Astrónomos captam misteriosas ondas rádio pela primeira vez em tempo real

Astrónomos ainda não conseguiram perceber o que são ou sequer a origem destes eventos.

Uma equipa australiana captou pela primeira vez em tempo real um fenómeno conhecido como FRB (Fast Radio Burst), misteriosos picos registados em ondas rádio que desde 2007 intrigam os astrónomos, que não sabem o que são ou a origem destes eventos. A sua captação em tempo real permite tentar perceber melhor as suas origens.

Desde que a primeira FRB foi reportada, em 2007, já foram encontradas quase uma dezena, mas quase sempre semanas ou anos depois do evento, ao rever dados antigos. Mas em maio passado a astrofísica Emily Petroff, da Universidade de Swinburne, na Austrália, conseguiu observar uma em tempo real no Observatório Parkes, na Austrália. A descoberta foi relatada num artigo do Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A observação está também a ajudar os cientistas a perceber a origem dos sinais, um passo fundamental para perceberem a distância à Terra e se o sinal mudou ao longo do tempo. Ao mesmo tempo, se forem vistas em tempo real é possível avisar outras equipas, com telescópios que trabalham noutros comprimentos de onda, para recolherem mais informação.

Estes eventos duram milissegundos mas emitem tanta energia como o Sol num dia. A sua fonte é um mistério, mas os cientistas apontam para algo enorme e cataclísmico, diz Emily Petroff. Uma das ideias em cima da mesa é que o que estamos a ver é uma estrela de neutrões a implodir e a transformar-se num buraco negro.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.