O rock épico dos Muse num espetáculo com visão a 360º

Com um palco instalado no meio da Meo Arena, os Muse regressam a Lisboa para dois concertos há muito esgotados, como sempre acontece quando a banda britânica visita Portugal.

Já lá vão quase 16 anos desde a primeira visita dos Muse a Portugal. A 23 de agosto de 2000, na Ilha do Ermal, a banda britânica tinha acabado de editar o álbum de estreia Showbizz e apesar de desconhecida para a maior parte dos presentes, mais interessados em ver os Limp Bizkit ou os Deftones, conseguiram, ao longo de pouco mais de uma hora, assinar um dos mais elogiados concertos da primeira noite de festival. Estava lançada a semente para o que viria a ser uma longa relação de amor entre o público nacional e o grupo composto por Matthew Bellamy (guitarrista e vocalista), Christopher Wolstenholme (baixista) e Dominic Howard (baterista).

Surgidos em 1994, na pequena cidade litoral de Teignmouth, no sul de Inglaterra, os membros da banda conheceram-se enquanto estudavam no liceu local. E como tantas vezes acontece, foi o tédio que esteve na origem do grupo, como recordou o baixista Chris Wolstenholme em entrevista ao jornal Blitz, nessa primeira visita a Portugal: "A maioria dos nossos amigos foi para a universidade e sentimos necessidade de arranjar algo para nos entretermos". Chamavam-se na altura Rocket Baby Dolls e adotaram então uma estética algures entre o gótico e o glam-rock, que lhes garantiu, logo nesse primeiro ano, a vitória num concurso local de bandas, no qual terminaram a atuação a partir todos os instrumentos em palco.

"Foi um choque", revelaria anos mais tarde, o vocalista Matthew Bellamy, até porque a intenção era apenas a de marcar uma posição de protesto contra a indústria musical e nunca vencer o que quer que fosse. Ainda segundo Matthew, foi a partir desse partir momento que começaram a levar-se "mais a sério".

Nos meses seguintes desistiram dos empregos, mudaram o nome da banda para Muse - "um nome curto, que se lesse bem num cartaz" - e apostaram tudo na música. Após muitos concertos na sua região natal, que serviram para solidificar a imagem de "banda ao vivo", foram convidados para os espetáculos dos Skunk Anansie em Londres e Manchester e para atuar no regressado festival de Woodstock, nos Estados Unidos.

Quando o álbum de estreia Showbizz é editado em 1999, são já uma banda de culto junto dos fãs de rock alternativo. Todavia, seria só com o segundo disco, Origin of Symmetry, lançado em 2001, que a crítica seria em definitivo conquistada, abrindo-lhes de vez as portas do estrelato mundial.

Os novos Queen

Seria com esse álbum que regressariam a Portugal, em 2002, para os dois primeiros concertos em nome próprio em Portugal, na Aula Magna, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto, naquela que terá sido a última oportunidade para ver a banda olhos nos olhos - voltariam nesse mesmo ano, mas já como um dos cabeças de cartaz do festival Sudoeste. E a partir daí nada mais seria igual para a banda, com os Muse a ascenderem de vez à primeira liga do rock mundial.

Desde então passariam ainda pelo Super Bock Super Rock (2004), Campo Pequeno (2006), Rock in Rio Lisboa (2008 e 2010), Pavilhão Atlântico (2009), Estádio do Dragão (2013) e NOS Alive (2015), sempre com espetáculos lotados por cada vez mais público.

Apelidados de "os novos Queen", não tanto por qualquer tipo de mimetismo, mas antes pela forma como se reinventam a cada disco, sem nunca perder a matriz do rock épico que sempre caracterizou a sua música. Das orquestrações clássicas de Absolution (2003) à eletrónica de Black Holes and Revelations (2006), da militância política de The Resistance (2009) e The 2nd Law (2012) ao rock mais direto do último Drones (2015), tudo cabe dentro do vasto universo estético da banda, que já lhes valeu mais de 20 milhões de discos vendidos em todo o mundo e os mais variados prémios da indústria, entre os quais cinco MTV Music Awards, dois Brit Awards e outros tantos Grammy, ambos na categoria de "melhor álbum rock".

É no entanto ao vivo que os Muse melhor provam o porquê disto tudo, como o público português tão bem sabe e mais uma vez terá oportunidade de comprovar, num espetáculo inovador, com palco montado no centro do pavilhão, para permitir aos fãs uma visão total, a 360º, de uma das maiores bandas rock da atualidade.

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