Fim do catering nas escolas de Lisboa. Autarquia vai eliminar cerca de "50 toneladas de plástico" por ano

Ao acabar com o sistema de catering a quente, com cuvetes de plásticos, que atualmente abrange cinco mil crianças de jardins de infância e do 1º ciclo, a autarquia vai eliminar cerca de "50 toneladas de plástico anuais", afirma ao DN o vereador Ricardo Robles

"Vai transformar profundamente o sistema de refeições escolares da câmara de Lisboa". A garantia é de Ricardo Robles, vereador com o pelouro da Educação e da Ação Social, sobre o protocolo assinado esta quinta-feira entre a autarquia e várias entidades que pretende melhorar a qualidade da alimentação nas cantinas dos jardins-de-infância e do 1º ciclo das escolas sob alçada municipal. Além disso, o objetivo é reduzir significativamente o consumo de plástico.

"Há uma grande insatisfação" em relação às refeições escolares, refere ao DN o vereador do Bloco de Esquerda. E o catering a quente, sistema de refeições servido em cuvetes de plástico, é o que motiva mais queixas. "São cinco mil crianças que têm este regime. É o que gera uma maior insatisfação e queremos acabar com ele", afirma Ricardo Robles.

Vão ser poupadas cerca de 50 toneladas plástico anuais com o fim das refeições servidas em cuvetes

Nesse sentido, o vereador assinou um protocolo, cujo objetivo passa pela "confeção local" das refeições. "O primeiro objetivo é que as cinco mil crianças que comem em regime de catering passem a ter refeições de confeção local no primeiro período do próximo ano letivo", explica.

Além de querer aumentar os níveis de satisfação e garantir a qualidade da alimentação que é dada nas escolas da cidade, a medida vai reduzir de forma significativa o desperdício de grandes quantidades de plástico, com a eliminação das cuvetes descartáveis do regime de catering. "Estas cinco mil refeições diárias geram cerca de 50 toneladas de plástico anuais", especifica o vereador, que pretende desta forma reduzir a pegada ecológica do município.

Nos estabelecimentos de ensino que não tenham capacidade de confecionar as refeições, serão as escolas mais próximas a aumentar a produção diária

Ricardo Robles quer depois implementar, a partir de 2019, as refeições de confeção local em todas as escolas do primeiro ciclo e jardins-de-infância, que estão sob a alçada da autarquia. Um objetivo que quer colocar em prática envolvendo toda a comunidade escolar, com "recurso aos mercados locais da cidade e envolvendo as juntas de freguesia".

Nos estabelecimentos de ensino que não tenham capacidade de confecionar as refeições, serão as escolas mais próximas a aumentar a produção diária de modo a fornecer as refeições.

Um plano municipal para melhorar as refeições escolares que tem a colaboração dos "melhores especialistas desta área", sublinha o vereador. O protocolo, assinado na Escola Básica Sarah Afonso, contempla a colaboração com associações nacionais e internacionais, como a Administração Regional de Saúde e Vale do Tejo (ARSLVT), Associação Portuguesa de Nutrição, Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, Direção-Geral da Educação, Direção-Geral da Saúde, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Liga Portuguesa Contra o Cancro, Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

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