Quando o tema é Gripe, mais vale prevenir!

Muitos de nós ainda acreditam que só os mais idosos e frágeis apanham gripe. Se acha que não faz parte desta população e por isso não está em risco, este artigo é para si.

É nesta altura do ano, com as grandes diferenças de temperatura de um dia para o outro ou mesmo de ambientes quentes para ambientes mais frios, com vento e chuva que podemos ser apanhados desprevenidos pela gripe! As defesas imunitárias estão mais debilitadas, os vírus da gripe alojam-se mais facilmente no organismo e aí aparecem os primeiros sintomas, que normalmente são espirros, tosse, dores musculares, mal-estar geral e, muitas vezes, febre.

A gripe é universal, todos temos o risco de contrair a doença, e iremos estar em risco independentemente da idade ou do estado clínico, ou seja, numa fase ou outra de vida, podemos ter gripe. É certo que existem grupos para os quais este vírus representa um risco acrescido, como as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, crianças até aos 5 anos, doentes crónicos e imunodeprimidos, grávidas, profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados.

Começamos pelas pessoas com 65 anos ou mais. A gripe é uma doença imprevisível, mas depois dos 65 anos tudo se pode complicar mais devido à idade e ao envelhecimento do nosso corpo. As defesas imunitárias ficam mais fracas levando a que as pessoas fiquem mais suscetíveis e tenham maior risco de sofrer complicações com a gripe.

Por outro lado, o vírus da gripe em doentes crónicos, como pessoas com diabetes, com doenças respiratórias ou cardiovasculares, pode potenciar os sintomas dessas doenças e levar a uma diminuição da resistência às infeções.

Mas, também, para as crianças a gripe é inevitável; na verdade, são os mais pequenos o grande foco de contágio. Uma criança pode transmitir mais vírus que os adultos, contagiar outras crianças, professores, pais e um grupo vulnerável que não podemos esquecer, os avós. Nas crianças, a gripe pode mais facilmente, para além da doença, trazer complicações graves associadas e impactar a vida dos cuidadores, em termos económicos, sociais e de saúde. Recorrentemente, a criança ao ficar doente, faz com que os pais tenham de faltar ao trabalho, se desloquem a urgências médicas e tenham gastos com medicação e serviços. A prevenção, assume assim um papel chave para reduzir a carga da doença.

No que se refere às grávidas, também a prevenção pela vacinação contra a gripe é aconselhada, uma vez que as alterações hormonais podem gerar maior exposição aos efeitos da doença. Simultaneamente, estamos a dar a possibilidade de a grávida produzir anticorpos, que são defesas que passará ao feto e o poderão proteger nos primeiros seis meses de vida, enquanto não pode ser vacinado.

Por fim, falamos dos profissionais de saúde, que através da vacinação contra a gripe se protegem a si e aos seus doentes. O exemplo é a forma mais eficaz de aconselhar a prevenção.

A gripe é uma doença contagiosa e os vírus estão em constante mutação levando a que a imunidade provocada pela vacina não seja duradoura, razão pela qual as pessoas se devem vacinar anualmente. Nos últimos anos, a maior atividade gripal tem sido observada entre dezembro e fevereiro. Assim sendo, ainda estamos a tempo de nos vacinar.

Para que a proteção seja mais completa e alargada, a vacina está disponível nos centros de saúde de forma gratuita para alguns grupos de risco. A restante população, pode adquirir a vacina nas farmácias, mediante prescrição médica. Este ano está também disponível nas farmácias uma nova vacina contra a gripe para uma proteção mais alargada para indivíduos com idade igual ou superior a 6 meses.

Com um grande impacto social e económico, a gripe mata cerca de 4 mil pessoas anualmente no nosso país, ou seja, oito vezes mais do que o número de mortes por acidente de viação.

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