Nomeações nos Óscares sem surpresas de última hora

Já se conhecem os nomeados da 94ª cerimónia dos Óscares, que acontece no dia 24 de fevereiro, sem apresentador. Roma e A Favorita lideram com dez nomeações cada.

A Academia de Hollywood não podia ser mais previsível, numa altura em que os dados continuam baralhados, ao contrário do ano passado, em que a corrida era claramente disputada entre A Forma da Água de Guillermo del Toro e Três Cartazes à Beira da Estrada de Martin McDonagh. Mas não deixa de haver front runners.

Depois dos Globos de Ouro e da mais recente estatueta de melhor filme nos Producers Guild Awards, Green Book - Um Guia Para a Vida (chega quinta-feira às nossas salas) tinha as malas feitas para chegar à nomeação de melhor filme, que acumula com o seu par de atores, Viggo Mortensen e Mahershala Ali, e argumento. Em todo o caso, o eco - com pequenas controvérsias à mistura - que tem crescido em torno deste drama bem-sucedido e simpático sobre a amizade, desenvolvida ao longo de uma digressão, entre um motorista italo-americano e um pianista negro, nos anos 1960, não se justifica tanto pela obra em si, que tem o seu valor, mas mais pela temática de uma América racista. Talvez por isso a realização competente de Peter Farrelly não tenha sido considerada - ou será pelos seus comportamentos infelizes no passado que vieram à baila? Hoje em dia nunca se sabe, a linha que divide a arte cinematográfica e a conduta dos seus intervenientes tornou-se demasiado frágil...

Mas falando do que interessa, Roma, somando dez nomeações - ao lado de A Favorita, do grego Yorgos Lanthimos - conseguiu a grande proeza de estar na lista de melhor filme e na categoria de filme estrangeiro, com Alfonso Cuarón entre os nomes de melhor realizador (sendo que também as categorias técnicas lhe correspondem, já que foi o verdadeiro "faz-tudo" da sua obra). Este êxito de indicações aos Óscares era talvez a dúvida que mais se impunha até ao momento, garantindo assim um grande triunfo para a Netflix.

Outro dos marcos inéditos é a presença de uma produção Marvel entre os nomeados para melhor filme - Black Panther. Uma tendência de variedade que se confirma, muito justamente, com BlackKklansman: O Infiltrado, que leva Spike Lee pela terceira vez à disputa do prémio de realização (para além do filme). Hollywood tem agora nova oportunidade para fazer o que deve fazer... Aliás, no cenário ideal BlackKklansman seria mesmo um dos favoritos.

Quanto às atrizes e atores, é possível que se repita o que aconteceu nos Globos de Ouro e Glenn Close receba a tão adiada estatueta frente à estreia de Lady Gaga, a vencedora antecipada da melhor canção, Shallow. Já Christian Bale parece ter a cama feita com o peso que ganhou para o seu papel em Vice, de Adam Mckay (estreia entre nós a 14 de fevereiro). Contudo, não esqueçamos Rami Malek na sua tão bem estudada interpretação de Freddie Mercury, e o italo-americano de Mortensen.

No meio desta prenunciada paisagem existe uma importante lacuna: No Coração da Escuridão, o filme de Paul Schrader tão aclamado pela crítica só teve direito a uma nomeação de melhor argumento original. Uma esmola para uma obra que merecia as categorias de topo, e o nome de Ethan Hawke na lista dos atores - ele que tem aqui a sua melhor composição até hoje. E por falar em atores, o que dizer da ausência de Robert Redford? Quando os dados estão viciados não há nada a fazer.

Agora, vamos a outro assunto: será que estas nomeações mobilizam os espectadores para as salas de cinema? É provável que sim. Há três filmes nomeados que ainda vão chegar ao nosso circuito de exibição - A Favorita, Vice e Green Book - e naturalmente a visibilidade que a temporada de prémios lhes deu é sempre um fator, pelo menos, de curiosidade.

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