Que indústria tão cruel

A fantasia de 140 milhões, estreada nos Estados Unidos no último fim de semana, ficou-se pelos 19 milhões de dólares.

Spielberg faz um filme infantil clássico, de velha guarda, manufaturado com respeito e coração e é punido. Os tempos não estão para fitas puras sem robôs e máquinas destruidoras. Já se tinha percebido em Cannes que este The BFG não tinha os condimentos da atual escala de sucesso para o multiplex.

Neste último fim de semana abriu nos EUA com uns desapontantes 19 milhões de dólares, ficando muito atrás de À Procura de Dory, do novo filme do filão Purge e de A Lenda de Tarzan, de David Yates, filme que superou as expectativas. O fracasso surpreendeu muita gente e houve logo analistas a querer fazer o enterro do Spielberg dos blockbusters, logo ele que desde 1975 inventou o próprio conceito de lançamentos em muitas salas e se tornou o mais bem-sucedido realizador da sua geração a nível de bilheteiras. Todo esse alarido tem uma causa: a associação à Disney nos EUA (a primeira colaboração...) e o custo proibitivo desta fantasia: 140 milhões.

Por coincidência ou não, um dos seus mais notórios flops chama-se As Aventuras de Tintin - O Segredo de Licorne (de 2011) e era também percecionado como "filme para crianças". Aí a indústria foi também cruel para Spielberg, ainda mais cruel do que neste caso - esse Tintin era absolutamente revolucionário a muitos níveis.

Mesmo apesar de ter o toque de Midas em dezenas de trabalhos, algumas das suas pérolas ficaram aquém dos resultados previstos, nomeadamente o encantador Sempre (1989) e o visionário A. I. - Inteligência Artificial (2001). Contudo, como nesta coisa das bilheteiras não há varinhas mágicas, também poucos seriam capazes de pensar que o seu Lincoln (2012) chegasse à marca dos 182 milhões...

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