Speed Talent – um projeto do Alentejo para todos os empreendedores

O projeto Speed Talent - Acelerador de talentos já é uma realidade por todo o Alentejo.

No momento em que foi criado o foco inicial foi o de incentivar jovens empreendedores, bem como algumas Start-up e Spin-off, a terem as suas ideias apoiadas por um conjunto de instituições de ensino superior, institucionais e empresariais.

Assenta nas sinergias entre o Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), a Universidade de Évora, a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (ADRAL), o Núcleo Empresarial da Região de Évora (NERE), a Associação Nacional de Jovens empresários (ANJE), o Sines Tecnopolo, o Instituto Politécnico de Portalegre, o Instituto Politécnico de Beja e o Instituto Politécnico de Santarém.

"Houve uma troca de experiências a vários níveis. Ao nível da gestão do projeto desenvolveram-se intercâmbios com outros gestores de projetos que nada têm a ver com o Speed Talent. Houve obviamente um ganho para todos. Outro nível muito positivo é o técnico. São os técnicos envolvidos que fazem o empreendedorismo acontecer. Nestes casos também houve uma troca de experiências. Mas o mais importante são os próprios empreendedores. Partiram da sua própria incubadora, mas partilharam conhecimento e experiência com os outros, dando-lhes mais enriquecimento para os projetos que estavam a desenvolver. No fundo fizeram um "pequeno Erasmus", explicou Soumodip Sarkar Vice-reitor da Universidade de Évora e Presidente Executivo do PACT.

Este investigador e professor universitário percorre o Mundo a participar em conferências. Ensina, troca experiências e aplica os vastos conhecimentos em Portugal. O Speed Talent foi, por isso, um projeto natural. Pretendeu-se promover o contacto direto entre os jovens empreendedores, os mentores, as empresas já estabelecidas e outros promotores de projetos inovadores, estimulando o espírito empresarial e o trabalho em parceria.

E este foi um dos motivos porque a Universidade de Évora esteve envolvida desde o primeiro momento. Acabou por participar em quase todas as atividades e desenvolveu software para aplicar nas novas ideias de negócio. Na opinião de Vanda Rebelo "quisemos ser a entidade que ajudasse os empreendedores a criar rede de contactos quer na academia, como nas empresas e demais instituições. Criar uma ponte entre o empreendedor e o mundo real. Identificámos os investigadores da Universidade com projetos similares aos dos empreendedores e houve uma ótima aceitação dos dois lados".

Inovar e crescer Além-Tejo

O Speed Talent é financiado através dos programas Alentejo 2020, Portugal 2020, mas conta também com o apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional da União Europeia.

Esta nova forma de apoio permite dotar de novas competências os técnicos responsáveis de cada uma das entidades promotoras.

"O projeto contribuiu para o reforço e dinamização da MOOVE Alentejo Incubadora Network, dotando-a de novos instrumentos e iniciativas fundamentais para a consolidação do ecossistema regional das incubadoras de base tecnológica e afirmação da região enquanto destino de excelência para o investimento", referiu Carlos Catarino, da ANJE.

Na prática, as 9 instituições parceiras, com missões e modos de funcionamento diferentes, juntaram-se para potenciarem ideias verdadeiramente inovadoras, com sucesso garantido.

"Desafio, por toda a dimensão deste consórcio, colaboração, que tem sido muita para a realização do projeto, reforço da competitividade e inovação. Sobretudo inovação" são na opinião de João Moutão, vice-reitor do Instituto Politécnico de Santarém as palavras que melhor definem a iniciativa.

Mas o Speed Talent potenciou ainda a vontade indiscutível de promover novos centros de conhecimento e diversificar a oferta, até agora concentrada apenas nas grandes cidades do país. Mónica Brito, Diretora Executiva do Sines Tecnopolo, admitiu que a cultura colaborativa foi determinante para a concertação neste projeto: "as pessoas esquecem-se que o Alentejo também tem mar, tem um porto internacional de águas profundas que é o maior de Portugal. Neste caso tivemos a sorte de encontrar as pessoas certas para trabalharem em conjunto, apesar de não ser um processo fácil. O Speed Talent para nós ajudou-nos a criar ainda mais e melhores laços com os nossos parceiros e associados".

O tecido empresarial do Alentejo também percebeu a necessidade de apoiar os jovens empreendedores e esteve envolvido em alguns dos projetos. Para Rui Espada, do Núcleo Empresarial da Região de Évora, "o Alentejo precisa de uma população ativa e qualificada. Queremos encontrar pessoas dispostas a mudar para a região e que nos tragam novas ideias e novas formas de atuar. Pessoas que queiram arriscar. Há riscos em todas as ideias e em todos os projetos. Mas, sabendo onde se quer chegar os riscos acabam por ser menores".

Também por este motivo o Vice-reitor da Universidade de Évora chamou a atenção para falhas que se devem combater: "Nós falamos muito de regionalização, mas não precisamos disso. O país é muito pequeno. O que é que nós precisamos? É do TGV. Temos que encurtar as distâncias entre Lisboa e Évora, entre Lisboa e Beja e eu vejo numa linha de caminhos de ferro de alta velocidade uma solução muito importante. Não é preciso pensar nas estratégias de regionalização como os políticos geralmente pensam. No sentido em que estou a explicar, as infraestruturas são fundamentais. Basta reduzir as distâncias em termos de tempo, em vez um uma hora e meia para meia hora, e as regiões do interior serão muito beneficiadas", concluiu Soumodip Sarkar.

Muitas atividades e o mesmo propósito

Neste projeto foi criado um balcão de apoio ao empreendedor, para ser um ponto de receção para os vários empreendedores e para facilitar a comunicação entre todos.

Houve ainda a possibilidade de participação em "Maker Faire" - uma espécie de feira para pessoas que mostram produtos novos e ideias de negócios também inovadoras. O alvo foi um publico jovem que se interessa pela visita a estas feiras. E neste caso, o Speed Talent acabou também por ser comunicado entre os mais novos.

Foram, pois, várias as ações que se tornaram rentáveis para os participantes, como referem os responsáveis do Instituto Politécnico de Portalegre: "As ações de benchmarking são importantes no desenvolvimento de projetos, empresas, ideias de negócio e organizações. Realizamos várias visitas a outras organizações onde fomos beber e partilhar pormenores de sucesso dificuldades que encontramos. Visitar incubadoras, com mais experiência do que nós dá-nos mais competências para conseguirmos auxiliar os nossos incubados, minimizando assim as dificuldades que possam surgir".

Os roteiros de inovação destinaram-se a um público que frequenta o ensino superior, nos quais se fez um enquadramento de áreas prioritárias que existem na região, com são, por exemplo, o agroalimentar e o ambiente. A esta atividade puderam concorrer os jovens com novas ideias, mas também os que quisessem conhecer um pouco mais sobre cada uma das áreas dos roteiros. Para Alexandra Correia, da ADRAL, "depois de identificados os setores-chave e as tendências internacionais, identificámos o potencial para o território. Construímos um programa de aceleração de ideias. Incluímos workshops temáticos, uns mais genéricos e outros de cariz mais específico. No final do processo os jovens aprenderam a desenvolver a sua ideia e torna-la sustentável. A ideia destes roteiros foi a de construir uma base para que se possa continuar a trabalhar em cada uma das atividades".

O que se pretende com a implementação do Speed Talent é que o Alentejo continue a evoluir, não só na agricultura, como nas novas tecnologias, no ambiente, na hotelaria e no turismo. Há uma série de áreas que são pilares da região, "como também é o caso da aeronáutica. Atualmente está a ser criado um cluster, com empresas que já cá estão e outras que se querem fixar. Mas eu vejo potencial noutras áreas também. Como por exemplo na área da saúde digital, que já tem investigação na Universidade de Évora. Não é necessário estar em Lisboa, Paris ou Berlim para se trabalhar nestas áreas. Temos muito para oferecer. Temos uma região envelhecida. Esta situação é também uma forma para que as empresas que trabalham na saúde para a terceira idade possam atuar e investigar", explicou o Presidente do PACT.

A ideia é promover novos projetos como este no futuro. Para os responsáveis do Instituto Politécnico de Beja, "o Speed Talent possibilitou um olhar mais profundo sobre o Ecossistema empreendedor do Alentejo e serviu essencialmente como o fio condutor de uma rede de Incubadoras que, pese embora seja incipiente, é demasiado importante para ser descurada".

Por todos estes motivos o professor Sarkar deixou em aberto a ideia de promover uma segunda edição do Speed Talent, na qual se potencie a participação das grandes empresas da região como maior garantia no sucesso de todos os projetos.

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