Sete coisas que ajudam a evitar a demência, mesmo para quem tem maior risco genético

"Esses resultados são muito promissores. Mostram que, embora nenhum de nós possa saber com certeza o nosso risco inicial de desenvolver demência, todos podemos tomar medidas para reduzi-lo"

Aderir a a um conjunto de sete hábitos saudáveis ​​pode reduzir quase para metade o risco de desenvolver demência, revelou um estudo de cientistas norte-americanos que acompanhou quase 12 mil pessoas ao longo de três décadas.

Controlar a pressão arterial e o açúcar no sangue, o colesterol, manter-se ativo, comer de forma saudável, manter-se magro e não fumar reduziu o risco em até 43% em pessoas de ascendência europeia, mesmo naquelas com predisposição genética para a doença.

Para medir a influência desses hábitos, investigadores da Universidade do Mississippi, EUA, analisaram os registos médicos de quase 12.000 pessoas na faixa dos 50 anos ao longo de 30 anos, entre 1987 e 2019.

Os participantes tinham uma idade média de 54 anos no início do estudo e foram acompanhados, em média, ao longo de 26 anos. Dessas pessoas, 8.823 eram descendentes principalmente de europeus e 2.738 eram descendentes de africanos.

"A boa notícia é que, mesmo para as pessoas que estão em maior risco genético, um estilo de vida mais saudável reduz o risco de demência", referiu a principal autora do estudo, Adrienne Tin.

Os investigadores elaboraram então uma pontuação para cada participante com base em sete fatores de saúde: parar de fumar, ter uma dieta saudável, manter um peso saudável, manter-se fisicamente ativo e controlar os níveis de açúcar no sangue, níveis de colesterol e pressão arterial. A equipe combinou esses fatores numa única pontuação, numa escala de 14 pontos, sendo 0 o menos saudável e 14 o mais saudável.

A equipa usou ainda estudos de associação genómica para avaliar o risco genético de cada pessoa para desenvolver a doença e dividiu os participantes em grupos com base no nível desse risco. As pessoas no grupo de maior risco eram 1,5 a 2,7 vezes mais propensos a desenvolver demência do que aqueles no grupo de menor risco.

Os participantes no estudo receberam pontos por cada um dos sete hábitos saudáveis e, no final do estudo, verificou-se que 1.603 pessoas com ascendência europeia desenvolveram demência e 631 pessoas com ascendência africana também.

Os europeus mais saudáveis apresentaram o menor risco de demência, mesmo entre o grupo com maior risco genético. Os investigadores calcularam que para cada aumento de um ponto na pontuação referente ao estilo de vida, as pessoas reduziram o risco de demência em 9%. Para os que obtiveram melhor pontuação, isso traduziu-se num risco entre 30% e 43% menor de desenvolver a doença.

Houve menos redução para as pessoas de ascendência africana, com os mais saudáveis a obterem apenas um risco de demência 6 a 17 por cento menor.

"Esses resultados são muito promissores", diz Claudia Cooper , da University College London. "Eles mostram que, embora nenhum de nós possa saber com certeza o nosso risco inicial de desenvolver demência, todos podemos tomar medidas para reduzi-lo".

Rosa Sancho , da instituição de caridade Alzheimer's Research UK, diz que os resultados são boas notícias, mas observa que, como a pontuação do estilo de vida foi tomada no início do estudo, não está claro se os hábitos saudáveis ​​de um participante duraram o resto do estudo. Idealmente, estudos futuros também devem incluir o monitoramento contínuo dos hábitos de saúde dos participantes para avaliar os efeitos a longo prazo de um estilo de vida saudável", diz.

Entre as medidas recomendadas estão uma dieta rica em vegetais, frutas e nozes para melhorar a saúde do coração, bem como evitar bebidas açucaradas e carnes gordurosas ou processadas.

Outra recomendação é fazer pelo menos 150 minutos de exercícios moderados ou 75 minutos de exercícios vigorosos por semana, além de manter um índice de massa corporal saudável.

Parar de fumar também foi crucial, sublinharam os cientistas, aconselhando as pessoas a parar de fumar ou usar produtos de reposição de nicotina, como adesivos.

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