Uma carícia de cinema

"Rumo à outra Margem", Kiyoshi Kurosawa

O japonês Kiyoshi Kurosawa (sem relação com Akira Kurosawa) é mais conhecido por um cinema vinculado ao género do terror. Mas o seu percurso não é uniforme, nem se presta à catalogação, ou não fosse também em trabalhos televisivos que se destacou, ao longo dos anos 1990. Rumo à Outra Margem, familiarizando-se com o registo dramático, estará mais próximo da longa-metragem anterior, Tokyo Sonata (2008), que já tinha ganho o prémio do júri, na secção Un Certain Regard, em Cannes. No ano passado, a mesma secção destacou o realizador por este Rumo à Outra Margem.


Embora seja uma história de fantasmas, não há arrepios. Kurosawa ocupa-se da beleza de um romance crepuscular: um marido volta a casa três anos após ter sido dado como morto... E está, de facto, morto, mas não espiritualmente. Esse espírito move ainda um homem, de carne e osso, que regressa para levar a mulher numa viagem, e despedir-se dela, antes de passar para a "outra margem". Eis uma narrativa que faz ressoar profundamente a cultura japonesa, e se guarnece daquele encanto e delicadeza visual que só os contos orientais nos dão.

Classificação: ****

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