: Tolga Akmen/EPA

Marty Supreme ficou com outro recorde, mas pela negativa: 11 nomeações e nenhum prémio. Timothée Chalamet, intérprete do jogador de ping-pong inspirado em Marty Reisman, parecia ser o vencedor antecipado na categoria de melhor ator, mas a distinção foi para o inglês Robert Aramayo, na composição de um homem com síndrome de Tourette (baseado num caso verídico), no filme I Swear, de Kirk Jones. Aramayo seria, aliás, um dos grandes vencedores da noite, já que recebeu também o prémio revelação (Rising Star); Lauren Evans, ainda com I Swear, ganhou pelo melhor casting, categoria que terá a sua estreia nos Óscares deste ano, mas que existe nos BAFTA desde a edição de 2020. Um destaque especial vai também para Mr. Nobody contra Putin, testemunho crítico sobre a Rússia, consagrado como melhor documentário (estreia portuguesa: 5 de março).

Robert Aramayo, melhor ator e 'Rising Star'.
Robert Aramayo, melhor ator e 'Rising Star'.Foto: Tolga Akmen/EPA

Atribuídos pela Academia Britânica de Cinema (British Academy of Film and Television Arts), os BAFTA são a expressão oficial de uma tradição e um património indissociáveis da família real britânica — William e Catherine, os Príncipes de Gales, assistiram à cerimónia, sendo William o atual presidente da Academia. Daí que, no plano simbólico, a categoria de melhor filme britânico seja tão importante como a de melhor filme do ano: Hamnet, o drama centrado no casal Agnes/William Shakespeare, obteve essa distinção, com Jessie Buckley (intérprete de Agnes), a receber o BAFTA de melhor atriz — é ela também a óbvia favorita ao Óscar de melhor atriz.

O valor da tradição

Graças a algumas estatísticas algo precipitadas, os Golden Globes (da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood) são habitualmente citados como uma “antecipação” dos Óscares. Na verdade, embora não haja nada de científico em tal paralelismo, os BAFTA podem ser encarados como prémios mais reveladores das tendências que vão decidir os Óscares, quanto mais não seja porque as duas Academias (britânica e americana) se cruzam através da secular colaboração entre as indústrias dos dois países.

Ao agradecer o BAFTA de melhor realizador, Paul Thomas Anderson sublinhou, justamente, essa colaboração, dizendo que as “maiores exportações” do cinema britânico não foram Alfred Hitchcock ou Charlie Chaplin, mas sim o prestigiado produtor Adam Sumner. Falecido em finais de 2024, aos 57 anos, Sumner deixou o seu nome ligado a vários títulos de Ridley Scott, Martin Scorsese e Anderson (Batalha Atrás de Batalha foi o seu derradeiro trabalho). Isto sem esquecer que Sam Mendes, enquanto produtor, ao receber o BAFTA de melhor filme britânico para Hamnet, lembrou a contribuição decisiva do seu produtor americano, ou seja, Steven Spielberg.

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