Estudo aponta que a água na lua de Júpiter está mais próxima da superfície do que se pensava

Europa tem sido um candidato para encontrar vida no nosso sistema solar devido ao seu vasto oceano, que se acredita conter água líquida - um ingrediente chave para a vida.

Os cumes que cruzam a superfície gelada da lua de Júpiter, Europa, indicam que existem bolsas de água, aumentando as esperanças na busca de vida extraterrestre, disseram cientistas da Universidade de Stanford (EUA), nesta terça-feira.

Europa tem sido um candidato para encontrar vida no nosso sistema solar devido ao seu vasto oceano, que se acredita conter água líquida - um ingrediente chave para a vida.

Há um problema: o oceano está provavelmente 25 a 30 quilómetros abaixo da camada de gelo da lua. No entanto, a água pode estar mais perto da superfície do que se pensava anteriormente, de acordo com uma nova investigação publicada na revista Nature Communications.

A descoberta veio em parte por acaso, quando geofísicos que estudavam uma camada de gelo na Gronelândia assistiram a uma apresentação sobre Europa e detetaram uma característica que reconheceram. "Estávamos a trabalhar em algo totalmente diferente relacionado com as mudanças climáticas e o seu impacto na superfície da Gronelândia quando vimos essas pequenas cristas duplas", disse o autor do estudo, Dustin Schroeder, professor de geofísica da Universidade de Stanford.

Eles perceberam que as cristas geladas em forma de M na Gronelândia pareciam versões menores de cristas duplas na Europa, que são a característica mais comum na lua de Júpiter. As cristas duplas de Europa foram fotografadas pela primeira vez pela nave Galileo da NASA na década de 1990, mas pouco se sabia sobre como elas foram formadas.

Os cientistas usaram um radar de penetração no gelo para observar que essas cristas ou cumes da Gronelândia foram formadas quando bolsas de água a cerca de 30 metros abaixo da superfície da camada de gelo voltaram a congelar e partiram. "Isto é particularmente empolgante, porque os cientistas estudam os cumes duplos na Europa há mais de 20 anos e ainda não chegaram a uma resposta definitiva sobre como se formam", disse o principal autor do estudo, Riley Culberg, estudante de doutoramento em engenharia elétrica em Stanford. .

"Esta foi a primeira vez que pudemos ver algo semelhante acontecer na Terra e realmente observar os processos subterrâneos que levaram à formação das cristas", disse ele à AFP. "Se as cristas duplas de Europa também se formam dessa maneira, isso sugere que as bolsas de águas devem ter sido (ou talvez ainda sejam) extremamente comuns."

As bolsas de água de Europa podem estar enterradas cinco quilómetros abaixo da camada de gelo da lua - mas isso ainda seria muito mais fácil de ter acesso. "Particularmente, se essas bolsas de água se formarem porque a água do oceano foi forçada a subir através de fraturas na concha do gelo, é possível que elas preservem evidências de qualquer vida no próprio oceano", disse Culberg.

A água mais próxima da superfície também incluiria "produtos químicos interessantes" do espaço e de outras luas, aumentando a "possibilidade de existência de vida", disse Schroeder, em comunicado. "Podemos não ter muito tempo para esperar para descobrir mais".

A missão Europa Clipper da NASA, programada para ser lançada em 2024 e chegar em 2030, terá equipamentos de radar de penetração no gelo semelhantes aos usados ​​pelos cientistas que estudam as cristas duplas da Gronelândia. É improvável que a nave encontre uma prova definitiva de vida porque não pousará em Europa, apenas sobrevoará e analisará desde cima.

Mas as esperanças continuam altas. Prevê-se que o oceano da lua tenha mais água do que todos os mares da Terra juntos, de acordo com o site do Europa Clipper.

"Se há vida em Europa, quase de certeza que é completamente independente da origem da vida na Terra... isso significaria que a origem da vida deve ser muito fácil em toda a galáxia e mais além", disse o cientista do projeto, Robert Pappalardo, no site.

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